Inquérito revela: Cidadãos da UE confiam mais nos governos locais do que nos nacionais ou europeus

Os cidadãos da União Europeia confiam mais nas autoridades locais e regionais do que nos governos nacionais ou nas próprias instituições europeias.

Executive Digest
Fevereiro 18, 2026
8:00

Os cidadãos da União Europeia confiam mais nas autoridades locais e regionais do que nos governos nacionais ou nas próprias instituições europeias. A conclusão resulta da mais recente edição do inquérito eletrónico “Living and Working in the EU”, conduzido pela Eurofound, que ouviu cerca de 27 mil pessoas nos 27 Estados-membros.

Num contexto marcado pela desinformação online e por um ambiente político volátil, o estudo revela disparidades profundas nos níveis de confiança nas instituições públicas, tanto a nível local como nacional e europeu.



Os inquiridos foram convidados a atribuir uma pontuação de 0 a 10 a diferentes instituições, sendo 10 o nível máximo de confiança. Em média, nenhuma das entidades avaliadas conseguiu ultrapassar os seis pontos à escala da União Europeia.

Ainda assim, as instituições locais e regionais registaram o melhor desempenho, com uma média de 4,8 pontos. Seguem-se as instituições da União Europeia, com 4,5 pontos, enquanto os governos nacionais ficaram claramente atrás, com apenas 3,6 pontos.

Dinamarca, Luxemburgo e Áustria destacam-se como os países onde os cidadãos demonstram maior apreço pelos seus representantes locais, com classificações superiores a seis pontos.

Hungria lidera confiança na UE, França e Grécia no fim da tabela

No que diz respeito à confiança nas instituições europeias, a Dinamarca, Malta e Hungria surgem no topo, todas com 5,9 pontos. Em contraste, França e Grécia registam os níveis mais baixos, com apenas 3,7 pontos.

Estes dados evidenciam diferenças significativas na perceção do papel da União Europeia entre os Estados-membros, num período em que as instituições comunitárias enfrentam desafios políticos e económicos complexos.

Polícia lidera ranking de confiança, redes sociais no último lugar

O inquérito da Eurofound avaliou também a confiança nos meios de comunicação social, nas redes sociais e em serviços públicos como saúde, polícia e sistemas de pensões.

A polícia surge como a instituição com melhor classificação global, atingindo 5,9 pontos. Logo atrás está o sistema de saúde, com 5,7 pontos. Este último obteve resultados particularmente elevados em Espanha (6,6), Bélgica (6,5), Dinamarca (7,1), Luxemburgo (7,1) e Malta (6,8).

Já os sistemas de pensões apresentam uma média mais modesta de 4,4 pontos.

Os meios de comunicação social obtêm uma média de apenas 4 pontos em 10, com valores especialmente baixos nos Balcãs — destacando-se a Grécia (2,2) e a Bulgária (2,9).

Ainda pior posicionadas estão as redes sociais, que registam uma média europeia de 3,2 pontos, não alcançando sequer os quatro pontos em nenhum dos países analisados.

Reino Unido e França com níveis críticos de confiança

O retrato traçado pela Edelman, através do seu “Trust Barometer 2026”, reforça esta tendência, abrangendo tanto países da UE como fora do bloco, incluindo o Reino Unido.

No caso britânico, apenas 36% dos inquiridos afirmam confiar que as autoridades “façam o que está certo”. A comunicação social regista uma confiança ligeiramente superior (39%). As organizações não-governamentais recolhem 50% de confiança, abaixo das empresas (51%) e muito aquém dos empregadores, que atingem 75%.

A situação em França é ainda mais crítica. O governo francês apresenta o nível de confiança mais baixo entre todos os países analisados pelo barómetro da Edelman, ficando apenas atrás da África do Sul. Apenas 30% dos inquiridos afirmam confiar que o executivo “faça o que está certo”, o que representa uma descida de sete pontos face ao ano anterior, num contexto marcado por sucessivas crises políticas entre 2024 e 2025.

Principais economias europeias sem maioria confiante

Entre as maiores economias europeias — França, Itália, Alemanha, Espanha e Reino Unido — nenhuma regista uma maioria de cidadãos confiantes nos respetivos governos.

Além disso, o Edelman Trust Barometer indica que, nos últimos cinco anos, a confiança global nos líderes dos governos nacionais caiu 16 pontos, refletindo um cenário geopolítico cada vez mais instável.

Alemanha contraria tendência de queda

A Alemanha parece, no entanto, contrariar parcialmente esta tendência. Apesar da demissão antecipada do chanceler Olaf Scholz no ano passado, os líderes políticos nacionais registaram uma subida de sete pontos na confiança em comparação com o ano anterior.

O conjunto dos dados sugere que, embora exista uma erosão generalizada da confiança nas estruturas políticas nacionais, as instituições mais próximas dos cidadãos — como autoridades locais e serviços públicos — continuam a beneficiar de maior credibilidade.

Num período marcado por desafios económicos, tensões geopolíticas e transformação digital, os resultados apontam para uma fragmentação da confiança institucional na Europa, com implicações diretas para a estabilidade democrática e a governação no espaço europeu.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.