O ex-presidente do CaixaBank, Isidro Fainé e o atual ‘número dois’ da entidade, Gonzalo Gortázar, testemunham esta semana perante o Tribunal Nacional de Espanha, como réus por supostos crimes corporativos no caso que investiga alegadas operações complexas para adquirir o banco português BPI, noticia a ‘Efe’.
Fainé será o primeiro a comparecer perante o Tribunal central de instrução número 5, num processo liderado pelo juiz José de la Mata, esta segunda-feira, dia em que intervirão também os representantes legais do CaixaBank e da holding Criteria, bem como o assessor presidencial, Alejandro García Bragado.
Amanhã, terça-feira, serão interrogados o ex-diretor geral de relações internacionais Antonio Massanell e o assessor Óscar Calderón, enquanto na quarta-feira será a vez de Gortázar e do então diretor da área regulatória, Juan Antonio Álvarez.
Segundo detalhou o juiz de la Mata, os testemunhos vão acontecer por videoconferência.
A queixa, apresentada por dois acionistas, foi admitida para tramitação em outubro de 2018, e investiga alegados crimes corporativos, abusos de mercado e administração desleal na compra do BPI.
O CaixaBank, que detinha uma participação minoritária no BPI desde 1995, fechou com sucesso a aquisição (ou takeover) do banco português em 2017 e passou a controlar 84,5% do seu capital, graças a um desembolso de 644,5 milhões euros.
A acusação aponta para que o CaixaBank tenha procedido a uma troca de ações com o Bank of East Asia (BEA) para poder entrar na participação do BPI, o que no final poderá ter causado um prejuízo de 687 milhões de euros, embora à data os administradores tenham reconhecido apenas um impacto negativo de 14 milhões.
Contudo, as contas anuais de 2017 incluem um prejuízo de 102 milhões de euros, efeito da “aquisição do banco BPI”.
Os queixosos sustentam que o CaixaBank concedeu um empréstimo de 400 milhões de euros ao Banco de Fomento de Angola (BFA), para que Isabel dos Santos, filha do então Presidente daquele país e que controlava cerca de 10% do BPI, apoiasse a entrada da entidade catalã no banco português.
Depois dos réus, o juiz convocou os autores das auditorias incorporadas ao processo para homologar os seus trabalhos em juízo. Especificamente, na quinta-feira, 1 de outubro, será a vez dos responsáveis pelas auditorias da KPMG, fornecidas pelo CaixaBank.









