Pelo menos cinco empresas encerraram e dezenas de outras podem paralisar as atividades no Parque Industrial de Beluluane, sul de Moçambique, devido à suspensão, domingo, da Mozal, maior fundição de África, disse hoje à Lusa fonte oficial.
“Nós estimamos um universo de 25 empresas que prestam bens e serviços à Mozal. Já fomos comunicados que a maioria destas empresas, em função daquilo que é a paralisação das atividades na Mozal, também estão a considerar acionar os mecanismos na mesma proporção”, disse Onório Manuel, diretor-geral da Mozparks, entidade que gere aquele parque industrial, o maior do país, a 20 quilómetros de Maputo.
O responsável explicou que com a Mozal – a maior indústria moçambicana, com mais 1.000 trabalhadores diretos e 4.000 indiretos – a entrar na fase de manutenção e conservação, espera-se agora que mais empresas comecem a fechar, já que algumas destas fábricas tinham de continuar em operação até ao momento da paralisação da fundição, “porque faziam parte do processo em si de desligamento em segurança da Mozal”.
“Neste momento já contamos com uma média de cinco que já encerraram as atividades, aquelas que estavam muito mais ligadas à produção, porque existem empresas de manutenção da parte elétrica, manutenção industrial e por aí em diante (…). Já lá vão cerca de 5 empresas que neste momento estão totalmente com atividades encerradas sem nenhuma perspetiva de retorno”, assinalou.
Segundo Onório Manuel, estas paralisações colocam em risco cerca de 4.000 postos de emprego das fábricas vizinhas àquela fundição: “Estamos a falar de inúmeros postos de trabalho das empresas ligadas a cadeia de valor da Mozal, não necessariamente da Mozal em si”.
Para o diretor-geral da Mozparks, com a saída da fábrica em Moçambique, prevê-se agora um impacto “nefasto” no ritmo de crescimento e desenvolvimento do parque, que estava, segundo o responsável, “muito acelerado e atraindo cada vez mais indústrias”.
“Mas este impacto não se reflete apenas no parque, reflete-se igualmente para a economia local da província e do país todo. A Mozal não é daquelas indústrias que o seu impacto repercute só numa unidade industrial, que é o Parque de Beleluane, é uma entidade com impacto de grande dimensão”, disse.
O responsável considerou ainda que a notícia do encerramento da Mozal chega a todos os mercados internacionais que de alguma forma podem ter interesse em Moçambique, trazendo um conjunto de riscos que retraem investimentos, sobretudo de grande dimensão, e com impacto significativo na Produto Interno Bruto (PIB) do País.
“Na cifra da indústria transformadora, no produto interno bruto, [a Mozal] contribuía com uma média de 49%, ou seja, o PIB de Moçambique é de 16 mil milhões de dólares [13,8 milhões de euros], a indústria transformadora contribui em 10%. Estamos a falar de 1,6 mil milhões de dólares [1,3 milhões de euros] de contribuição da indústria, quase a metade disso, é a contribuição da Mozal, então, até o PIB de Moçambique, sobretudo, no setor social, vai decrescer”, concluiu.
Na sexta-feira, a Lusa noticiou que a australiana South32 considerou “totalmente insustentável” a tarifa de energia proposta à fundição de alumínio Mozal, em Maputo, justificando assim o seu encerramento, a 15 de março, sem descartar reativar a maior indústria moçambicana, se as condições mudarem.
Numa recente chamada com investidores australianos, a cuja transcrição a Lusa teve acesso e que envolvia a apresentação dos últimos resultados do grupo que lidera a Mozal e outras fundições, o diretor-executivo, Graham Kerr, explicou que a “única oferta formal” para fornecimento de energia pela Eskom foi de quase 100 dólares por MegaWatt-hora (MWh), quando, “fora da China, menos de 1%” das fundições têm contratos acima de 50 dólares por MWh.



