EDP: vocação global

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A EDP foi uma das primeiras eléctricas, a nível mundial, a mobilizar recursos internos para apoiar activamente o empreendedorismo de forma global. A estratégia de open innovation da EDP envolve o desenvolvimento de projectos com uma forte componente tecnológica e com uma grande ambição, além do lançamento de programas de Startup engagement de impacto planetário, bem como uma actuação ao nível do Venture Capital corporativo, também de âmbito global. Esta abordagem combinada e a aposta na sua realização recorrendo a uma combinação de recursos internos e externos, são aspectos onde o grupo EDP foi pioneiro em Portugal e no sector das utilities a nível global.

Este posicionamento foi essencial para uma aproximação ainda maior às startups e para promover a colaboração entre a EDP e estas jovens empresas. Esta procura constante por soluções, produtos e serviços inovadores que se enquadrem na estratégia de crescimento, permite às startups que trabalham com a EDP escalar o seu negócio e, consequentemente, impulsionar o ecossistema nacional e internacional Os últimos 12 meses, foram um ano muito positivo ao nível da actividade de investimentos. A empresa nunca tinha investido um valor financeiro tão elevado e embora tenha realizado o mesmo número de operações do que em 2018, o valor global foi superior, o que permitiu terminar 2019 em torno dos 6,3 milhões de investimento, num total de 16 operações.

«Paralelamente ao investimento, adicionámos mais quatro startups portuguesas ao portefólio, o que demonstra a qualidade do ecossistema nacional e a aposta contínua da EDP. Iniciámos a actividade de investimento com uma equipa local dedicada no Brasil e lançámos as bases para fazer o mesmo em Espanha a partir deste ano. E fizemo-lo sem prejudicar a vocação global da EDP Ventures, como demonstra a origem de diversas startups do nosso portefólio. Realizámos ainda o nosso primeiro exit, que permitiu um retorno financeiro bastante atractivo. Não menos importante, 2019 foi o ano em que melhores resultados tivemos ao nível do estabelecimento de relações de negócio entre as startups e as unidades de negócio da EDP, contribuindo para o seu sucesso, o que nos deixa muito satisfeitos, uma vez que esse é um dos objectivos estratégicos da EDP Ventures», explica Luís Manuel, administrador da EDP Inovação.

INVESTIMENTO

Além de Portugal, também Brasil e Espanha são mercados estratégicos para a EDP. Em primeiro lugar porque são ecossistemas muito interessantes, em forte expansão e crescimento, e com um número elevado de casos de sucesso na área do empreendedorismo. Depois porque são países onde a EDP está presente e tem recursos para poder aplicar o mesmo método de investimento que aplica em Portugal, privilegiando a proximidade entre as pessoas e as empresas em que investe. «Acreditamos que a presença local, aliada a um veículo local, é um factor determinante para reforçar esta relação.

Por outro lado, em Espanha acresce a oportunidade de aceder a fundos de co-investimento de entidades públicas, o que se traduz também num atractivo importante para nós porque permite reforçar a nossa capacidade de investimento. No entanto, a nossa vocação é global e investimos nas startups em que acreditamos onde quer que estejam. Além destas três geografias, temos investimentos nos EUA, Israel, França, Países Baixos e Bangladesh», acrescenta Luís Manuel. Apesar dos números de investimento, ano a ano, serem sempre muito difíceis de prever, uma vez que se trata de uma actividade que depende muito das oportunidades que surgem.

Tendo em conta a actual conjuntura económica devido à pandemia de COVID-19, é natural que a actividade e o volume de investimentos sejam diferentes face a 2019. Neste momento, o principal foco, assim como o da grande maioria dos restantes investidores, é garantir que as empresas do portefólio ultrapassarão com sucesso esta fase menos positiva, o que exige maior foco e mais recursos no apoio a estas empresas. No que diz respeito a novos investimentos, a empresa vai centrar a actividade em startups nas quais já tem um conhecimento e uma relação prévia devido às dificuldades actuais na realização de processos de due dilligence. Ainda assim, acreditam que 2020 será um ano importante, com novos investimentos e com um portefólio de investimento que apresenta actualmente interessantes perspectivas de crescimento e valorização no curto prazo. «O hot spot é entre o pre-Series A e o Series A.

Fazemos também algum seed. Por norma, temos todo o interesse em ter outros investidores, uma vez que trazem outras valências e visões diferentes sobre o negócio. Já participámos inclusivamente em algumas Series B, mas a avaliação que fazemos é que quando as empresas já estão nessa fase, já não somos nós o investidor natural. Se somos nós o “dono” natural, e isso pode acontecer, não será tanto um negócio EDP Ventures, mas um negócio de uma unidade de ne- gócio da EDP. Do ponto de vista de capital de risco, sentimos que podemos ter uma participação mais activa e aportar mais valor até ao Series A, ao ajudarmos as startups a desenvolver uma solução escalável e a expandirem o canal comercial junto da EDP quer de outras utilities», sublinha.

EDP STARTER

A EDP Starter é uma plataforma de desenvolvimento de startups que operam no sector da energia. Está presente em Portugal, Espanha, Brasil e EUA, e é a porta de entrada no ecossistema de inovação da EDP, que além de proporcionar acompanhamento a longo prazo, executa programas específicos de curto prazo em diferentes geografias, como o Starter Business Acceleration ou o Free Electrons. Já passaram por estes programas 189 startups e, no seu âmbito, foram concluídos 48 projectos-piloto, 18 rollouts comerciais e 24 investimentos, resultando num total de 37 milhões de euros aportados pelo grupo EDP ao longo destas fases. O ecossistema português está em franca expansão e cresce duas vezes mais do que a média europeia, o que são excelentes notícias. No entanto, a pequena dimensão da economia portuguesa e o (ainda) reduzido volume de investimento privado faz com que quatro em cada cinco startups fundadas em Portugal, apesar de manterem operações no nosso País, acabem por mudar a sua sede, sendo quase sempre os EUA a principal opção.

«Paralelamente, em Portugal existe alguma escassez de financia mento, particularmente para fases mais imaturas de desenvolvimento de startups, faltam incentivos e há poucos “serial entrepreneurs” capazes de financiar e desenvolver ideias, assim como talento saído de universidades e centros de investigação, o que limita a base de desenvolvimento de startups. Por outro lado, faltam também actores que possam conferir foco estratégico ao ecossistema, ou seja, as grandes empresas. O país tem relativamente poucas grandes empresas e são menos ainda aquelas que, como a EDP, realizam apostas ambiciosas em inovação e empreendedorismo. Estes dois aspectos constituem travões ao desenvolvimento do ecossistema de inovação, impedindo-o de atingir o potencial justificado pela nossa base de talento nacional e pela capacidade de atracção de talento que o país demonstra, associada à relativamente boa qualidade de vida», explica o administrador da EDP Inovação.

As áreas prioritárias para investimento estão alinhadas com o negócio do grupo EDP e dividem- -se em cinco grandes categorias: energias limpas, soluções de armazenamento de energia, redes inteligentes, inovação digital e soluções ligadas aos clientes. Dentro destas macros-tendências encaixam naturalmente as áreas de inteligência artificial e machine learning aplicada a manutenção preditiva, realidade aumentada, cibersegurança, mobilidade inteligente, gestão e processamento de dados, entre outras. A EDP Ventures investe em startups que operam no sector da energia, mas também que trabalham em vários verticais incluindo o de energia. Foi nessa perspectiva que investiram por exemplo na Feedzai. Sobre esta startup, não há dúvidas. «É incontornável falar da Feedzai.

A Feedzai é uma empresa que, hoje e sob qualquer métrica que queiramos comparar — vendas, pessoas, fundos levantados —, tem todos os requisitos para ser um unicórnio e só ainda não é porque, de facto, a última ronda não a valorizou ainda acima de mil milhões de dólares. Mas é uma empresa que apresenta hoje todas as variáveis habituais de uma empresa deste tipo começando, claro, pela equipa de gestão que é excelente. Acreditamos que é uma questão de tempo», diz Luís Manuel. A nível internacional, a DefinedCrowd, empresa americana com equipa de gestão com ADN português, destaca-se também com um crescimento de vendas absolutamente impressionante, e tem tido imenso destaque na imprensa nacional e internacional. SOLUÇÕES A fechar o último ano, a EDP Ventures concluiu investimentos em novas startups nas áreas da inovação digital, mobilidade eléctrica e redes inteligentes.

A Energyworx, startup holandesa de gestão de dados que apoia as utilities nos processos de transição energética, recebeu financiamento para ganhar escala e acelerar o crescimento internacional nos EUA e na Europa. Também a Net2Grid, startup de análise de dados igualmente sedeada na Holanda, recebeu investimento da EDP Ventures. A empresa desenvolveu uma tecnologia que permite aos clientes das utilities receber informação em tempo real sobre o consumo de energia dos seus equipamentos. Destaque ainda para a portuguesa Effizency (antiga Save2Compete), que também recebeu financiamento da EDP Ventures em 2019. Esta startup, que resultou de um spin-off do grupo EDP, criou uma solução tecnológica para as utilities ajudarem as PME a reduzir a factura da energia através da adopção de soluções de eficiência energética. Já em 2020, investiram na Ydata, uma empresa portuguesa que criou um software que permite criar dados sintéticos de qualidade e prontos a serem utilizados, sem quaisquer restrições ao nível da privacidade dos mesmos.

Globalmente, a EDP já trabalhou ou está a trabalhar com mais de uma centena de startups que chegaram através dos vários programas de Startup Engagement do grupo, em particular do Starter Business Accelerator e do Free Electrons. Estas startups foram criteriosamente seleccionadas entre milhares que se candidatam a estes programas de aceleração e scale-up. Através da EDP Ventures, investiram-se mais de 38 milhões de euros desde 2008, ano em que foi criada a área de capital de risco. Estas startups têm contribuído para uma mudança nos modelos de negócio do grupo EDP? «Sem dúvida. Todos os nossos investimentos têm não só um ângulo financeiro, mas acima de tudo um ângulo estratégico, através do qual procuramos aportar valor ao grupo EDP no curto prazo, mas também viabilizar novas soluções que permitirão ao grupo fazer o seu caminho na transição energética em curso. Analisamos um pouco de tudo, desde novos produtos e serviços inovadores para os nossos clientes, tanto residenciais como empresariais, como soluções de actuação remota para manutenção preditiva de activos, até soluções de cibersegurança. Os modelos de negócio mais inovadores são sempre analisados à luz da regulação do mercado de energia eléctrica de cada país onde estamos presentes », acrescenta o administrador da EDP Inovação.

Neste sentido, a título de exemplo, o investimento na Principle Power veio revolucionar a geração eólica offshore tradicional, ao permitir a produção de energia eólica offshore em profundidades tradicionalmente desafiantes; a Solshare permite explorar e antecipar modelos de negócio peer-to-peer que impactarão a universalização de soluções de micro-geração; já a Energyworx, ao retirar valor do grande volume de dados disponíveis de consumos de energia, permite perceber e prever padrões de consumo e, com base nestes, personalizar ofertas comerciais, como tarifas dinâmicas. «São alguns dos exemplos entre as 35 startups em que já investimos», conclui Luís Manuel.

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