Foi confirmado o segundo caso de infecção por coronavírus em Portugal. Trata-se de um homem de 33 anos, que foi assistido no Porto, e que aguardava novos testes do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).
Em conferência de imprensa, a ministra da Saúde, Marta Temido, explicou que as primeiras análises aos dois cidadãos deram positivo para o novo surto viral. Segundo a governante, tratam-se de dois cidadãos portugueses, um deles é médico no hospital de Penafiel. Esteve no norte de Itália a passar férias e está internado no Centro Hospitalar Universitário do Porto desde ontem à tarde. As suas análises já foram confirmadas pelo INSA. O outro infectado, de 33 anos, esteve em Valência, Espanha, em trabalho, e apresentava síntomas desde 26 de Fevereiro.
Entretanto, a “TVI” avançou que a passageira que esta madrugada viajava no Sud Expresso e que, no Entroncamento, se queixou de sintomas semelhantes aos do coronavírus não está infectada. O comboio esteve parado no Entroncamento até a mulher ser levada para o hospital Curry Cabral, em Lisboa, mas os testes não confirmaram a presença do vírus.
O novo coronavírus já tinha sido detectado em dois portugueses, mas no estrangeiro. O primeiro caso foi confirmado a bordo do navio de cruzeiro Diamond Princess em Adriano Maranhão, transferido na passada terça-feira para o hospital japonês Fujita University Health Hospital. Mas, entretanto, as análises ao português não detectaram a presença de Covid-19, escreve o “Expresso”, citando a mulher de Maranhão.
Na última quinta-feira, Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, disse existir um segundo caso de um português no estrangeiro infectado com o novo coronavírus. O cidadão pediu anonimato e quer que a sua situação seja «mantida privada».
Margarida Tavares, infeciologista do Hospital de São João, no Porto, onde está um dos doentes infectados com o novo coronavírus, disse à “RTP” que «é esperável» o aparecimento de mais casos em Portugal. O mais importante nesta altura, apontou, é «quebrar todas as possíveis cadeias que tenham iniciado» com estes dois casos, confirmados esta segunda-feira pelas autoridades de saúde nacionais.
«Isto é uma doença contagiosa e portanto é sempre um cuidado dos médicos identificar esses contactos. (…) Depois vamos ser ajudados de uma forma mais eficaz pelo colegas de saúde pública que têm essa hábito de fazer os inquérito epidemiológicos. Faremos o máximo para encontrar todos os contactos desses doentes», assegurou.
Margarida Tavares sublinhou que, «neste momento, o importante é dizer a todas as pessoas que estiveram com os casos positivos que estejam tranquilas, que há uma grande experiência na forma como se orientam essas situações».
«Aquilo que temos neste momento são dois casos importados, o que nos dá uma indicação que estamos a fazer o rastreio adequado. Ainda não temos evidência de infecção a ser transmitida livremente na comunidade. E isso é muito bom. (…) Não quer dizer que amanhã ou depois isso não venha a acontecer. (…) O grande esforço vai ser quebrar todas as possíveis cadeias que tenham iniciado. Nem sempre vamos conseguir. E é preciso saber isso. Em breve, tal como noutros países, teremos pelo menos zonas em que vai começar a ocorrer transmissão na comunidade e isso não é nenhum drama. Queremos é atrasá-la e que seja o menos concentrado possível», acrescentou.
O país entra, desta forma, para a lista dos mais de 60 países com casos confirmados de infecção por coronavírus. O surto de coronavírus já provocou, pelo menos, 2.980 mortos e infectou mais de 87 mil pessoas. Mais de 41 recuperaram.
Além de 2.873 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Itália, Coreia do Sul, Japão, França, Taiwan, Austrália, Tailândia, Estados Unidos da América e Filipinas. Um português tripulante de um navio de cruzeiros, Adriano Maranhão, encontra-se hospitalizado no Japão. Nos Açores, há dois casos suspeitos.
*Notícia actualizada com mais informação às 15:20



