Globalização: Fidelidade – Ganhar dimensão e diversificar o risco

O crescimento empresarial não sobrevive sem a internacionalização. A aprendizagem já adquirida por grandes empresas nacionais pode ajudar outras a quebrar o medo e a inércia de sair de Portugal. O testemunho da Fidelidade.

António Sarmento

Qual a importância da Globalização para a competitividade?
Para Portugal é um aspecto muito importante, especialmente quando olhamos para o nosso mercado. Historicamente, a dimensão do mercado português é relativamente reduzida e isso obriga as empresas portuguesas a olhar para a sua internacionalização como uma forma de ganharem dimensão e, simultaneamente, diversificarem o risco.
A Fidelidade é um bom exemplo, uma vez que estamos em 14 países espalhados por quatro continentes. Quando olhamos para os fenómenos que nos têm marcado nestes últimos anos, como é o caso da guerra na Ucrânia, percebemos que o seu impacto é diferente nas várias geografias onde estamos presentes. Na América Latina, de um modo geral, assistimos ao aumento das exportações de minérios, enquanto em Angola o impacto da guerra foi mais visível no aumento do preço do petróleo. Ao mesmo tempo, na Europa, falávamos da crise energética e da escalada inflacionista. Estes são os efeitos normais da globalização, com o mesmo fenómeno a ter implicações diferentes em várias geografias. Umas são prejudicadas e outras beneficiadas, o que ilustra bem a forma como a internacionalização pode servir para a diversificação do risco.
É importante acrescentar, no que às empresas portuguesas diz respeito, que a exposição a outros mercados e realidades pode constituir ainda uma vantagem adicional. Em muitos casos, corresponde a uma importante fonte de importação de inovação para o mercado português, o que nos torna mais competitivos de um modo global.

Quais os desafios para continuarem a ser um dos motores da economia?
Neste momento, e atendendo às circunstâncias actuais, o primeiro desafio passa por gerir o contexto das taxas de juro altas e as pressões inflacionárias, que exercem uma forte influência nos nossos custos, tanto ao nível da estrutura, como nos custos com sinistros.
Simultaneamente, temos de conseguir continuar a percorrer o caminho da inovação e a reforçar a nossa aposta no domínio tecnológico, garantindo uma eficiência cada vez maior nos nossos processos, mas também na forma como desenhamos produtos e serviços que nos aproximem dos nossos clientes e estejam cada vez mais adaptados às suas necessidades. Operamos num ambiente muito acelerado e devemos estar atentos para garantir que os nossos canais de distribuição estão cada vez mais próximos das pessoas, que são user friendly, tanto para os nossos clientes como para os nossos parceiros de distribuição.



Como é que as PME podem vencer num mundo cada vez mais global?
O principal factor prende-se com a necessidade de as empresas realizarem uma pesquisa prévia, que é fundamental para conhecerem de forma profunda todos os temas do mercado onde querem entrar. Seja no tema legal, fiscal ou regulatório, mas também para perceberem se, culturalmente, existe ou não uma boa combinação com a realidade onde a empresa já está estabelecida.
Para serem bem-sucedidas na execução de um projecto de expansão, outro factor fundamental para as empresas é identificarem mercados onde seja possível aportarem valor. Isto só se consegue com a pesquisa prévia que abordei. Depois é necessário elaborarem um bom plano e garantir a existência de recursos qualificados para o executar.

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