China e EUA testam cães-robô armados para usar em combate

Os principais problemas destes cães-robô em cenário de combate são, para já, a bateria limitada e o atraso que podem causar no movimento dos soldados em campo.

Pedro Gonçalves

Depois do uso de drones em cenário de guerra ou combate se tornar habitual, há uma nova tecnologia que promete ser o futuro no que diz respeito à inovação em armamento: cães-robôs.

Depois de serem objeto de afeto e espanto, em vídeos virais que mostram os aparelhos robotizados com quatro patas, em tudo semelhantes a um cão, a dançarem ou a escalarem pequenos montes, os cães-robô alinham-se para se tornarem em máquinas de guerra com capacidade letal.



A China e os Estados Unidos alertaram ambos, na mesma semana, que planeiam começar a usar esta tecnologia em combate. Os aparelhos ainda estão em testes e não são, ara já, capazes de funcionar de forma completamente autónoma – necessitam de um operador com um comando remoto, mas tudo indica que será um ‘obstáculo’ ultrapassado em breve. Este avanço põe uma questão ética e legal, que os países que já têm esta tecnologia parecem não querer resolver. Afinal de contas, estamos a falar de uma máquina com inteligência artificial com uma arma de calibre militar instalada.

Os principais problemas destes cães-robô em cenário de combate são, para já, de acordo com o El Cofidencial, a bateria limitada e o atraso que podem causar no movimento dos soldados em campo (uma vez que não se movimenta à mesma velocidade do que os humanos). Ainda assim, EUA e China têm preparada uma estratégia já a pensar nesta tecnologia.

Shannon Nielsen, diretor da Task Force de Combate Próximo Letal do Departamento de Defesa dos EUA, referiu há poucos dias que o seu objetivo era dar novas ideias e programas aos comandos militares mais altos para manter a vantagem em cenário de combate. Entre os avanços tecnológicos preparados está o Veículo de Terreno Não-Manobrado V60, um cão-robô desenvolvido pela Ghost Robotics, ao qual é acrescentada uma arma SPUR, que também não necessita de um soltado a olhar pela mira com o dedo no gatilho.

 

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Descrevem os criadores deste equipamento que “é capaz de operar numa magnitude de condições adversas, quer de dia ou de noite”. Um tiro disparado por uma destas armas é capaz de atingir alvos a mais de um quilómetro de distância.

Já na China, imagens divulgadas na rede social Weibo mostram um drone a aterrar no topo de um edifício e a libertar um equipamento eletrónico: um cão-robô equipado com uma metralhadora, alegadamente desenvolvido pela Blood-Wing para o Ministério da Defesa da China. A tecnologia é descrita como ideal “para atacar a retaguarda do inimigo ou um ponto-fraco, lançar um ataque surpresa ou ser colocada no topo de um edifício para eliminar a força de combate inimiga”.

O tema dos robôs-militares com força letal tem gerado debate global e grande oposição de alguns grupos, como a Stop Killer Robots, a ICCR ou a SEPRI, que reclamam que seja desenvolvida legislação que proíba este tipo de tecnologia ou que seja assinado um tratado internacional para que estes robôs sejam sujeitos às regras convencionais de guerra, que previnem que os equipamentos sejam capazes de atacar sem qualquer controlo humano.

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