A Thales Bélgica, fabricante de armamento aliado da NATO, emitiu um alerta devido ao aumento significativo de drones não identificados sobrevoando as suas instalações de alta segurança. A situação levantou preocupações sobre a vulnerabilidade de infraestruturas críticas e os riscos de interrupção na cadeia de abastecimento, bem como debates internos sobre a necessidade de clarificação sobre como reagir a estas ameaças, incluindo a possibilidade de os abater.
Nos últimos meses, várias nações membros da NATO registaram um aumento de voos inexplicáveis de drones, sobretudo sobre áreas sensíveis, incluindo aeroportos — alguns dos quais chegaram a ser encerrados — e instalações militares. Este fenómeno intensificou as tensões no flanco oriental da aliança e motivou apelos internos para o desenvolvimento rápido de sistemas mais eficazes de deteção, rastreamento e interceção de veículos aéreos não tripulados (UAVs) que violem o espaço aéreo europeu.
O aviso da Thales Bélgica sublinha a dimensão do problema também no setor privado e os potenciais impactos em cadeias de fornecimento críticas para aliados da NATO.
Em 2024, a Thales Bélgica reforçou a produção de um míssil de calibre 70 mm guiado por laser, padrão NATO, atualmente utilizado na Ucrânia para resistência à invasão russa. Alain Quevrin, diretor nacional da Thales Bélgica, revelou ao Politico Europe que “estamos a ver mais drones do que há alguns meses atrás” e sublinhou a preocupação crescente com este fenómeno.
A instalação afetada situa-se em Évegnée Fort, na região oriental de Liège, a única em território belga autorizada para montagem e armazenamento de explosivos para estes mísseis.
Quevrin explicou que a empresa está a investir fortemente para duplicar a capacidade de produção dos foguetes FZ275 — guiados e não guiados — para 70.000 unidades nos próximos anos. Contudo, a segurança destas operações está ameaçada pelos sobrevoos não autorizados.
A Thales implementou sistemas de deteção de drones em todas as suas instalações, mas a utilização de “jammers” ou outros meios para derrubar UAVs enfrenta restrições legais, devido ao risco de queda de detritos que possa provocar danos humanos ou materiais. “Não nos é permitido — legalmente”, afirmou Quevrin. “O processo precisa de ser clarificado.”
A NATO lançou a 12 de setembro o plano “Eastern Sentry”, visando reforçar a defesa, sobretudo no flanco leste europeu, face a ameaças como estas.
O ministro da Defesa da Bélgica, Theo Francken, declarou à estação VRT a 6 de outubro: “Perdemos demasiado tempo. É por isso que devemos acelerar os nossos esforços; a situação é urgente. Não estamos em guerra, mas estamos numa crise militar. A ameaça está a tornar-se cada vez mais aguda.”
Do mesmo modo, o ministro da Defesa da Dinamarca, Troels Lund Poulsen, afirmou em conferência de imprensa a 25 de setembro: “Há países ou atores com interesse em minar o apoio à Ucrânia. É importante não nos deixarmos intimidar por isso.”
Peter Hummelgaard, ministro da Justiça dinamarquês, acrescentou: “Os ataques que temos visto nos últimos dias são parte de uma série de episódios profundamente preocupantes em toda a Europa. Isto conta uma história muito séria sobre o tipo de tempos em que vivemos.”
Embora grande parte da especulação nos países da NATO tenha apontado para a Rússia como possível responsável pelos sobrevoos, Moscovo negou qualquer envolvimento. O presidente russo, Vladimir Putin, descreveu as suspeitas ocidentais como “absurdas”, acusando-as de desviar a atenção de problemas internos.














