05Há vários anos que nos deparamos com um mercado energético cada vez mais volátil e a resiliência do sector renovável veio provar que a mudança de paradigma na energia é já uma realidade. Nesse sentido, é crítico que se faça uma transição energética apoiada nas energias renováveis, actualmente a mais barata fonte de energia. Uma das áreas em claro crescimento é a eólica offshore: recentemente, através da Ocean Winds (joint venture entre a EDP Renováveis e a francesa Engie) asseguraram-se os direitos para o desenvolvimento de dois parques eólicos offshore na Escócia com uma capacidade total instalada de 2,3 gigawatts (GW).
«Outro caminho é o da energia solar e, recentemente, investimos 250 milhões na aquisição de 70% da empresa alemã Kronos, que desenvolve projectos fotovoltaicos, numa altura em que este país enfrenta um grave problema de segurança do abastecimento e de dependência dos combustíveis fósseis. Por isso, está determinado em instalar 155 GW de capacidade solar, representando perto de 40% das adições desta tecnologia na União Europeia», explica fonte oficial da empresa.
Finalmente, o tema emergente do hidrogénio como alternativa energética está a ganhar terreno: a EDP foi uma das 29 empresas seleccionadas pela Comissão Europeia no âmbito do IPCEI Hy2Use, que pretende apoiar projectos considerados estratégicos para o desenvolvimento do hidrogénio renovável. Entre as 29 empresas seleccionadas, a EDP destacou-se com o maior número de projectos, os três em Espanha: nas centrais térmicas de Aboño (Astúrias), de Los Barrios (Cádiz) e em Teruel (Aragão), através do projecto IAM Caecius. Estes projectos visam testar e promover a produção de hidrogénio verde, envolvendo uma capacidade total de 225 MW em eletrolisadores. A partir do momento em que a própria União Europeia e os decisores políticos criam programas como o Pacto Ecológico Europeu suportados pela Lei Europeia do Clima, o caminho seguro é o da transição energética sustentado por estas fontes.
O cenário da IEA’s Net Zero prevê que dois terços da energia em 2050 terão de vir de fontes de energia renovável, contra os actuais 12%, ao passo que os combustíveis fósseis têm de diminuir de cerca de 78% para perto de 23% – ou seja, tem de haver uma mudança urgente de paradigma. Recuperando os objectivos do Acordo de Paris com a “manutenção do aumento da temperatura média global a níveis bem abaixo dos 2°C acima dos níveis pré-industriais e prossecução de esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais”, percebe-se que, para atingir estes objectivos, é necessário incrementar aproximadamente cinco vezes a taxa actual de descarbonização da economia mundial. Um dos grandes desafios é o de alcançar a neutralidade carbónica que exigirá a combinação de diferentes vectores e tecnologias energéticas e a mudança de comportamento das empresas e dos consumidores. «O grande desafio na redução das emissões está no scope 3 e, nesse sentido, temos de explorar as oportunidades no compromisso com Net-Zero Standard alinhado com a ciência (SBTi) com ênfase particular neste scope. Esta redução numa economia em actividade é possível se se mobilizarem fornecedores e stakeholders, todos alinhados com os mesmos objectivos, numa relação de transparência», acrescenta a mesma fonte oficial.
ESTRATÉGIA
A estratégia de descarbonização da EDP assenta no compromisso de ser totalmente verde até 2030 e atingir a neutralidade carbónica em toda a cadeia de valor até 2040 e descarbonizar para um impacto positivo no clima. «Para isso, temos de capacitar a comunidade e reconstruir o nosso planeta em colaboração com os nossos parceiros, movidos por uma cultura sólida de ESG para a criação de valor a longo prazo. Capacitar as nossas comunidades significa ter um papel activo na transição energética para gerar impactos positivos e duradouros não deixando ninguém para trás e assegurar uma criação positiva de empregos (directos, indirectos). Vamos dar prioridade ao emprego local, à requalificação e à inovação para apoiar a transição para uma economia de baixo carbono. Queremos proteger o nosso planeta, com a ambição de atingir um impacto positivo na natureza até 2025, através da promoção da regeneração dos ecossistemas como reflorestar sempre que possível; alavancando sinergias no uso do solo; e soluções baseadas na natureza para melhor abordar a protecção da biodiversidade», sublinha fonte oficial.
A grande aposta do negócio assenta na continuidade das renováveis: na primeira metade de 2022, 75% da energia gerada veio das renováveis. A descarbonização traz igualmente uma democratização na geração de energia e, nesse sentido, a capacidade instalada do solar distribuído passou de 152 MW para 498 MW entre 2021 e 2022. «Esta oferta estende-se igualmente na forma como olhamos para a mobilidade eléctrica onde, na primeira metade deste ano, 54% dos nossos clientes já tinham acesso a soluções de mobilidade eléctrica. Na prática, a estratégia do grupo EDP tem uma forte componente de descarbonização associada ao core da empresa – isto significa que está alinhada com o negócio e não é uma mera alavanca que reformula o negócio por si, ambos andam de mãos dadas», refere.
A EDP está continuamente a trabalhar para atingir realisticamente os objectivos a que se compromete, com a meta de eliminação do carvão até 2025 e ser 100% verdes até 2030. Um dos temas que está na ordem do dia e que vai ser amplamente discutido no final deste ano na COP27 é a Biodiversidade e, nesse aspecto, a empresa está a contribuir activamente para a preservação do Ambiente e dos Recursos Naturais e para o Desenvolvimento Sustentável das Sociedades. Isso materializa-se na mitigação dos impactos ambientais, parte integrante da Política de Ambiente da EDP, que é assegurada por sistemas de gestão ambiental certificados de acordo com a ISO 14001:2015, alinhados num Sistema de Gestão Ambiental Corporativo (SIGAC). Outra das apostas emergentes é a Economia Circular que já representa uma oportunidade de desenvolvimento de novos negócios e para a qual se desenvolveu uma estratégia do grupo EDP. Integram metas como acelerar a circularidade nas energias renováveis (80% até 2025, sendo que em 2021 já estávamos a 77%); reduzir o desperdício (-85% até 2025 – no ano passado estavam já em -81%) e reduzir o consumo de água em até -78% até 2025 (em 2021 os indicadores apresentavam -70%). A questão dos plásticos de uso único também tem sido uma das prioridades da EDP e o objectivo, já para 2022, é a eliminação de 100% dos plásticos de utilização única em Portugal.
COMPROMISSOS
Em relação à Biodiversidade, uma das áreas em que a EDP está a trabalhar, desde 2020 que existe um compromisso com a iniciativa act4nature Portugal, com objectivo de proteger, promover e restaurar a biodiversidade. A EDP, que integra o Steering Committee e o Advisory Board da iniciativa, subscreveu os 10 compromissos comuns a todas as empresas aquando da sua adesão inicial em 2019, tendo reforçado a sua ambição ao comprometer- se adicionalmente com a implementação de mais 12 compromissos individuais. «Destes, temos como objectivo até 2002 a elaboração de um guia interno No Net Loss de biodiversidade para todo o grupo EDP, alinhado precisamente com os nossos compromissos de assegurar que todos os novos projectos com impactos ambientais significativos são No Net Loss em 2030 e não construir activos de geração em Natural World’s Heritage Sites. Para 2023, temos mapeados os objectivos de operacionalizar um programa de formação No Net Loss, bem como avaliar e valorizar as externalidades ambientais do grupo EDP», refere fonte oficial.
A transição energética implica normalmente investimentos e compromissos de longo prazo, tanto das empresas consumidoras como das companhias que produzem as tecnologias e energias renováveis. A empresa tem investido num portefólio de serviços para cobrir todos os segmentos, muito centrado na energia solar e armazenamento de energia. A EDP Comercial, por exemplo, disponibiliza a modalidade “Solar as a Service”. A produção de energia solar pela empresa e para o seu consumo é, através deste produto, um serviço e isto significa que o investimento inicial (que para muitas pequenas e médias empresas pode ser pesado) é feito pela EDP Comercial, com a garantia de poupanças na ordem dos 25% na factura energética para o cliente. O projecto de dimensionamento dos painéis, a sua instalação, reparação ou substituição e manutenção ficam a cargo da EDP. O cliente paga uma mensalidade em troca deste serviço, com a garantia de produção energética ao longo do contrato.
Outro programa de referência no apoio às empresas é o Effizency, este identifica medidas de redução do consumo energético, incluindo solar descentralizado, promovendo a sua implementação e custeio através das poupanças geradas. Desde o seu lançamento ibérico, o programa conduziu a uma poupança acumulada de mais de 600 GWh, correspondendo a uma redução de aproximadamente 170 mil toneladas de CO2.
O alinhamento constante é promovido através dos meios e programas de diálogo internos como reuniões com o CEO, comunidades digitais de partilha de conhecimento ESG, conferências, participação em organizações internacionais, entre outros. «Ou seja, existe uma dinâmica de debate, de actualização e reflexão. Já os objectivos e metas de sustentabilidade são traduzidos em objectivos (KPI) que se aplicam às administrações, às unidades de negócio e colaboradores. Estes objectivos e metas de sustentabilidade são públicos e traduzem os compromissos de sustentabilidade da EDP. O grupo orienta igualmente a implementação da sustentabilidade através de políticas e regulamentos, definindo responsabilidades e criando comissões que estão responsáveis por essa mesma implementação», conclui fonte oficial da empresa.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Redução da pegada ambiental”, publicado na edição de Outubro (n.º 199) da Executive Digest.




