De traidor a perdoado, passando por um convite para chá: relação entre Prigozhin e Putin deixa chefe do MI6 perplexo

Yevgeny Prigozhin, chefe do grupo paramilitar Wagner, está “a flutuar por aí” e recentemente encontrou-se com Vladimir Putin para tomar chá, indicou o chefe dos britânicos do MI6, sir Richard Moore

Francisco Laranjeira

Yevgeny Prigozhin, chefe do grupo paramilitar Wagner, está “a flutuar por aí” e recentemente encontrou-se com Vladimir Putin para tomar chá, indicou o chefe dos britânicos do MI6, sir Richard Moore.

Em Praga, na Chéquia, o responsável dos espiões do Reino Unido discutiu os eventos na Rússia após a insurreição de 23 de junho último, quando uma coluna de elementos do grupo Wagner avançou para Moscovo. O presidente russo, numa mensagem televisiva, rotulou os rebeldes como “traidores” e prometeu puni-los. No entanto, desde então, o comportamento de Putin foi no mínimo misterioso.

“Se se observar o comportamento de Putin naquele dia, Prigozhin começou como um traidor ao pequeno-almoço, foi perdoado ao jantar e dois dias depois foi convidado para um chá. Há algumas coisas que até o chefe do MI6 acha um pouco difícil de tentar interpretar”, garantiu o responsável.

Sobre se Prigozhin ainda está vivo, o chefe do MI6 garantiu que “pelo que sabemos, está a flutuar por aí”.

Inicialmente, acreditou-se que Prigozhin exilou-se na Bielorrússia após a revolta, tendo surgido entretanto em São Petersburgo para recolher as armas apreendidas na sua casa de luxo.

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No passado, Putin lidou brutalmente com aqueles que considerou traidores ou críticos, mas mostrou-se excecionalmente tolerante com os rebeldes do grupo Wagner, convidando-os a assinar contratos com os militares russos. Segundo diversos analistas, o presidente russo receia alienar nacionalistas da linha dura, que apoiaram as críticas de Prigozhin às falhas do Kremlin na guerra da Ucrânia.

Por último, sir Richard Moore, convidou ainda os russos que se opõem ao regime de Putin a partilhar os seus segredos com o Reino Unido, salientando que a insurreição “expôs a decadência inexorável da autocracia instável presidida por Putin”, apontou, comparando a situação na Ucrânia com a Primavera de Praga, em 1968. “Ao testemunharem as lutas internas e a insensível incompetência dos seus líderes, muitos russos estão a lutar com os mesmos dilemas dos seus predecessores em 1968”, finalizou.

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