EDP: Energias sustentáveis

O mundo enfrenta actualmente decisões vitais sobre a energia do futuro. A EDP quer ser uma voz activa na tomada dessas decisões. Em entrevista à Executive Digest, fonte oficial da empresa fala sobre os principais desafios do futuro na área da eficiência energética e mobilidade eléctrica.

Quais são os principais objectivos e compromissos do Grupo EDP ao nível da eficiência energética?

A EDP está alinhada com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, nomeadamente com o ODS 7 (Energias Renováveis e Acessíveis) e, nesse sentido, temos diferentes compromissos a cumprir até 2025: por um lado, ter 26% dos clientes no mercado liberalizado com serviços sustentáveis, onde a produção descentralizada tem especial destaque -3,7 GW de potência solar instalada; por outro lado, continuar a oferecer aos nossos clientes diferentes soluções de eficiência energética, que conduza a uma poupança de energia acumulada, desde 2015, de 8,8 TWh, evitando a emissão de quase dois milhões de toneladas de CO2. É igualmente importante falar na mobilidade eléctrica, onde a nossa ambição é a de ter instalados mais de 40 mil pontos de carregamento de veículos eléctricos em 2025 (o número inclui postos de carregamento privados, privados de acesso público e públicos em todo o Grupo EDP), bem como a nossa frota ser totalmente eléctrica em 2030.

No actual contexto de pandemia, a mobilidade eléctrica tem desafios acrescidos. Este é um vector de crescimento de negócio importante a longo prazo. Quais são os principais objectivos da companhia?

Apesar de a pandemia ter reduzido drasticamente a circulação de pessoas e de mercadorias, o que pode ser percepcionado como um desafio para o sector dos transportes e para o desenvolvimento da mobilidade eléctrica, a verdade é que há também uma crescente preocupação com o futuro do nosso planeta e a sustentabilidade das próximas gerações, que começa a marcar consumos e tendências. Prova disso no mercado automóvel são as vendas de veículos eléctricos em Portugal, que em 2020 aumentaram mais de 50%. Agora, mais do que nunca, é preciso dar prioridade a uma transição energética assente em energias cada vez mais sustentáveis e o sector dos transportes assume um lugar de destaque, uma vez que é imperativo actuar não só ao nível das emissões de CO2, mas também na redução do consumo de combustíveis fósseis.

Por tudo isto, a mobilidade eléctrica é uma área de desenvolvimento de negócio estratégica para a EDP e os clientes vêem-nos como o parceiro natural para a mobilidade mais sustentável. Nos últimos anos, a EDP fez um investimento significativo no desenvolvimento de novos produtos e soluções que dão resposta a um mercado cada vez mais exigente. No plano de negócios que actualizámos já este ano, comprometemo-nos com 40 mil pontos de carregamento público e privado até 2025, nos vários mercados em que estamos presentes. Este compromisso pretende responder às necessidades muito claras de mobilidade eléctrica que os clientes já têm e que não se atrasaram devido à pandemia.

Este caminho continuará a ser feito através do desenvolvimento de novos produtos, mas também na criação de parcerias com outras empresas, de vários sectores, não só para alargar a infra-estrutura de carregamento disponível, como também para apoiar a electrificação das frotas empresariais. Neste caso, a EDP dará também o exemplo: até 2030, a empresa tem como objectivo que toda a sua frota ligeira seja eléctrica.

Que iniciativas estão a ser desenvolvidas para responder às questões dos clientes nesta área?

A EDP tem procurado desenvolver soluções que tornem o carregamento eléctrico mais fácil e cómodo, para que o cliente possa ter uma experiência integrada: através de soluções para casa, trabalho e rede pública.

Para que o carregamento em casa seja mais fácil e seguro, a EDP tem desenvolvido soluções mais digitais e completas para moradias, que permitem por exemplo agendar carregamentos para períodos horários com tarifas mais reduzidas e disponibiliza uma oferta única no mercado, que facilita a adopção de mobilidade eléctrica em condomínios, através do acerto de contas automático e digital entre condóminos e condomínios.

De forma a melhorar também as opções de carregamento na via pública, a EDP tem celebrado parcerias com empresas de vários sectores, presentes em localizações diversas, oferecendo cada vez mais capilaridade e conveniência aos condutores. São exemplos mais recentes, a maior parceria celebrada até agora pela EDP em Portugal, ao ter estabelecido com a McDonald’s a instalação de 150 pontos de carregamento nos seus restaurantes; ou os 34 pontos de carregamento rápidos e ultrarrápidos que vão ser instalados este ano nas autoestradas nacionais, em parceria com a Brisa, a BP e a Repsol.

E, por último, reforçando as soluções para carregamentos nos locais de trabalho e para as frotas empresariais, um mercado que será fundamental para descarbonizar o sector dos transportes e, consequentemente, a economia.

No caso da eficiência energética, a aposta está em projectos de gestão como o caso de sucesso “Save To Compete”. Ao longo dos anos, o que já permitiu este programa às empresas aderentes?

O programa Save To Compete foi criado em 2012 com vista a ajudar as empresas a responderem à crise financeira de então. O programa foi muito bem-sucedido, com mais de 100M investidos pelos clientes e EDP nos primeiros cinco anos. Em 2017, a EDP lançou uma plataforma digital a que chamou o Save To Compete 2.0, que visava tornar o programa acessível a PME e que foi muito bem-sucedida, permitindo multiplicar por 10 os projectos de Eficiência Energética em PME, logo no primeiro ano, e novamente por 10, no ano seguinte.

O sucesso da plataforma digital junto dos clientes foi tal que a EDP decidiu alargar a utilização da plataforma aos outros mercados onde está presente (Espanha, Itália, Polónia e Brasil) e criar uma empresa autónoma para venda da solução a outras utilities noutros mercados. O programa identifica as soluções de eficiência energética do cliente, propõe a sua implementação e, se necessário, investe pelo cliente na execução destas medidas, recuperando esse montante através de parte das poupanças geradas. Trata-se de um processo inovador, tanto de um ponto de vista técnico, como de um ponto de vista comercial. O que o Save To Compete 2.0 fez de diferencial foi permitir a todas as empresas sediadas em Portugal, sendo clientes da EDP ou não, acederem a um site com propostas de soluções de eficiência energética, instalação a instalação, prontas a assinar e sem visita prévia. Foi um processo de grande inovação, por conseguir alinhar bem as vertentes técnicas com as vertentes comerciais, através da incorporação de engenharia e data science, que resulta de todo o conhecimento adquirido pela EDP desde o lançamento do programa.

A EDP Renováveis é líder mundial na produção de energia a partir do vento. Que balanço fazem do Windfloat Atlantic, o primeiro parque eólico flutuante da Europa Continental?

O Windfloat Altlantic é um projecto único e inovador a nível mundial, em que é utilizada uma tecnologia pioneira que permite a produção de energia renovável em alto mar, através da fixação das estruturas em águas com mais de 100 metros de profundidade, alcançando assim uma distância da costa que, até agora, era praticamente impossível. Além disso, esta tecnologia permite a instalação de geradores mais potentes, sendo que, no caso do Windfloat Atlantic, cada turbina eólica tem uma capacidade de 8,4 MW. As três turbinas instaladas em alto mar – as maiores que existem no mercado – ficaram operacionais em Julho de 2020, tendo o parque alcançado logo taxas de produção de energia acima do esperado. O parque tem uma capacidade instalada de 25 MW, o suficiente para abastecer 60 mil pessoas durante um ano com energia limpa.

O Grupo EDP está a desenvolver centrais eólicas marítimas em vários países, mas também em Portugal. Podem revelar um pouco mais sobre a construção das centrais eólicas localizadas nos distritos da Guarda e Coimbra?

Para além de outros investimentos que já desenvolveu nessas regiões, a EDP Renováveis está a desenvolver actualmente dois parques eólicos : Tocha II, com uma capacidade instalada de 33 MW, que será construído no concelho de Cantanhede, distrito de Coimbra; e o parque eólico Sincelo, com uma capacidade instalada de 92 MW, que estará localizado no distrito da Guarda, nos concelhos de Pinhel e Guarda, no norte do país. Estes projectos estão a ser apoiados pelo Banco Europeu de Investimento e pelo BEI.

Quando estiverem operacionais, vão contribuir para que Portugal cumpra os seus objectivos no Pacto Europeu para o Clima, em que se prevê que, em 2030, 47% do consumo bruto de energia seja de origem renovável. Estes projectos serão também relevantes para alcançar a meta vinculativa da Comissão Europeia de, no final desta década, ter pelo menos 32% do consumo final de energia a partir de produção por fontes limpas.

Estes projectos vão ter um impacto relevante no emprego destas regiões, já que se prevê que criem cerca de 560 empregos temporários, durante a fase de construção.

A EDP Renováveis é líder mundial na geração de energia eólica e um dos objectivos estratégicos da companhia é crescer e diversificar as áreas de negócio. Que projectos em curso gostariam de destacar, por exemplo, ao nível da geração solar?

A EDP Renováveis adquiriu recentemente uma participação maioritária na C2 Omega, uma plataforma de produção solar distribuída nos EUA, que vai permitir crescer também no solar distribuído, para além dos investimentos em parques solares centralizados, já feitos pela empresa.

Assim, foi adquirida uma participação de 85% num portefólio de geração solar distribuída que inclui 89 MW de capacidade em operação e cerca de 120 MW em desenvolvimento, distribuídos por cerca de 200 projectos, em 16 Estados norte-americanos.

Esta transacção irá permitir que a EDP Renováveis entre num segmento em rápida expansão a nível mundial. A empresa torna-se no operador de um dos maiores portefólios comerciais e industriais de geração distribuída nos EUA, servindo um mercado em crescimento acelerado.

O Brasil é outro mercado em que o solar está em franco crescimento: destaque, por exemplo, para um parque da EDP Renováveis em construção no município de Pereira Barreto, no Estado de São Paulo, com capacidade instalada total de 199 MW, com inauguração prevista para este ano.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Ecologia, Eficiência Energética e Energias Renováveis”, publicado na edição de Abril (n.º 181) da Executive Digest.

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