Os preços de alguns alimentos essenciais voltaram a subir de forma significativa na última semana, com destaque para a carne de novilho para cozer e a pescada fresca, que registaram aumentos superiores a 50 cêntimos em apenas sete dias. A subida contribui para manter o custo dos alimentos em níveis elevados, apesar de uma ligeira descida no valor total do cabaz alimentar.
De acordo com a monitorização semanal da DECO PROteste, a carne de novilho para cozer foi um dos produtos que mais encareceu. O preço subiu 56 cêntimos numa semana, enquanto a pescada fresca registou um aumento de 54 cêntimos no mesmo período.
Estas subidas destacam-se entre as maiores variações registadas recentemente e refletem a volatilidade que continua a marcar o preço de vários produtos alimentares essenciais.
Além da subida expressiva em euros, alguns produtos também registaram aumentos relevantes em termos percentuais. O iogurte líquido foi o que mais aumentou em termos relativos, com uma subida de 9%, seguido do carapau, que encareceu 6%, e da pescada fresca, que subiu cerca de 5%.
Outro produto que voltou a encarecer foi o café torrado moído. Uma embalagem de 250 gramas custa agora, em média, 4,72 euros, depois de ter subido 33 cêntimos, o equivalente a 7%, na última semana.
Apesar desta subida, o café já chegou a atingir valores ainda mais elevados recentemente. A 11 de fevereiro, o preço médio deste produto chegou aos 5,28 euros, o valor mais alto registado desde que a associação começou a acompanhar a evolução do cabaz alimentar, em janeiro de 2022.
No conjunto dos 63 produtos essenciais analisados, o custo total do cabaz alimentar registou uma ligeira descida na primeira semana de março. O valor fixou-se nos 251,76 euros, menos 1,42 euros do que na semana anterior, o que representa uma redução de 0,56%.
Apesar deste recuo pontual, o cabaz alimentar continua significativamente mais caro do que no início do ano e muito acima dos valores registados há quatro anos. Em comparação com a primeira semana de 2026, o cabaz custa agora mais 9,94 euros, um aumento de 4,11%.
Se a comparação for feita com a primeira semana de 2022, quando a monitorização começou, o aumento é ainda mais expressivo: o cabaz está 64,06 euros mais caro, o que corresponde a uma subida de 34,13%.
A análise da DECO PROteste baseia-se na recolha semanal de preços nos principais supermercados com loja online. Todas as quartas-feiras é calculado o custo total do cabaz com base nos valores registados no dia anterior.
Para obter esse valor, é calculado primeiro o preço médio de cada produto nas diferentes lojas online. Depois, ao somar o preço médio de todos os produtos analisados, obtém-se o custo total do cabaz alimentar naquele momento.
Quando se analisam as variações desde o início do ano, os aumentos mais significativos registaram-se em produtos como a curgete, cujo preço subiu 50%, a dourada, com um aumento de 24%, e a couve-coração, que encareceu 21%.
Já numa análise mais longa, desde janeiro de 2022, os maiores aumentos percentuais verificaram-se na carne de novilho para cozer, que encareceu 129%, nos ovos, que subiram 85%, e novamente na couve-coração, com um aumento de 79%.
A subida dos preços dos alimentos nos últimos anos está ligada a vários fatores internacionais e nacionais. Um dos principais foi a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, que perturbou o abastecimento de cereais utilizados em grande escala na União Europeia.
Ao mesmo tempo, o setor agroalimentar enfrentava ainda os efeitos da pandemia de covid-19 e períodos de seca que afetaram a produção agrícola. A escassez de matérias-primas e o aumento dos custos de produção — sobretudo energia, fertilizantes e transporte — acabaram por pressionar os preços pagos pelos consumidores.
Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística, a taxa de inflação em Portugal fixou-se em 2,3% em 2025, ligeiramente abaixo dos 2,4% registados em 2024. Já em fevereiro de 2026, as estimativas apontam para uma nova aceleração, com a inflação a subir de 1,9% em janeiro para 2,1%.








