O setor automóvel vive hoje um dinamismo fora do normal, com muitas novas marcas asiáticas e as tradicionais a reinventarem-se para a era da eletrificação.
Alguns consumidores mencionam que surge uma saturação estética com muitos destes novos automóveis a seguirem linhas estilísticas muito similares.
Depois, a filosofia dos SUV parece ter feito escola (e escala) e é neste cenário que surge o novo Mazda 6e, um modelo que não é apenas o sucessor espiritual do icónico 6 mas se posiciona para ser uma declaração de autenticidade face à concorrência, principalmente em termos visuais.
O Mazda 6e insere-se no segmento D e apresenta-se com uma silhueta liftback de cinco portas que funde a sofisticação de um executivo com a agressividade que se espera de um coupé. Para quem, como a Mazda sempre nos habituou a ser um construtor de bons automóveis, tanto na qualidade de construção como de materiais, na ergonomia, mas também no comportamento, este modelo vem revelar a tendência futura de estilo da marca. Pessoalmente, considero-a muito bem conseguida e imponente.
A “alma do movimento” foi desenhada por Jo Stenuit, diretor de Design da Mazda Europe e revela a evolução máxima da filosofia Kodo, com uma presença física imponente de 4,92 m de comprimento e uma distância entreixos de 2.89, que lhe confere postura atlética – e às vezes até de difícil entrada nalgumas garagens, dadas as suas dimensões – e possui detalhes como o spoiler traseiro, retrátil e adaptativo, uma nova assinatura LED que abandona o logótipo circular tradicional da marca e opta por uma tipografia minimalista. Tanto a dianteira como a traseira surgia agora totalmente iluminadas com uma assinatura luminosa horizontal.
Este Mazda é fabricado numa das mais avançadas fábricas chinesas, Nanjing, fruto da parceria que a marca estabeleceu com a Changan, mas que foi meticulosamente afinado no Centro de Investigação e Desenvolvimento da Mazda em Frankfurt. Esta “europeização” torna-se evidente em vários domínios, mas principalmente no comportamento dinâmico, onde alguns elétricos se sentem pesados e desligados e o 6e com a sua tração traseira oferece uma agilidade de nível superior.
Testei-o pouco em cidade, bastante em estradas nacionais e muito em autoestrada. Nas estradas nacionais onde andei e face aos impostos que pagamos, elas são lamentavelmente más. E não é culpa da chuva – sempre estiveram assim – mas permite ver que em automóveis destes a suspensão foi calibrada para este tipo de exigência destas estradas secundárias, onde equilibra a firmeza necessária com o controlo da carroçaria e estabilidade com o conforto esperado num estradista de luxos. Em automóveis mais antigos, estas estradas são claramente um fator de insegurança.
Parte do ensaio fiz em autoestrada, uma das vezes 345 km. E a maior proposta de valor do Mazda 6e reside na simbiose entre o hardware japonês e a inteligência artificial de última geração. Veja-se por exemplo, o sistema de infotainment assenta na moderna EPA1 (plataforma EV da Changan) garantindo respostas rápidas e um interface fluido, eliminando qualquer lag de informação nas transições de menus. A quantidade de informação existente surpreende por vários motivos – pela intuitividade do interface, pelas soluções de ergonomi e porque o o cockpit integra assistentes que aprendem as rotinas do utilizador antecipando definições com base no contexto ambiental e horário.
Em termos de segurança preditiva, baseia-se no sistema I-Activsens, com câmaras, radares milimétricos, 360º, travagem autónoma, monitorização do condutor, etc., o que lhe permite intervenções autónomas em frações de segundo. Segundo o diretor de design da Mazda Motor Europe, “este veículo representa o próximo capítulo do design da Mazda, elegante, limpo e emocionalmente poderoso, abraçando claramente a eletrificação”. Concordo!
Ao entrar no 6e somos recebidos por uma qualidade de construção que desafia o triunvirato alemão. Os materiais como o suede sintético no tablier e os bancos com memória exalam o luxo sustentável. A ergonomia, como sempre foi nos Mazda, é irrepreensível. Aqui o condutor sente-se parte do carro numa posição de condução baixa e envolvente com a generosa distância entre-eixos que possui. Encontramos um espaço enorme para as pernas nos bancos traseiros. O frunk possui cerca de 70 L, que complementam os 337 L da bagageira traseira.
O silêncio a bordo só é perturbado pelo sistema de som premium da Sony e o comportamento mostra porque todos nos recordamos do saudoso MX5. O Mazda 6e tem quanto a mim como público alvo o profissional liberal, adepto e entusiasta de tecnologia, que recusa a estética dos SUVs e gosta de ousadia. Diria que os seus principais rivais são o Tesla Model 3, o BMW i4 e mesmo o Volkswagn ID7.
Este modelo representa emoção visual e refinamento. É o primeiro automóvel da marca com a enorme responsabilidade de ser a potencial alternativa dos novos consumidores que tradicionalmente iam para as marcas premium europeias, mas com uma assinatura e qualidade que prova que eletrificação não tem de ser o fim do prazer de condução. Nota-se maturidade, uma estética que faz virar cabeças e uma tecnologia que nos mantém ligados ao futuro (o sistema de head up display é simples, mas parametrizável para inclusão de mais funcionalidades). Possui uma garantia de 5 anos para o veículo e de 8 anos ou 160.000 km para as baterias. A versão ensaiada possuía 245 cavalos long range com o nível de equipamento Takumi Plus.
As baterias, integradas na estrutura de segurança, utilizam duas químicas distintas conforme a versão. Na versão Standard (LFP – Lítio Ferro Fosfato): 68.8 kWh | Autonomia WLTP: ~480 km e na Versão Long Range (NCM – Níquel Cobalto Manganês): 80 kWh | Autonomia WLTP: ~560 km. Focada na máxima eficiência para longas distâncias. Uma nota final sobre a autonomia. Quando levantei o 6e tinha 9 km, fiz 345 km em autoestrada e sobraram 27% de autonomia. Na teoria, teria teria sido possível fazer 473 km numa condução totalmente despreocupada. Mas tenho a noção que consigo chegar aos 500 km. Nos modos de condução, nunca optei pelo modo eco, nem pelo sport, mas sim pelo confort.
Em resumo, temos um produto que excede em muito o que a Mazda se tinha posicionado há uns anos. Veio para abanar o mercado.
Nota Editorial: A review deste automóvel é criada pelo Jorge Farromba, original e rigorosamente suportada por fontes oficiais da marca e documentação técnica verificável, incluindo press releases e dados de apresentações internacionais recentes. Este artigo integra dados reais e factuais resultantes de ensaios dinâmicos que privilegiam a autenticidade e a factualidade em ambiente real.
























