Combustíveis: Cepsa admite “suspender, atrasar ou limitar” fornecimento

A Cepsa admitiu esta quinta-feira a hipótese de “suspender, atrasar ou limitar” o fornecimento de combustíveis, devido à situação que o setor atravessa neste momento.

Simone Silva

A Cepsa admitiu esta quinta-feira a hipótese de “suspender, atrasar ou limitar” o fornecimento de combustíveis, devido à situação que o setor atravessa neste momento, avança a ‘CNN Portugal’.

“Poderemos ser compelidos a suspender e/ou a atrasar os levantamentos e as entregas de produtos nos prazos habituais, bem como a limitar as quantidades levantadas por V. Exas. nas instalações da Cepsa”, lê-se num email da empresa aos distribuidores, a que estação teve acesso.



No mesmo email, a petrolífera que opera no mercado português apela ainda ao distribuidor para “limitar as quantidades solicitadas e levantadas por V. Exas. às vossas reais necessidades, por forma a permitir o abastecimento regular de toda a cadeia de valor e do mercado”.

A Multinews contactou a Cepsa que garantiu que “não está minimamente em causa o abastecimento dos postos de combustível, não vai nem está a haver racionamento”.

O email em que a Cepsa admitia a possibilidade de limitar combustível, explica, “foi enviado a um grupo muito especifico de clientes, de venda direta, ou seja, que têm os seus postos de combustível e não pertencem à rede”.

O objetivo foi apenas o de “apelar à racionalidade de todos os operadores, para que todos possam ter o seu abastecimento e evitar situações de açambarcamento, que podem levar a rutura”, conclui.

Da mesma forma, também pedimos uma posição às restantes empresas do setor. A BP e a Galp ainda não deram qualquer feedback.

A Repsol sublinha que tem “procurado responder a picos de procura com reforço antecipado do abastecimento. O regular abastecimento aos nossos Clientes tem decorrido normalmente. O comportamento dos consumidores será naturalmente imprevisível face a eventuais notícias especulativas sobre futuros aumentos de preços”.

Já a Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (APETRO) disse não saber de qualquer ação neste sentido, por parte de nenhuma das suas associadas, inclusive da Cepsa.

“De momento, não temos conhecimento de nenhuma carta da Cepsa, nem de que nenhuma das nossas associadas admita fazer algo semelhante”, disse fonte do organismo.

Os preços dos combustíveis têm aumentado para valores recorde todas as semanas, causando filas enormes de carros nas  bombas, de condutores que querem aproveitar enquanto o valor não sobe mais.

Na próxima semana espera-se uma nova subida, com os especialistas a prever que tanto o gasóleo como a gasolina registem aumentos recorde, depois de esta semana terem aumentado em média 14 e oito cêntimos respetivamente, segundo dados da Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG).

“Se a semana terminasse por aqui, o preço do gasóleo deveria aumentar cerca de 18 cêntimos por litro na segunda-feira, e o da gasolina 12 cêntimos”, adiantou fonte do setor à Multinews na terça-feira.

No entanto, a expetativa é que as cotações dos produtos continuem a subir até ao final da semana nos mercados internacionais – “sobretudo depois de Biden ter anunciado um embargo às importações de petróleo e gás russo para os Estados Unidos”, em resposta à invasão da Ucrânia, acrescenta a mesma fonte – pelo que as subidas poderão ser ainda mais expressivas.

Os combustíveis já subiram 10 vezes desde o início do ano, mostra a DGEG. Neste período, o preço do gasóleo valorizou 31 cêntimos por litro enquanto que o da gasolina ficou 25 cêntimos mais caro. Isto quer dizer que encher um depósito de 60 litros de gasolina custa mais 15 euros do que na primeira semana de janeiro. Já para atestar um depósito de gasóleo são precisos mais 19 euros do que há dez semanas. Só nesta última semana, a fatura subiu 5 e 8 euros, respetivamente.

Os dados da DGEG mostram que o preço médio do litro do gasóleo simples em Portugal custa atualmente 1,812 euros por litro, enquanto que o da gasolina simples 95 vale 1,917 euros. Nunca os portugueses pagaram tão caro por cada litro destes combustíveis e na próxima semana voltam a renovar recordes, com os preços médios a passar a barreira dos dois euros por litro, segundo as previsões.

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