As empresas perspetivam aumentar em 1,1% as exportações de bens este ano, face a 2022, sobretudo devido ao acréscimo das vendas para os mercados da União Europeia, segundo um inquérito hoje divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
“As empresas perspetivam um acréscimo nominal de 1,1% nas suas exportações de bens em 2023, face ao ano anterior”, refere o INE, precisando que, “de acordo com as expectativas das empresas, este aumento é sustentado na previsão de acréscimo das exportações para os mercados intra-UE (+1,7%), dado que preveem uma diminuição de 0,3% para os países extra-UE”.
Por Grandes Categorias Económicas (CGCE), destacam-se as ‘máquinas, outros bens de capital (exceto o material de transporte) e seus acessórios’, com o maior acréscimo esperado das exportações em 2023 (+8,2%), e os ‘fornecimentos industriais não especificados noutra categoria’, com um decréscimo previsto de 1,1%.
Realizado em dezembro passado pelo INE, o ‘Inquérito sobre Perspetivas de Exportação de Bens (IPEB)’ é uma primeira previsão das empresas para a evolução esperada das suas exportações de bens em 2023.
Em maio será realizada uma nova edição deste inquérito para atualização das perspetivas das empresas relativas à exportação de bens para 2023, que corresponderá à segunda previsão para este ano e será divulgada a 28 de julho.
De acordo com o instituto estatístico, as expectativas das empresas para a evolução das suas exportações de bens em 2023 “diferem nos vários setores de atividade, verificando-se, em alguns casos, aumentos esperados em resultado de acréscimos de preços e, noutros, a redução decorrente da previsão de contração da procura e de paragens programadas ou descontinuidade de linhas de produção, em resposta às condições de mercado, às disrupções nas cadeias de valor global e aos aumentos nos custos dos fatores de produção”.
“A incerteza quanto à evolução dos preços é apontada pelas empresas como um fator que influencia de forma significativa as suas previsões de exportação de bens para 2023”, destaca.
Notando que “os resultados do IPEB, na medida em que se baseiam em perspetivas de crescimento, devem ser encarados como indicando tendências condicionais à informação disponível pelas empresas no período de resposta”, o INE refere que “a conjuntura atual de incerteza, espelhada nos resultados do indicador de clima económico recentemente publicado pelo INE, reflete bem a dificuldade manifestada pelas empresas na elaboração de uma perspetiva de evolução das exportações de bens para a globalidade do ano de 2023”.
“Assim, as perspetivas das empresas quanto às suas exportações de bens para 2023 poderão também refletir, em elevado grau, a incerteza quanto aos desenvolvimentos do enquadramento internacional, com impactos inesperados na procura e nos preços”, acrescenta.
Segundo o INE, “as opiniões das empresas, em especial as da indústria transformadora, quanto à procura global e em particular à procura externa (carteira de encomendas), considerando-se as empresas com produção orientada para o mercado externo, apresentaram valores na ordem dos -15 pontos percentuais ao longo da segunda metade do ano de 2022, e as empresas não esperam melhorias para o início do ano de 2023”.
O IPEB incide sobre uma amostra de empresas exportadoras de bens em atividade, localizadas em Portugal, que declararam valores de exportação nas estatísticas do Comércio Internacional de Bens (CI) no ano de 2021 superiores a 250.000 euros.
O inquérito foi realizado a um total de 3.293 empresas, que em 2021 representavam cerca de 90% das exportações de bens, e a taxa de resposta foi de 91%, correspondendo a 96% do valor exportado das empresas da amostra.




