easyJet: Nova taxa de carbono sobre viagens aéreas é “inadequada” e deve ser “suspensa”

A taxa de carbono de dois euros por passageiro e viagem, entrou em vigor a 1 de julho. A companhia aérea considera o imposto “ineficaz e inadequado”, referindo que não está vinculado às emissões de CO2.

Ana Sofia Ribeiro

A easyJet está contra a nova taxa de carbono que entrou em vigor no dia 1 de julho, que cobra a cada passageiro dois euros por viagem, e pede a suspensão do imposto que diz ser “ineficaz e inadequado”.

“O imposto deve ser avaliado antes da sua implementação, pois não é clara a forma de como o Governo pretende usar as receitas do mesmo para combater as mudanças climáticas. Em última instância, esta medida será apenas um novo imposto cobrado sobre os passageiros, que levará a um aumento nas passagens aéreas para os clientes”, avança a companhia aérea em comunicado.



A easyJet refere que “apoia proativamente medidas para reduzir o impacto da aviação no meio ambiente”, no entanto, adverte que este imposto não se revela “eficaz” porque, sendo uma taxa fixa – em que todos pagam 2 euros -, “não pode refletir a pegada de carbono das diferentes companhias aéreas e viagens, portanto, não pode ser considerada ecológica, uma vez não está diretamente ligada às emissões de CO2”.

A transportadora quer, por isso, pedir esclarecimentos sobre “como esta medida vai apoiar o setor da aviação a ser mais sustentável e se as receitas serão investidas em I&D para novas tecnologias disruptivas de emissão zero”, além de que pede “carência de um ano” para desenvolvimento e testes antes do início da implementação da Portaria 38/2021.

“A easyJet acredita que a indústria da aviação precisa de desempenhar o seu papel no combate às mudanças climáticas. No entanto, este imposto é incorreto, pois não traz nenhum benefício para o meio ambiente enquanto não estiver diretamente ligado às emissões e as suas receitas não forem reinvestidas em novas tecnologias de emissão zero”, sublinhou José Lopes, Diretor Geral da easyJet para Portugal.

“O imposto não contribui para melhorar a sustentabilidade da indústria e, além disso, impede a recuperação da economia nacional que está dependente do turismo. Um imposto sobre passageiros não é a abordagem correta, pois não incentiva as companhias aéreas a tornarem-se mais sustentáveis”, concluiu o responsável.

A companhia reitera ainda, no documento, o seu compromisso com uma indústria de aviação segura, prevendo continuar a compensar totalmente as emissões de carbono de todos os voos em nome dos seus passageiros. “Continuamos empenhados em trabalhar com a ANAC e o Governo português para implementar medidas para cumprir a meta líquida de zero da indústria até 2050”, conclui o direto em comunicado.

“A easyJet quer que voar seja – e permaneça – acessível para todos, não apenas para os mais abastados”, conclui a companhia.

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