COVID-19. As vacinas são seguras? Conheça os riscos e mitos

Vacina tem sido uma das palavras mais repetidas nas notícias e conversas nos cafés, mas será que todas as pessoas estão assim tão ansiosas para que uma solução deste tipo seja encontrada? Antes da pandemia de COVID-19, o movimento anti-vacinação ganhava voz um pouco por todo o Mundo, com pais a defenderem que existem mais riscos do que benefícios em vacinar as crianças.

Segundo a Bloomberg, as dúvidas prejudicaram a prevenção de doenças infecciosas como o sarampo e a mesma hesitação parece estar a surgir em relação ao novo coronavírus. Uma sondagem levada a cabo pela CNN em Maio mostra que um terço das pessoas nos EUA não tentaria obter uma vacina caso existisse. No Reino Unido, um estudo de Junho indica que um em cada seis inquiridos  não iria (de todo ou provavelmente) tomar a vacina para a COVID-19.

A agência noticiosa lembra que há, de facto, alguns riscos associados a novas vacinas mas que a ideia de que uma imunização sólida contra doenças infantis é mais perigosa do que vantajosa é baseada numa fraude.

Para tentar esclarecer alguns mitos, a Bloomberg elaborou um guia sobre o que significa desenvolver uma vacina para a COVID-19 e quais os medos que podem potencialmente enfraquecer a prevenção a nível global:

1 – Qual é a origem da hesitação face à vacina?
O movimento anti-vacinação mais recente teve origem em 1998, depois da publicação de medicina The Lancet publicar um estudo fraudulento que ligava doenças como a rubéola ao autismo ou outros problemas de desenvolvimento cognitivo. O The Lancet desmentiu o estudo em 2010 e o autor do mesmo perdeu a sua licença médica.

2 – O que dizem os dados?
Investigadores concluíram que todo (ou quase) todo o aumento registado na incidência de autismo resulta de uma maior noção de que o problema existe. Mudanças no diagnóstico também justificam o crescente número de casos. Vários estudos já mostraram que não existe qualquer ligação à vacinação.

3 – Que impacto tem tido o movimento anti-vacinação?
Segundo a Bloomberg, o número de crianças sem protecção relativamente a um leque variado de doenças contagiosas cresceu graças a campanhas que tentam convencer os pais de que uma estratégia de imunização é pior para os seus filhos. Como consequência, as crianças tornam-se mais vulneráveis e a chamada “imunidade de grupo” pode perder-se em comunidades em que seja comum não vacinar os mais novos. Esta “imunidade de grupo” é, contudo, essencial para proteger aqueles que não podem, de facto ser vacinados, como bebés ou pessoas com alguns problemas de saúde.

4 – Qual é o efeito na saúde pública?
Doenças que poderiam ser evitadas graças a vacinas estão a voltar nos Estados Unidos da América e na Europa. O sarampo, por exemplo, foi dado como extinto nos EUA em 2000, mas viajantes internacionais trazem o vírus de volta, resultando em surtos entre aqueles que não estão protegidos. Na Europa, a situação é ainda pior, garante a agência noticiosa. Em todo o Mundo, o número de mortes por sarampo aumentou para 140 mil em 2018, quando em 2016 não ia além dos 90 mil.

5 – Quais são os riscos de novas vacinas?
Embora as vacinas tenham de ser aprovadas pelas autoridades competentes antes de serem distribuídas, é verdade que poderá haver riscos inerentes. Em 2011, por exemplo, os reguladores europeus recomendaram a restrição da utilização de uma vacina da GSK contra a gripe suina depois de ter surgido associada a casos raros de narcolepsia.

Outras vacinas demonstraram ter o efeito oposto ao suposto, resultando em respostas imunitárias indesejáveis. Nos anos 60, uma vacina experimental para um vírus respiratório tornou as crianças mais susceptíveis em vez de protegê-las.

6 – Como actuam as autoridades?
Nos países mais avançados, indica a Bloomberg, foram estabelecidos sistemas que permitem reportar efeitos secundários adversos das vacinas. Nos Estados Unidos da América, por exemplo, qualquer pessoa pode deixar um alerta no Vaccine Adverse Event Reporting System. O mesmo acontece no Reino Unido com o Yellow Card Scheme.

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