Energia do futuro pode vir do mar: nova descoberta cria hidrogénio com luz solar

Investigadores da Universidade de Sydney desenvolveram um sistema inovador que permite produzir hidrogénio limpo utilizando água do mar e luz solar

Francisco Laranjeira

A água salgada, que cobre cerca de 70% da superfície terrestre e representa aproximadamente 97% da hidrosfera, pode estar prestes a ganhar um novo papel na transição energética global.

Investigadores da Universidade de Sydney desenvolveram um sistema inovador que permite produzir hidrogénio limpo utilizando água do mar e luz solar, abrindo caminho a uma alternativa potencial ao atual modelo energético.

O estudo, publicado na revista científica ‘Nature Communications’, propõe uma solução para dois dos principais desafios da produção de hidrogénio: o elevado consumo de energia e a necessidade de água purificada.

Gálio é a chave para gerar energia limpa

O avanço científico assenta na utilização de gálio, um metal com baixo ponto de fusão que se torna líquido perto da temperatura ambiente.

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Segundo os investigadores, quando este material entra em contacto com a água e é exposto à luz solar, desencadeia uma reação química que liberta hidrogénio.

Este processo apresenta uma vantagem adicional: após a reação, o gálio pode ser recuperado e reutilizado, permitindo ciclos sucessivos de produção.

Hidrogénio verde com água do mar: um passo decisivo

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A possibilidade de utilizar água salgada — abundante e facilmente acessível — representa uma mudança significativa face aos métodos tradicionais, que exigem água doce purificada.

“Temos agora uma forma de extrair hidrogénio de forma sustentável usando água do mar, dependendo apenas da luz”, explicou o investigador principal, Luis Campos.

A descoberta reforça o potencial do hidrogénio como uma das principais fontes de energia do futuro, sobretudo no contexto da descarbonização global.

Resultados promissores, mas ainda longe da aplicação comercial

Apesar do avanço, o sistema apresenta ainda limitações. A eficiência máxima registada nos testes foi de 12,9%, um valor considerado promissor em laboratório, mas insuficiente para aplicação em larga escala.

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Ainda assim, os investigadores sublinham que se trata de um passo relevante que poderá acelerar o desenvolvimento de soluções mais eficientes.

Austrália pode liderar nova economia do hidrogénio

Caso a tecnologia evolua, esta descoberta poderá colocar a Austrália na linha da frente de uma futura economia global baseada no hidrogénio.

Num cenário em que a procura por energias limpas continua a crescer, soluções que utilizem recursos abundantes e reduzam custos energéticos poderão transformar o setor.

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