Covid-19. Marcelo sai em defesa de Costa: «Solidarizo-me com a sua indignação»

São precisos «mais ventiladores, mais cuidados intensivos, disponibilidade de camas e também material de protecção», vincou.

Ana Rita Rebelo
Março 27, 2020
18:38

Marcelo Rebelo de Sousa insistiu, depois de uma reunião com a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, que «tudo tem de ser feito para proporcionar os meios de resposta». São precisos «mais ventiladores, mais cuidados intensivos, disponibilidade de camas e também material de protecção», vincou.

«Estamos a perceber que este período é longo, mas o esforço que está a ser feito para diferir e achatar a curva, impedindo um pico rápido e intensíssimo, significa que o pico vai sendo adiado», disse o Presidente da República. «Isto é uma prova de resistência e não nos podemos deixar dominar pelo cansaço», afirmou.



Segundo Marcelo, existe material suficiente e é de «qualidade superior» ao que estava disponível em «surtos anteriores».

O Presidente dos afectos sublinhou a necessidade de a União Europeia (UE) estar unida. Quanto à reacção do primeiro-ministro, António Costa, em relação ao discurso do ministro das Finanças holandês sobre a situação vivida em Espanha e Itália, defende que foi «em nome da solidariedade», uma vez que «estamos no mesmo barco. (…) Vamos resolver o problema em conjunto e não vale a pena criar divisões». «O primeiro-ministro indignou-se e eu também me solidarizo com a sua indignação», frisou.

Marcelo considerou que «o que se passa neste momento é que deu passos, mas insuficiente e tímidos». «Deu passos no sentido de haver um financiamento para enfrentar a crise, de libertar da rigidez das regras do défice para que os Estados possam enfrentar as crises económicos e sociais», afirmou.

O Presidente revelou ainda que apoia a solução da emissão de eurobons, solução que foi travada pelo Conselho Europeu.

«Infelizmente [a UE] não deu passos do que seriam os eurobonds, que Portugal tem defendido e outros países. Alguns países, são poucos, têm resistido a passos mais solidários. Considero que isso é um erro», continuou, defendendo que «é  nos momentos cruciais que se vê a capacidade de afirmação das instituições e que é neste momentos que se vê se a Europa quer ser corajosa» ou se, pelo contrário, «quer esperar mais três meses». «Isto não é um problema do país. É de toda a Europa. Porquê esperar três meses?», questionou.

Em Portugal são já 4.268 o número de infectados, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde, divulgado esta sexta-feira. Ontem, estávamos dois lugar abaixo, com menos 724 casos. O país conta agora com 77 óbitos, mais 17 que na quinta-feira, tendo sido registada a primeira vítima mortal com menos de 50 anos.

Globalmente, o novo coronavírus, responsável por provocar a Covid-19, já infectou mais de meio milhão de pessoas em todo o mundo e fez quase 25 mil mortos. Na Europa, a Itália continua a liderar o número de óbitos: nas últimas 24 horas registaram-se 969 mortes, elevando para 9.134 o número total. O país registou nesta sexta-feira 86.498 casos de infecção por Covid-19, ultrapassando a China que apresenta 81.897 casos.

*Notícia actualizada

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