D. Américo Aguiar é o novo bispo de Setúbal: “Sinto verdadeiramente a mão de Deus nesta nomeação do Papa Francisco. É a minha cara”

D. Américo Aguiar foi um dos principais rostos da organização da Jornada Mundial da Juventude, uma vez que assumiu a presidência da Fundação JMJ

Francisco Laranjeira
Setembro 21, 2023
11:14

D. Américo Aguiar é o novo bispo de Setúbal, que estava sem responsável eclesiástico há 600 dias – mais concretamente desde 28 de janeiro de 2022 – desde a saída de D. José Ornelas, que foi nomeado para Leiria-Fátima. A elevação a bispo pelo Papa Francisco surgiu ainda antes de D. Américo Aguiar ser empossado como cardeal a 30 de setembro, em Roma.

O novo bispo vai tomar posse a 26 de outubro, dia em que passam 48 anos sobre a ordenação episcopal de D. Manuel Martins. Curiosamente, o novo bispo de Setúbal é oriundo da terra natal do primeiro titular daquela diocese, o bispo Manuel Martins, que ali esteve entre 1975 e 1998.

Ambos de Leça do Balio, Matosinhos, têm outros pontos em comum no seu percurso, como o facto de terem exercido o cargo de Vigário-Geral na diocese do Porto ou liderado a Irmandade dos Clérigos, e o presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023 não esconde a admiração pelo seu conterrâneo que, em Setúbal, viveu os tempos conturbados do pós-Verão Quente de 1975.

No Paço Episcopal do Porto, esta quinta-feira, o novo bispo de Setúbal referiu que “há muita gente que continua a gritar” em Setúbal. “O Papa Francisco diz-nos para sermos capazes de ouvir os gritos das pessoas e da natureza”, frisou, prometendo prestar atenção “aos gritos das diversas realidades”. “Vou com esta pesada herança ao encontro destes irmãos e irmãs, de todos em Setúbal, para fazer caminho com eles. Não tenho programa nem levo apontamentos, o que vou fazer é o que o Papa nos pede, ouvir, falar, partilhar e depois pedir ao Espírito Santo que nos indique o caminho”, sublinhou o novo bispo, natural de Leça do Balio.

“Estou contente, estou feliz, estou animado. Nem todos os portugueses têm de ir para fora do país para concretizar a sua vocação, não é? Portanto, estou muito feliz por poder corresponder e sinto verdadeiramente a mão de Deus nesta nomeação do Papa Francisco. É a minha cara”, referiu.

“Passei logo a sentir os sentimentos de aflição, de alegria, daquilo que é a vida de tantos homens e mulheres que vivem na península de Setúbal e que eu conheço deste contexto de ouvir dizer e de D. Manuel Martins, mas, entretanto, passaram 20, 30 anos. E, portanto, são centenas de milhares de homens e mulheres de boa vontade que eu saúdo com muito afeto e a dizer-lhes que não se preocupem, eu vou de peito aberto, vou de coração aberto, vou fazer caminho com eles.”

Nascido em 12 de dezembro de 1973, no seio de uma família com pouca ligação à Igreja, Américo Aguiar entra para os escuteiros, movimento que o entronizou na Igreja.

A política também fez parte do seu percurso, tendo chegado a ser deputado municipal em Matosinhos e militante do PS. Narciso Miranda, pela mão de quem o prelado entrou na política, não esconde a admiração por Américo Aguiar e não tem dúvidas: “A política ficou a perder, a Igreja a ganhar”.

Entrou no seminário aos 22 anos e foi ordenado padre em 2001.

Foi pároco de S. Pedro de Azevedo (Campanhã), notário da Cúria Diocesana do Porto, chefe do gabinete de informação e comunicação da diocese do Porto, vigário-geral e chefe de gabinete dos bispos Armindo Lopes Coelho, Manuel Clemente e António Francisco dos Santos quando estes ocuparam o cargo de titulares da diocese nortenha.

Exerceu ainda as funções de capelão-mor da Misericórdia do Porto e de vice-reitor do Santuário Diocesano de Santa Rita, em Ermesinde. Foi também pároco da Sé.

Entre 2011 e 2020, presidiu à direção da Irmandade dos Clérigos, sendo o padre Américo – como é normalmente conhecido no Porto, apesar de ser bispo há alguns anos – considerado figura de referência na recuperação e restauro da Torre dos Clérigos. Nomeado bispo auxiliar de Lisboa em março de 2019, foi desde esse ano e até março de 2023, coordenador da Comissão Diocesana para a Proteção de Menores e Pessoas Vulneráveis do Patriarcado de Lisboa.

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