Eficiência Energética: o fator decisivo da próxima década

Opinião de Thomas Sørensen, portfolio manager da Global Climate and Environment Strategy da Nordea Asset Management

Thomas SørensenThomas Sørensenportfolio manager da Global Climate and Environment Strategy da Nordea Asset ManagementVer todos os artigos
Thomas Sørensen
Thomas Sørensenportfolio manager da Global Climate and Environment Strategy da Nordea Asset ManagementAgosto 24, 2026 8:49

O mundo atravessa uma transformação profunda na forma como produz, distribui e consome energia. A dependência dos combustíveis fósseis continua a representar uma fragilidade geopolítica, a procura por eletricidade cresce rapidamente e o custo da energia tornou-se uma preocupação central para consumidores, empresas e governos.
A recente crise no Médio Oriente veio recordar uma realidade conhecida: depender de combustíveis fósseis concentrados em regiões politicamente instáveis expõe economias e empresas a riscos difíceis de controlar. Diversificar as fontes de energia é essencial, mas exige tempo. Até lá, mantém-se uma das verdades mais simples da transição energética: a energia mais barata continua a ser aquela que não é consumida.

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É por isso que a eficiência energética representa hoje uma das maiores oportunidades da próxima década. As tecnologias que permitem reduzir consumos e aumentar a produtividade energética já existem e estão a produzir resultados concretos.

Duas tendências ilustram bem esta transformação: a crescente necessidade de tornar a Inteligência Artificial (IA) mais eficiente do ponto de vista energético e a modernização das redes elétricas.

A corrida à IA começou por ser uma competição pela capaci­dade de processamento. Hoje, tornou-se também uma corrida pela eficiência energética. O crescimento acelerado dos centros de dados está a aumentar significativamente o consumo de ele­tricidade, tornando a capacidade de realizar mais operações com menor consumo energético um fator decisivo de competitividade.

Ao mesmo tempo, as redes elétricas enfrentam uma pressão sem precedentes. Durante décadas, o investimento nestas in­fraestruturas foi encarado sobretudo como manutenção. Hoje, a expansão dos centros de dados, a eletrificação dos transportes e da indústria e a reorganização das cadeias produtivas estão a aumentar significativamente a procura por eletricidade, tornando inevitável uma profunda modernização das redes.

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A IA, a eletrificação da economia e a transformação industrial convergem, assim, num mesmo desafio: utilizar a energia de forma mais eficiente. A modernização das redes elétricas dei­xou de ser apenas um investimento em infraestruturas para se tornar uma condição essencial para o crescimento económico, enquanto a eficiência energética passou a representar um fator de competitividade, segurança económica e resiliência.

Num contexto de crescente incerteza geopolítica e de aumento da procura energética, produzir mais energia continuará a ser importante. Mas será igualmente decisiva a capacidade de a utilizar de forma mais inteligente. É precisamente nessa trans­formação que reside uma das mais relevantes oportunidades estruturais da próxima década.

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