Do estrangulador ao cinzeiro: funcionalidades clássicas dos carros deixam jovens completamente confusos

Plataforma de venda automóvel online inquiriu 2.000 jovens sobre elementos ‘retro’ que eram comuns nos veículos do passado recente

Automonitor
Fevereiro 21, 2026
15:00

Desde consolas com ecrã tátil até maçanetas ocultas e sistemas totalmente digitais, os automóveis modernos estão cada vez mais dominados por tecnologia. Mas um novo estudo da Cazoo revela que muitas das funcionalidades clássicas dos carros de há apenas uma geração estão hoje a deixar a Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) completamente perplexa, escreve o ‘Daily Mail’.

A plataforma de venda automóvel online inquiriu 2.000 jovens sobre elementos ‘retro’ que eram comuns nos veículos do passado recente. Os resultados mostram que a maioria tem dificuldade em identificar características que, há duas ou três décadas, faziam parte do quotidiano de qualquer condutor.



O exemplo mais flagrante é o estrangulador — dispositivo utilizado em motores carburados para facilitar o arranque a frio — reconhecido por apenas 8% dos inquiridos. Logo a seguir surge a barra em T (ou T-top), um tipo de teto com dois painéis removíveis separados por uma estrutura central rígida, que 90% não conseguiram identificar.

Outras funcionalidades também ficaram pelo caminho da memória coletiva: apenas 28% reconheceram uma antena manual, 35% identificaram um cinzeiro e 41% souberam dizer o que era um isqueiro automóvel. Durante décadas, os isqueiros foram equipamento de série na maioria dos carros, mas começaram a desaparecer no final dos anos 1990 com a queda das taxas de tabagismo e maior consciencialização para a saúde. Na década de 2010, a maioria dos modelos novos já os tinha substituído por tomadas de 12V ou portas USB.

Segundo o ‘Daily Mail’, a lista de elementos que a Geração Z já não reconhece inclui ainda faróis escamoteáveis, leitores de cassetes, manivelas para abrir os vidros, ignição por chave tradicional e até o travão de mão mecânico. De forma surpreendente, 27% dos jovens não conseguiram identificar um travão de mão convencional.

A mudança ajuda a explicar este desconhecimento. Uma análise recente indica que mais de nove em cada dez carros novos já vêm equipados com travões de estacionamento eletrónicos, substituindo a tradicional alavanca manual. No entanto, estes sistemas eletrónicos podem ser mais caros de reparar — mais de três vezes o custo de um travão de mão convencional — e há quem os considere menos intuitivos.

Charlie Harvey, especialista automóvel da Cazoo, sublinha que o design automóvel evoluiu drasticamente nas últimas duas décadas e que o desaparecimento de certas funcionalidades foi rápido. Algumas, como o estrangulador, fazem sentido ficar no passado devido à evolução dos motores com injeção de combustível. Outras, porém, continuam a gerar nostalgia, como os botões físicos táteis ou os icónicos faróis escamoteáveis.

Aliás, o estudo revela que uma parte da Geração Z gostaria de ver regressar algumas dessas características. Um terço dos inquiridos prefere botões físicos a ecrãs táteis, enquanto 24% afirmam que gostariam que leitores de CD e até de cassetes voltassem aos automóveis modernos.

O debate surge numa altura em que especialistas em segurança rodoviária defendem um regresso ao essencial. Funcionalidades como maçanetas retráteis — recentemente proibidas pelas autoridades chinesas devido ao risco de prender ocupantes após colisões — e sistemas de entretenimento integrados com videojogos têm levantado preocupações.

Painéis totalmente digitais e sistemas de infotainment também estão sob escrutínio. Ao contrário de botões físicos, os ecrãs obrigam o condutor a desviar o olhar da estrada. O professor Milad Haghani, especialista em segurança rodoviária da Universidade de Melbourne, alerta que estes sistemas exigem atenção visual prolongada, muitas vezes acima dos limites considerados seguros. “Essa longa duração do olhar pode ser fatal”, advertiu.

Entre nostalgia e inovação, o estudo mostra como a evolução tecnológica no setor automóvel foi suficientemente rápida para transformar elementos comuns em verdadeiros enigmas geracionais.

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