Especialistas alertam: se vir isto no rótulo, não compre o azeite no supermercado

Há um detalhe em muitos rótulos de azeite que escapa à maioria dos consumidores, mas que os especialistas dizem ser motivo suficiente para não levar o produto para casa. Com dezenas de marcas e promessas de qualidade nas prateleiras, escolher um bom azeite no supermercado pode ser mais difícil do que parece. Certas expressões e ausências de informação nos rótulos escondem truques de marketing e indícios de que o produto pode não ser genuíno.

Pedro Gonçalves
Novembro 2, 2025
12:00

Há um detalhe em muitos rótulos de azeite que escapa à maioria dos consumidores, mas que os especialistas dizem ser motivo suficiente para não levar o produto para casa. Com dezenas de marcas e promessas de qualidade nas prateleiras, escolher um bom azeite no supermercado pode ser mais difícil do que parece. Certas expressões e ausências de informação nos rótulos escondem truques de marketing e indícios de que o produto pode não ser genuíno.

De acordo com especialistas citados pelo portal norte-americano Epicurious, a primeira regra é simples: nunca comprar uma garrafa que mencione apenas “azeite”, sem a designação “virgem extra”. Isso é sinal de que o produto pode ter sido refinado, perdendo sabor, aroma e as propriedades antioxidantes que caracterizam o verdadeiro azeite virgem extra.

Termos como “light”, “azeite puro” ou “mistura de azeites” são também considerados alertas. Apesar de parecerem apelos à pureza ou leveza, na prática significam misturas com óleos de qualidade inferior ou produtos submetidos a processos industriais que reduzem o seu valor nutricional.

O que o rótulo pode esconder
Outro detalhe muitas vezes ignorado é a data de colheita das azeitonas. Um azeite de qualidade deve indicar quando as azeitonas foram colhidas — e não apenas a data de validade. Sem essa informação, o consumidor não consegue avaliar a frescura do produto, um fator crucial, já que o azeite perde propriedades com o tempo.

A origem é outro aspeto fundamental. Expressões genéricas como “mistura de azeites da União Europeia” escondem frequentemente a falta de controlo sobre o processo de extração e mistura de produtos de vários países. Um bom azeite deve identificar claramente o país, a região e, idealmente, o produtor.

Além disso, especialistas e publicações especializadas recomendam dar preferência a azeites com certificação DOP (Denominação de Origem Protegida) ou IGP (Indicação Geográfica Protegida). Estes selos garantem que o produto segue regras rigorosas de produção, extração e controlo de qualidade, auditadas por entidades independentes.

Embalagem e conservação fazem toda a diferença
Nem só o rótulo importa. O tipo de embalagem também revela muito sobre o cuidado do produtor. As garrafas escuras ou metálicas são as mais indicadas, pois protegem o azeite da luz, que acelera a oxidação e degradação do produto. Por outro lado, as garrafas transparentes expostas à iluminação direta nas prateleiras dos supermercados devem ser evitadas.

A tampa também merece atenção. Se estiver mal selada ou com resíduos, pode indicar contacto com o ar, o que altera o sabor e o valor nutricional. Mesmo o melhor azeite perde qualidade se for armazenado em locais quentes ou exposto à luz. Os especialistas recomendam guardá-lo em locais frescos, secos e protegidos do calor.

O preço pode denunciar fraude
Outro fator a não ignorar é o preço. Um azeite virgem extra de qualidade exige custos significativos de produção — desde a colheita manual das azeitonas até à extração a frio e ao armazenamento adequado. Preços demasiado baixos são, muitas vezes, sinal de mistura com óleos de outra origem ou de qualidade inferior.

A fraude no setor do azeite é um problema reconhecido em vários países europeus. A União Europeia já registou casos de rotulagem enganosa e falsos “virgens extra”, motivo pelo qual a vigilância tem sido reforçada. No entanto, o consumidor continua a ser “a primeira linha de defesa”, sublinham os especialistas.

Como garantir uma escolha segura
De acordo com a Comissão Europeia, bastam dez segundos para fazer uma escolha informada: confirmar a categoria “virgem extra” no rótulo, verificar se a acidez é igual ou inferior a 0,8% e escolher uma embalagem opaca e bem fechada. Cumprindo estes três critérios, é quase certo que o consumidor está a comprar um azeite autêntico.

Antes de colocar a garrafa no carrinho, recomenda-se ainda confirmar a data de colheita, o país de origem e, sempre que possível, optar por marcas com certificação reconhecida. Expressões vagas como “light” ou “pure” devem ser descartadas.

O azeite virgem extra é uma das bases da dieta mediterrânica e reconhecido pelos seus benefícios para a saúde: é rico em antioxidantes, ajuda a proteger o coração e contribui para uma alimentação equilibrada. Contudo, essas vantagens só se mantêm quando o produto é genuíno e bem conservado.

Da próxima vez que for ao supermercado, olhe duas vezes para o rótulo. O que parece apenas um detalhe pode ser o que separa um azeite verdadeiro de um produto de qualidade duvidosa — e a diferença está, muitas vezes, à vista de quem sabe ler.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.