A inovação tem sido marcante na EDP. O sucesso que a EDP Renováveis teve a nível internacional assentou na massificação de uma tecnologia que hoje já é considerada convencional, mas que na altura era inovadora: a geração eólica; actualmente a EDP Renováveis representa cerca de um terço do EBITDA do grupo. Ainda na área das energias renováveis, a EDP tem apoiado o desenvolvimento da tecnologia Windfloat, tecnologia de geração eólica offshore flutuante, com uma forte base em Portugal. Trata-se de um dos mais marcantes projectos de inovação no sector da energia, que promete massificar esta forma de geração nos próximos anos nas zonas de maior recurso eólico offhsore como Norte da Europa, EUA e Extremo Oriente.
Mais recentemente a inovação tem sido marcante ao nível da oferta junto aos clientes finais. «A EDP é uma das mais bem-sucedidas utilities a nível europeu, ao nível da venda de sistemas solares aos clientes residenciais. Para além disso oferece ainda um serviço de smarthome, o Re:dy, que permite aos clientes usufruírem dos seus lares com máximo conforto e eficiência. Também ao nível da mobilidade eléctrica, hoje os clientes EDP podem usufruir de uma nova forma de transporte mais limpa e económica», afirma Luís Manuel, director executivo da EDP Inovação. Também ao nível da oferta a clientes B2B, a EDP tem hoje um conjunto de ferramentas, incluindo o Save-to-Compete, que permite aos clientes lançar projectos de eficiência energética com um simples clicar de um rato. De acordo com Luís Manuel, «é ainda importante referir a crescente adopção de tecnologias como big data, data analytics, IoT, AI, machine learning, drones, etc., tanto ao nível da oferta de produtos e de serviços, como no que diz respeito à gestão das infra-estruturas».
INOVAÇÃO INTERNA
A EDP tem diversos programas de inovação que visam tanto acarinhar as boas ideias que são geradas dentro da empresa, como expor as suas pessoas a inovação que vem de fora. «Temos activo, desde 2008, um sistema de gestão de ideias, o Clickidea, onde qualquer colaborador pode fazer chegar e submeter ao escrutínio de todos as suas ideias. Temos ainda uma rede de pontos de contacto em todas as unidades de negócio, suportada pela EDP Inovação, que se reúne regularmente em torno dos principais desafios e oportunidades de cada área concreta», refere o director executivo da EDP Inovação. É deste esforço que resultam as prioridades de inovação do grupo EDP. Para além disso, a EDP começou a procurar expor os seus executivos aos hotspots de inovação a nível mundial através de um Programa de Imersão em Inovação. Esta iniciativa, gerida pela EDP Inovação e pela Universidade EDP, leva quadros do grupo EDP a Sillicon Valley, promovendo uma abordagem directa às novas tecnologias e aos grandes disruptores como a Google, Facebook ou Flex, mas também a startups e centros tecnológicos da região. O grande objectivo é estimular as pessoas a pensarem o sector da energia e a forma como actuam nele de uma maneira diferente e com isso estimular o processo criativo e de inovação do Grupo EDP. A EDP Inovação promove ainda um conjunto de iniciativas de Open Innovation onde se incluem: o EDP Open Innovation, os Programas EDP Starter em Portugal, Espanha e Brasil, o Free Electrons, a participação do Grupo na Web Summit bem como diversos hackathons, datathons e outros challenges.
SERVIÇOS E INICIATIVAS
Na EDP, a determinação dos novos produtos e serviços que chegam a mercado é algo que cabe às Unidades de Negócio e não tanto à unidade de inovação. «No entanto, creio que podemos dizer que a mobilidade eléctrica está a despertar muita atenção dos clientes e acreditamos que diversas novidades nas quais temos vindo a trabalhar serão em breve anunciadas. O espaço da Casa Inteligente (smart home) continuará igualmente a ser uma forte aposta da EDP.
Para além disso acompanhamos com muito interesse a possível emergência de um modelo peer-to-peer entre pequenos consumidores e micro- -produtores, suportado ou não por tecnologia Blockchain; trata-se de uma possível revolução ao nível do modelo de negócio à qual não podemos ser indiferentes», indica Luís Manuel. De referir ainda que a EDP Ventures – criada em 2008 com o objectivo de investir em empresas promissoras no sector da energia e que tem foco internacional – investiu recentemente numa empresa de cibersegurança (Aperio de Israel) e numa outra de enriquecimento de dados para inteligência artificial (Defined Crowd, luso-americana), sendo que existem diversos projectos em curso nestas duas áreas, cada vez mais críticas para o negócio. A EDP tem, assim, como objectivo ser capaz de apoiar as boas ideias que lhe chegam independentemente da maturidade das mesmas. Procura ter a capacidade de apoiar em todo o ciclo de inovação desde as fases mais conceptuais até às que exigem recursos humanos e financeiros mais significativos. É com esse objectivo que desenvolve os seus instrumentos de apoio à inovação, que se distribuem ao longo de quatro grandes etapas:
1 – Scouting – Procura de startups inovadoras ligadas ao sector energético. Para esta finalidade organiza diversos programas como o EDP Open Innovation, challenges, hackathons e datathons. A forte presença na Web Summit é também uma aposta forte na busca de novas startups para o seu ecossistema de inovação. Adicionalmente, a EDP procura participar em eventos nacionais e internacionais que tenham um foco em inovação e empreendedorismo e que, simultaneamente, lhe permitam contactar com startups ligadas ao sector energético.
2 – Aceleração – Realização de programas que proporcionem às startups condições necessárias ao seu desenvolvimento e crescimento, tais como os programas EDP Starter em Portugal, Espanha e Brasil e o Free Electrons. Nestes programas, as Startups têm acesso a um conjunto de ferramentas que as ajudam a atingir um certo nível de maturidade e a desenvolver o seu negócio, tais como mentores, interim managers, workshops, capital semente (através da Seed Race), acesso a serviços de parceiros que totalizam 300 mil euros/ano/ startup (jurídicos, financeiros, patentes, consultoria, software, serviços cloud, etc.). Ao mesmo tempo, estes programas são uma oportunidade única para as startups estabelecerem os primeiros contactos com as unidades de negócio do Grupo EDP, tendo a oportunidade de lhes apresentar uma proposta de projecto para começarem a trabalhar em conjunto.
3 – Projecto-Piloto – Demonstrações tecnológicas em ambiente real, nos activos da EDP, das soluções desenvolvidas pelas startups apoiadas pela EDP. Nesta fase é possível identificar as vantagens para o Grupo EDP em trabalhar com estas startups, bem como elencar aspectos que carecem de melhorias. É importante referir que existem mecanismos de financiamento destes pilotos, através da EDP Ventures.
4 – Investimento – Investimento capital de risco por parte da EDP Ventures. Uma vez provada a utilidade e funcionalidade do produto desenvolvido pela startup, esta terá a possibilidade de ser investida pela EDP Ventures. «Para os programas de apoio ao empreendedorismo, recebemos mais de 2500 candidaturas, cerca de 170 fizeram os programas de aceleração, hackathons e challenges e, dessas, 31 foram convidadas para o programa final da EDP Starter, que tem a duração mínima de um ano. O número de projectos-piloto realizados por estas startups na EDP acende a um total de 27, sendo que só em 2017 foram realizados 12, alguns deles ainda a decorrer», afirma Luís Manuel. O Free Electrons 2017 recebeu 450 candidaturas e acelerou 12 startups internacionais, tendo a portuguesa Beon sido a grande vencedora, na altura uma das startups no programa final da EDP Starter.














