O Ikea avisou esta semana que a escassez de produtos, já sentida pelos clientes em muitas das suas lojas vai continuar em 2022.
O grupo sueco acredita que os problemas na cadeia de abastecimento vão prevalecer até meados do próximo.
“Neste momento o grande desafio é conseguir que os produtos cheguem da China, onde a capacidade de oferta é bastante limitada”, explicou o CEO da gigante do retalho, Jon Abrahamsson Ring.
“Acho que não estamos fora de perigo”, diz o CEO. Durante a primeira parte de 2022, esses problemas podem persistir na oferta de determinados produtos e sua distribuição para que cheguem ao consumidor final. “Este é um grande desafio para toda a estrutura de abastecimento.”
A crise dos contentores veio abalar a cadeia de abastecimento mundial. Atualmente, 90% das mercadorias do mundo são transportadas por mar, dos quais 60% são alimentos, eletrodomésticos e outros bens, os restantes 40% são matérias-primas, necessárias para o bom funcionamento de vários setores industrial, segundo os dados da OCDE.
No total, e tendo em conta as informações da mesma organização, esta crise pode afetar um universo de bens avaliado em 14 biliões de dólares (12,1 biliões de euros), de acordo com a análise do Statista Research Department.
O desequilíbrio entre a oferta e a procura no setor do transporte marítimo veio para ficar durante mais algum tempo e Portugal não foge à crise. Para Belmar da Costa, o diretor executivo da Agepor, a associação que representa os agentes de navegação em Portugal, entrevistado pelo Público, “ainda vai demorar muitos meses, nunca menos de um ano, para a situação se começar a equilibrar”.
Para além da escassez de contentores, faltam navios
o setor “dá de caras” com a falta dos próprios navios, especializados neste tipo de transporte, os chamados porta-contentores, avança o Financial Times (FT).
O setor alerta para o facto de, apesar de já terem sido encomendados vários navios, tudo levar a crer, que tendo em conta a procura em massa por novos porta-contentores, as empresas enfrentarão “anos tensos”, com falta de meios, para cumprir os prazos previstos.
Para Xavier Destriau, CFO do Zim de Israel, um dos maiores grupos de transporte marítimo do mundo, a escassez de navios é “uma grande ameaça”, para as empresas e para a sua segurança, já que muitos porta-contentores que deviam ter ido “para a sucata, continuam a operar, de forma a satisfazer a procura”.
“Estamos a sentir que nos próximos três, quatro, ou até mesmo cinco anos, a falta de navios vai afetar-nos profundamente”. O alarme de Destriau foi ecoado por Ando Case, CEO da Clarksons, a maior consultora ligada ao transporte marítimo do mundo: “o número de estaleiros em todo o globo caiu em pelo menos dois terços desde 2007, para cerca de 115 instalações”.
Segundo Case, estes estaleiros são inundados por um dilúvio de encomendas, “tendo arrecadado um lucro sem precedentes, durante todo o ano de 2020 e o primeiro semestre de 2021”-
O executivo explicou, em entrevista ao FT, que a procura por mercadorias disparou partir do segundo semestre do ano passado.
Este problema é exatamente o oposto do que foi vivido na última década pelas empresas de transporte marítimo, cuja a rentabilidade, durante estes anos, definhou devido ao excesso de navios e à fraca procura pelos mesmos. Grandes companhias como a Hanjin da Coreia do Sul foram obrigadas a restruturar-se.
Por outro lado, as empresas fogem à armação de porta contentores movidos a GNL, um combustível verde. Neste semestre, segundo o FT, a Maersk evitou comprar este tipo de porta-contentores, argumentando que “ainda paira muita incerteza no mercado contra a regulamentação e o futuro tecnológico desta inovação”.




