Assinala-se este domingo, 29 de maio, o Dia Mundial das Doenças Digestivas. Nesse sentido, a Médis, em colaboração com a Dra. Cláudia Ribeiro de Jesus, decidiu alertar para o cancro digestivo, dando a conhecer mais sobre esta doença.
“O cancro do tubo digestivo mata um português por hora, segundo a estimativa da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, e tem registado um aumento do número de casos nos últimos anos”, revelam.
No entanto, acrescenta, “também é um facto que há cada vez mais meios para lutar contra a doença, sobretudo quando diagnosticada em fase precoce”.
“Tal como todas as outras doenças oncológicas, também o cancro digestivo (cólon e reto, estômago, fígado, pâncreas e esófago) tem aumentado devido ao aumento da esperança média de vida e de maus hábitos alimentares, obesidade e sedentarismo”, apontam.
Mas quais os fatores de risco?
Além destes hábitos de vida prejudiciais, existem fatores de risco que têm uma correlação mais forte com cada tipo de cancro:
· Para o cancro do fígado, que é responsável por cerca de mil mortes por ano em Portugal, salienta-se o consumo excessivo de álcool, a obesidade mórbida (que poderá aumentar o risco em 4,5 vezes no homem e 1,7 vezes na mulher) e a diabetes.
· No cancro do estômago, doença que em Portugal apresenta a incidência mais elevada dos países da Europa ocidental e que é responsável por 2.300 mortes anuais, o sal e os alimentos fumados podem reconhecidamente promover a formação de cancro.
· No cancro do pâncreas, que vitima cerca de 1.500 pessoas anualmente em Portugal, são reconhecidos como fatores de risco a história familiar (pais ou irmãos), que eleva o risco em cerca de três vezes. Também a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas e a instalação de pancreatite crónica, a presença de diabetes e idade superior a 60 anos, poderão aumentar significativamente o risco.
· No cancro do esófago, que vitima no nosso país cerca de 700 casos por ano, destacam-se a ingestão regular de alimentos com temperaturas elevadas (nomeadamente líquidos), que podem causar lesões térmicas e promover alterações celulares, favorecendo a formação de cancro.
Como diagnosticar e prevenir?
“A implementação de hábitos saudáveis nas populações é a primeira estratégia de prevenção destas doenças. Ter uma dieta mediterrânica, rica em vegetais, fruta, azeite, sementes, feijão, grão, cereais e nozes; praticar exercício físico regular e ingerir líquidos em abundância no quotidiano; não fumar e consumir bebidas alcoólicas com moderação são algumas opções que podem fazer a diferença na sua saúde”, defendem.
Contudo, “os fatores genéticos e hereditários devem ser sempre considerados, pois influenciam o tipo de estratégia de vigilância e rastreio que é necessário ter”, ressalvam. A prevenção secundária, altamente eficaz em alguns casos, deve ser implementada através de rastreios e segundo a condição e histórico de cada pessoa:
· a colonoscopia a partir dos 50 anos nos cidadãos sem risco familiar aumentado (no caso dos tumores do cólon)
· a erradicação do Helicobacter Pylori em indivíduos de risco (no caso do cancro do estômago)
· a vigilância ecográfica regular nos doentes com hepatites víricas ou doença hepática alcoólica (no caso do cancro do fígado).
A Médis sublinha ainda que “alguns destes tumores são mesmo evitáveis, como acontece no cancro do intestino. Em 95% dos casos, a lesão maligna é precedida por uma lesão benigna (pólipo), facilmente retirada no decorrer da colonoscopia, impedindo, assim, o aparecimento do cancro”.
“Este cancro continua, contudo, a aumentar nos últimos anos, o que prova que os meios de prevenção não estão a ser completa e eficazmente aplicados”, refere adiantando que “mesmo em situações em que o cancro digestivo não seja completamente evitável, o seu diagnóstico precoce traduz-se num prognóstico infinitamente melhor, em muitos casos com cura após os tratamentos necessários”.
Assim, apela, “esteja atento aos sintomas mais frequentes (dor abdominal, náuseas e vómitos, perda de apetite, saciedade mesmo com porção pequena de alimentos, perda de peso, dificuldade em deglutir e sensação de massa anormal no abdómen) e consulte o seu médico regularmente de modo que possa fazer o rastreio atempadamente”.



