Coronavírus. Afinal, porque é que (quase) não afecta crianças?

Praticamente não há registo de casos de crianças infectadas com o surto de pneumonia provocado por um novo coronavírus, que começou em Dezembro na cidade de Wuhan, e as poucas que estão quase não têm sintomas, o que tem levantando grandes questões entre a comunidade científica. 

Executive Digest

Praticamente não há registo de casos de crianças infectadas com o surto de pneumonia provocado por um novo coronavírus, que começou em Dezembro na cidade de Wuhan, e as poucas que estão quase não têm sintomas, o que tem levantando grandes questões entre a comunidade científica. 

Segundo um um estudo publicado pela revista científica norte-americana Journal of the American Medical Association (JAMA), «a média de idades dos pacientes é entre os 49 e os 56 anos» e «os casos de crianças têm sido raros». A maioria dos casos registados em crianças têm sido mais ligeiros ou até assintomáticos.



A explicação mais comum é de que o sistema imunitário envelhece e torna-se mais frágil, o que deixa as pessoas mais velhas mais expostas ao vírus. «À medida que as pessoas envelhecem e se tornam idosas, o seu sistema imunitário fica mais debilitado, também envelhece e já não responde com a mesma eficácia que quando somos crianças», apontou Isabel Sola, investigadora do Laboratório de Coronavírus do Centro Nacional de Biotecnologia de Espanha, em declarações ao jornal espanhol “El Confidencial”.

A investigadora lembra que «ocorreu algo muito parecido com o SARS», ou Síndrome Respiratória Aguda Grave, uma infecção por coronavírus que resultou num surto mundial entre 2002 e 2003. Na altura, entre os mais de oito mil casos, o SARS atingiu apenas 135 crianças e nenhuma foi contabilizada para as 800 mortes registadas.

Uma das crianças que consta na estatística do coronavírus é um bebé. A televisão pública chinesa “CCTV” deu conta do caso de uma mulher grávida infectada com o novo coronavírus transmitiu a doença ao filho recém-nascido, na cidade chinesa de Wuhan, foco do surto. Os especialistas acreditam que pode tratar-se de um caso de «transmissão vertical?, isto é, uma criança que foi infectada pela sua mãe no útero, durante o parto ou logo após.

Os médicos confirmaram a transmissão 30 horas depois, no passado domingo, confirmou, esta quarta-feira, a equipa do Hospital Pediátrico de Wuhan, advertindo para a possibilidade de mulheres grávidas contagiadas com o novo coronavírus poderem transmiti-lo ao feto.

Já a investigadora do Laboratório de Coronavírus do Centro Nacional de Biotecnologia de Espanha sublinha que «há vírus que têm a capacidade de atravessar a placenta». Um exemplo de vírus que se transmite durante a gravidez, diz, é o zika, que, entre 2015 e 2016, afectou milhares de pessoas na América do Sul.

A China elevou esta sexta-feira para 636 mortos e mais de 31 mil infectados o balanço do surto de pneumonia provocado pelo coronavírus (2019-nCoV). Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há outros casos de infecção confirmados em mais de 20 países. Na Europa, o número de casos confirmados chegou na quinta-feira a 31, com novas infecções detectadas no Reino Unido, Alemanha e Itália

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.