Europass: Distinguir-se dos outros

O desafio está hoje na possibilidade de o candidato dar uma contribuição específica, ou seja, demonstrar vantagens no seu recrutamento.

Executive Digest

Catarina Oliveira, coordenadora do Centro Nacional Europass, explica à Executive Digest que o importante é o candidato desenvolver o seu CV de forma apelativa para o empregador, focando-se, essencialmente, nas experiências profissionais que estejam mais relacionadas com o posto de trabalho a que se candidata.

O que é que a plataforma Europass aporta de novo ao mercado do emprego?



A nova plataforma veio revolucionar o Europass. O website, para além de disponibilizar modelos editáveis de CV e cartas de apresentação (deixando de existir o modelo estandardizado), também permite pesquisar oportunidades de formação ou emprego na Europa. Assim sendo, o Europass disponibiliza informações fiáveis a quem pretende estudar e trabalhar em diferentes países europeus, fornecendo ligações a fontes europeias e nacionais. Desta forma, ajuda a encontrar cursos e empregos adequados ao perfil do candidato e a obter orientação e apoio quando for necessário validar e reconhecer as qualificações.

Como é que o Europass ajuda os candidatos na procura de empregos?

Com a nova plataforma, o Europass funciona como facilitador na procura de emprego na Europa. A plataforma Europass disponibiliza um conjunto de oportunidades de emprego, a nível nacional e europeu. Para tal, o candidato deve consultar o site Europass – Trabalhar na Europa – e fazer uma pesquisa pela área de trabalho. Ser-lhe-ão apresentadas todas as oportunidades existentes na Europa. Os resultados da pesquisa são fornecidos pela rede europeia de serviços de emprego (Eures).

Que estratégias podem os candidatos adoptar para melhor apresentarem e destacarem as competências mais pessoais e sociais nos CV (que evite ao cliché do responsável, trabalho bem em equipa)?

Num contexto socioeconómico radicalmente diverso, o desafio está hoje na possibilidade de o candidato dar uma contribuição específica, demonstrando que a sua performance profissional resulta em benefícios para o stakeholder, ou seja, demonstrar vantagens no seu recrutamento. As tradicionais competências transversais/soft skills já são consideradas clichés, pois foram termos que se tornaram banalizados frequentemente utilizados/apresentados em todos os CV. Este novo período exigirá não só um diferente mindset mas, também, um novo skillset – é necessário criar uma nova caixa de ferramentas constituída por competências de uma complexidade cognitiva acrescida, sobretudo no domínio das soft skills – pensamento crítico e complexo; f lexibilidade cognitiva e inteligência emocional, demonstrando que estão preparados para o imprevisto e que têm capacidade de decisão, mesmo perante as adversidades. Estas serão as soft skills mais procuradas pelos empregadores.

Com as redes sociais, o CV tradicional tem os dias contados?

Neste momento estamos numa fase de transição a todos os níveis: não sabemos o que o futuro nos reserva e, em particular, o mercado de trabalho. Todavia, creio que irão co-existir vários modelos, entre o tradicional e um modelo para a nova geração. É importante os jovens estarem preparados para os diferentes empregadores. As redes sociais, os pitch, os CV vídeos já existem há vários anos, no entanto, na minha perspectiva, têm funções diferentes. As redes sociais acabam por ser um complemento ao CV pois servem para promover o candidato e facilitar a análise do empregador.

Qual a importância de uma carta de apresentação numa candidatura a uma posição? O que deve conter essa carta?

Quem quer entrar no mercado de trabalho tem de se destacar dos restantes candidatos para conseguir atingir o seu objectivo: o emprego desejado. Juntamente com o CV, é indispensável adicionar uma carta de apresentação. Uma carta de apresentação é uma descrição das intenções e objectivos do candidato a esse posto de trabalho. A maior vantagem em escrever uma carta de apresentação é poder distinguir-se dos outros. Assim, deve ser escrita pelo próprio; mostrar o interesse que tem na posição a que se está a candidatar; destacar as conquistas e qualidades que o fazem ser o candidato ideal à posição (não deve ser uma cópia do CV). Personalizar a carta e encorajar o leitor a analisar o CV, mostrando que conhece a empresa onde quer trabalhar e como é que a experiência do candidato pode ser útil para a posição destacada. É importante ter atenção à linguagem utilizada, aos erros de ortografia, frases sem nexo e tempos verbais mal utilizados.

Para uma empresa, quais as vantagens de receber CV Europass em comparação com outros CV?

Para as empresas, cujo recrutamento é em massa, este modelo é vantajoso porque:

  • Permite ao empregador analisar, comparar e seleccionar facilmente todos os CV recebidos, uma vez que se sabe onde se localiza a informação que se pretende obter do candidato, ou seja, não se perde tempo à procura de informação, que muitas vezes não consta no CV;
  • A criação da plataforma Europass permite ao empregador enviar todos os CV Europass recebidos. A própria plataforma consegue converter toda a informação contida nos CV para uma base de dados Excel, facilitando assim ao empregador a análise da informação recebida por sessão.

O CV Europass faz sentido em todas as fases da vida de um profissional ou apenas em início de carreira?

O CV Europass é ajustável em qualquer situação. Por um lado, é um instrumento bastante facilitador para quem inicia uma carreira, visto ajudar passo-a- -passo na construção de um modelo de CV; por outro lado também é produtivo em situações tais como, a progressão na carreira ou a mudança de trabalho. Neste último caso, é importante que o candidato desenvolva o seu CV de forma apelativa para o empregador, focando-se, essencialmente, nas suas experiências profissionais que estejam mais relacionadas com o posto de trabalho a que se candidata.

Quais as vantagens das credenciais digitais Europass?

O sistema de credenciais digitais Europass é gerido pela Comissão Europeia e é gratuito e seguro. Trata-se de um ficheiro digital emitido pela instituição onde o candidato estudou, descrevendo a qualificação que obteve, bem como informações sobre disciplinas, notas, projectos e outras realizações.

Este sistema vai permitir ao jovem partilhar as suas credenciais digitais Europass com empregadores, estabelecimentos de ensino e formação ou outras organizações que solicitem informações sobre as qualificações que o candidato possui. Ao receber a credencial digital Europass é possível comprovar automaticamente que a qualificação é verdadeira e, simultaneamente, permite às organizações compreender melhor as competências e experiências. No entanto, é necessário que o candidato se certifique que conhece a identidade daqueles com quem partilha as credenciais.

Desde a criação do Europass, quantos candidatos já passaram pela iniciativa? Quantos deles são portugueses?

O Europass surgiu em 2005 sendo um modelo transversal a toda a Europa. De acordo com as estatísticas da Comissão Europeia, em 15 anos atingimos 100 milhões de utilizadores, o que demonstra que é um programa de muito sucesso. Em Portugal estivemos em 1.º lugar no ranking europeu da utilização do CV, de 2009 a 2017, revelando que os empregadores procuravam sobretudo este modelo.

No ano passado – 2019 – tivemos aproximadamente três milhões e 200 mil CV feitos por cidadãos portugueses. Parte são para candidaturas a entidades empregadoras/recrutamento nacionais, outras europeias. Estes números permitiram a Portugal continuar a manter a 2.ª posição no ranking europeu.

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