Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, Funchal é aquele onde as famílias portuguesas têm mais dificuldade para comprar casa, porque a avaliação bancária dos imóveis fica, em média, 21% abaixo do valor da venda.
Não muito longe da capital da ilha da Madeira está Cascais que, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatísticas, no final do ano passado, a avaliação bancária dos imóveis comercializados neste município ficou 20% abaixo do valor da venda.
Em Portugal, o preço das avaliações bancárias é, em média, 5% inferior ao preço da venda; e entre os municípios com mais de 100 mil habitantes esse diferencial é de 8%.
Do lado inverso, entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, Barcelos é onde se revela mais fácil comprar casa recorrendo ao crédito bancário, com o preço da avaliação bancária a situar-se 3% acima do valor da venda – Barcelos é inclusive o único município com mais de 100 mil habitantes onde este diferencial é positivo.
Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, Lisboa, Cascais e Oeiras são os que apresentam os preços por metro quadrado mais elevados de avaliação bancária e de aquisição de habitação.
Os dados hoje divulgados pelo INE revelam um valor menor de avaliação bancária relativamente aos preços de transação em municípios com preços medianos superiores a 960 euros por metro quadrado.
O INE revela ainda que o preço mediano de alojamentos familiares foi 1.188 euros por metro quadrado no quarto trimestre de 2020, mais 1,7% face ao trimestre anterior e mais 7,8% face ao mesmo período de 2019.
Num comunicado, o INE referiu também que em 12 NUTS III (Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos) houve uma aceleração dos preços da habitação superior à verificada no país (mais 0,2 pontos percentuais), incluindo o Algarve (mais 2,4 pontos percentuais) e a Área Metropolitana do Porto (mais 1,0 pontos percentuais).
Ainda assim, em treze sub-regiões houve uma desaceleração dos preços, nomeadamente, na Região Autónoma da Madeira (menos 8,5 pontos percentuais) e na Área Metropolitana de Lisboa (menos 1,0 pontos percentuais).
Tendo como referência os 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, o Porto registou a maior taxa de variação homóloga, designadamente 21,2%, no quarto trimestre de 2020.
A relação entre os valores da avaliação realizada pelos bancos para o crédito à habitação e os preços de habitação sugere menores valores relativos da avaliação nos municípios com preços medianos superiores a 960 euros por metro quadrado, adianta o INE.







