Portugal continental prepara-se para um agravamento do estado do tempo esta quarta-feira, devido à passagem de uma frente atlântica associada à depressão que poderá vir a ser nomeada como Tempestade Pedro. Apesar de não se prever um impacto direto da tempestade no território nacional, a frente fria associada deverá provocar períodos de chuva localmente intensa, vento forte e agitação marítima significativa.
Segundo as previsões do portal especializado LusoMeteo, a depressão deverá atingir uma pressão mínima central próxima dos 980 hPa, afetando sobretudo o Norte de Espanha e o Oeste de França com ventos mais intensos. Em Portugal, os efeitos serão indiretos, mas suficientemente relevantes para justificar acompanhamento atento, sobretudo nas regiões Norte e Centro.
A frente fria deverá atravessar o território continental durante a manhã e início da tarde, trazendo céu geralmente muito nublado, com abertas a surgirem gradualmente de Norte para Sul a partir da tarde. Durante a manhã, são esperados nevoeiros nas zonas montanhosas.
Prevê-se ocorrência de períodos de chuva que passarão gradualmente a regime de aguaceiros a partir do final da manhã, podendo ser temporariamente fortes no Norte e Centro. A precipitação será acompanhada por uma entrada de ar mais frio após a passagem da frente, o que fará descer as temperaturas ao longo do dia. De acordo com o cenário previsto, a temperatura máxima deverá ser registada entre as 9h e as 12h, verificando-se depois um arrefecimento progressivo.
A queda de neve deverá ocorrer nos pontos mais altos da Serra da Estrela, com a cota a descer para os 1000 a 1200 metros a partir do meio da tarde, numa fase em que a precipitação tenderá a diminuir.
Rajadas até 90 km/h nas terras altas
O vento soprará moderado de sudoeste, entre 25 e 35 km/h, mas será mais intenso nas terras altas do Norte e Centro, onde poderá atingir 40 a 45 km/h, com rajadas que podem chegar aos 90 km/h até ao final da tarde. No litoral, as rajadas poderão variar entre 55 e 65 km/h.
A agitação marítima também deverá aumentar ao longo do dia. Na Costa Ocidental são esperadas ondas entre 2 e 3 metros, podendo subir para 4 a 5 metros a norte do Cabo Mondego a partir do final da manhã. A temperatura da água do mar deverá situar-se entre os 13 e os 14ºC. Já na Costa Sul do Algarve, a ondulação deverá manter-se inferior a 1 metro, com a água a rondar os 15ºC.
A humidade acumulada continua a gerar preocupação, especialmente depois de, na segunda-feira, alguns locais terem registado acumulados superiores a 80 litros por metro quadrado nas zonas montanhosas, provocando subida de caudais em vários rios a norte do sistema Montejunto-Estrela. As autoridades recomendam monitorização atenta da evolução da situação para prevenir eventuais riscos.
Açores e Madeira com cenário distinto
Nos Açores, o estado do tempo será relativamente mais estável durante a manhã, com períodos de céu nublado e boas abertas, embora as ilhas do Grupo Ocidental possam registar aumento de nebulosidade a partir da tarde, com possibilidade de chuva fraca. Não se excluem aguaceiros ocasionais nas restantes ilhas. O vento será fraco, entre 10 e 15 km/h, tornando-se mais intenso de sul/sudoeste nas ilhas ocidentais a partir do meio da tarde, podendo atingir 30 a 45 km/h, com rajadas até 65 km/h. As ondas deverão situar-se entre 2 e 3 metros, com a água do mar a cerca de 16ºC.
Na Madeira, prevê-se céu muito nublado com boas abertas nas encostas sul da ilha, sobretudo até meio da tarde. Ao final do dia, o céu deverá apresentar-se mais encoberto nas vertentes norte e zonas montanhosas, onde poderão ocorrer aguaceiros fracos. O vento será fraco, inferior a 20 km/h, em geral de norte, sem alterações significativas das temperaturas. A ondulação deverá manter-se abaixo dos 2 metros, com a água do mar a cerca de 18ºC.
Anticiclone deverá estabilizar o tempo nos próximos dias
Esta frente poderá ser uma das últimas antes do reforço do anticiclone no Atlântico, que deverá trazer alguns dias de maior estabilidade e subida das temperaturas no território continental. Nos Açores, essa estabilidade poderá ser temporária, com tendência para nova aproximação de baixas pressões atlânticas, enquanto na Madeira o anticiclone deverá manter-se dominante.
Para já, esta quarta-feira será marcada por chuva, vento forte, descida das temperaturas e possibilidade de neve nas cotas mais elevadas, num cenário típico de inverno atlântico que exige precaução, sobretudo nas regiões mais expostas ao vento e à agitação marítima.












