Esta é a “Trindade Maldita” que vai sufocar o Ocidente com mais inflação

O Ocidente encontra-se a lutar em três frentes simultâneas — combater a China, enfrentar as alterações climáticas e conter a Rússia — numa espécie de “Trindade Impossível” que pode resultar em elevados custos e uma inflação duradoura.

Executive Digest

O Ocidente encontra-se a lutar em três frentes simultâneas — combater a China, enfrentar as alterações climáticas e conter a Rússia — numa espécie de “Trindade Impossível” que pode resultar em elevados custos e uma inflação duradoura.

De acordo com um recente relatório da BCA Research, liderado pelo estrategista Marko Papic, a combinação destes três desafios globais representa um “trilema” que está a forçar os governos ocidentais a tomar decisões complexas, muitas vezes contraditórias e de longo prazo.



Com a crescente tensão geopolítica e a redefinição das relações internacionais, as economias ocidentais, em especial os Estados Unidos e a União Europeia, tentam diminuir a sua dependência da China, implementar a transição energética e desafiar a influência russa. No entanto, cada uma destas prioridades está fortemente interligada e exige grandes investimentos e matérias-primas, o que pode ter efeitos colaterais inesperados, conta o ‘elEconomista’.

A preocupação com a redução da dependência da China, por exemplo, está a colidir com a realidade de que, ao longo dos últimos 20 anos, a China dominou a produção de recursos essenciais, como o lítio e o cobalto. A tentativa de realocar essas cadeias de abastecimento é não só dispendiosa, mas também arrisca criar instabilidade nos mercados de minerais estratégicos.

Paralelamente, a transição para uma economia verde, visando a redução das emissões de carbono, exige grandes quantidades de materiais como cobre e níquel, recursos que são, em grande parte, controlados pela China. Este cenário está a gerar uma pressão crescente sobre os preços desses materiais, dificultando ainda mais a viabilidade da transição energética.

A terceira parte do “trilema” é a Rússia, que, após a invasão da Ucrânia em 2022, passou a ser vista como um inimigo direto do Ocidente. Embora o comércio entre a Rússia e o Ocidente tenha diminuído drasticamente, a BCA Research alerta para os riscos associados à instabilidade política interna da Rússia, que pode afetar o fornecimento de matérias-primas essenciais, como o níquel, vital para a produção de veículos elétricos.

O Ocidente, portanto, encontra-se numa posição difícil, onde os objetivos de reduzir a dependência de Pequim, combater as alterações climáticas e pressionar Moscovo estão a levar a uma inflação crescente, o aumento dos custos de produção e um cenário económico mais instável. A solução não parece ser abandonar qualquer uma das frentes, mas ajustar as estratégias de forma a mitigar os impactos económicos e geopolíticos a longo prazo.

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