Empresas enfrentam “era de complexidade sem precedentes”, aponta relatório

A aceleração da transição geopolítica global está a colocar as empresas perante um cenário de complexidade sem precedentes, com impacto direto no comércio, nos conflitos, nas finanças e na infraestrutura digital.

André Manuel Mendes
Fevereiro 26, 2026
9:52

A aceleração da transição geopolítica global está a colocar as empresas perante um cenário de complexidade sem precedentes, com impacto direto no comércio, nos conflitos, nas finanças e na infraestrutura digital.

O alerta é da Marsh, que aponta para o risco de paralisia decisória nas organizações que não integrem estas mudanças na sua estratégia de longo prazo.



De acordo com o mais recente Relatório de Risco Político da consultora, a reconfiguração da ordem global deverá intensificar-se nos próximos 12 meses. Apesar de anteciparem transformações profundas na geopolítica e na arquitetura económica mundial, muitos líderes empresariais continuam focados na volatilidade de curto prazo, sem dedicar tempo suficiente à avaliação estratégica dos impactos estruturais nas suas operações.

Segundo a análise, todas as empresas — independentemente da sua dimensão ou setor — deverão enfrentar pressões acrescidas nas cadeias de abastecimento físicas e digitais, bem como potenciais perturbações associadas a conflitos, tanto no plano físico como no digital. A crescente interferência política nas decisões económicas é outro dos fatores destacados.

A infraestrutura digital surge como um dos campos mais sensíveis desta nova realidade. Energia para centros de dados, construção, serviços em nuvem e comunicações por satélite estão a ser encarados pelos governos como ativos estratégicos, numa lógica de competição geopolítica associada à liderança da Indústria 4.0.

O relatório recomenda que as organizações avaliem de que forma as mudanças nas regras e normas da arquitetura global, historicamente moldada pelos Estados Unidos, poderão afetar os seus modelos de negócio. Esta análise deverá sustentar estratégias de gestão de risco de longo prazo, combinando instrumentos tradicionais de transferência de risco com o reforço ativo da resiliência operacional.

Entre as soluções apontadas estão os seguros de crédito, seguros de risco político e instrumentos de caução, que podem contribuir para a gestão do risco de crédito e da liquidez, estabilização do fluxo de caixa e proteção contra incumprimento de contrapartes ou impactos geopolíticos sobre investimentos.

Para Angela Duca, Global Head de Credit Specialties da Marsh Risk, “uma transição geopolítica acelerada está a dar início a uma era de elevada complexidade, nunca vista em décadas, ao mesmo tempo que cria oportunidades significativas que as empresas preparadas podem aproveitar para ajudar a transformar o surgimento de uma nova ordem mundial num poderoso veículo de oportunidade, diferenciação e expansão”.

A responsável acrescenta que uma perspetiva de liderança partilhada sobre as mudanças geopolíticas, quando integrada no planeamento estratégico e transversal a todas as áreas operacionais, pode proporcionar maior clareza e confiança para continuar a assumir riscos, investir e expandir o comércio num contexto desafiante, marcado pelo surgimento de novas alianças na arquitetura global.

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