Estado “não vai lucrar com a guerra”, garante ministro: gasolina e gasóleo vão subir, mas Governo prolonga alívio no ISP

A garantia foi dada pelo ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, que explicou que o objetivo é evitar que o Estado beneficie fiscalmente da subida dos preços provocada pela guerra e pelo aumento do custo do petróleo

Francisco Laranjeira

O Governo vai manter os descontos fiscais sobre os combustíveis para tentar travar a subida dos preços da gasolina e do gasóleo, que vão voltar a aumentar na próxima semana devido à escalada das cotações do petróleo nos mercados internacionais.

A garantia foi dada pelo ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, que explicou que o objetivo é evitar que o Estado beneficie fiscalmente da subida dos preços provocada pela guerra e pelo aumento do custo do petróleo.



Segundo Manuel Castro Almeida, quando o preço do petróleo sobe, o valor pago pelos consumidores aumenta e, com isso, também cresce a receita de IVA arrecadada pelo Estado.

Para evitar esse efeito, o Governo decidiu prescindir desse aumento de receita fiscal e devolvê-lo aos consumidores através de uma redução no Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP).

“Com o aumento do preço do petróleo, a gasolina e o gasóleo teriam de ficar mais caros e o Governo iria receber mais dinheiro de IVA. O que o Governo fez foi prescindir desse acréscimo da receita”, afirmou o ministro.

Segundo explicou, a decisão pretende garantir que o Estado “não vai lucrar nem tirar vantagens fiscais da guerra”.

Compensação quando subida ultrapassa 10 cêntimos

O mecanismo de compensação aplica-se quando o aumento dos preços dos combustíveis ultrapassa os 10 cêntimos por litro.

Nessas situações, o valor adicional de IVA gerado pela subida é devolvido aos consumidores através de um desconto equivalente no ISP, reduzindo o impacto final no preço pago nas bombas.

Manuel Castro Almeida explicou que, sempre que os combustíveis aumentem mais de 10 cêntimos, “a parte do IVA correspondente a esse diferencial é devolvida aos consumidores”.

Comparação feita com preços antes da guerra

O limiar de 10 cêntimos não se aplica semanalmente, mas sim em comparação com os preços que estavam em vigor antes da atual escalada associada ao conflito internacional.

Assim, o desconto fiscal procura neutralizar parte do impacto da subida do petróleo nos preços finais, numa altura em que a instabilidade no Médio Oriente continua a pressionar os mercados energéticos e a gerar receios de novos aumentos nos combustíveis.

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