BMW alerta: cortar laços com a China pode comprometer futuro do automóvel europeu

Oliver Zipse integrará a delegação de líderes empresariais que acompanhará o chanceler alemão Friedrich Merz na sua primeira visita oficial à China

Automonitor
Fevereiro 24, 2026
13:24

Virar as costas à China colocaria em risco o futuro económico da indústria automóvel europeia. O aviso é de Oliver Zipse, líder da BMW, numa altura em que Berlim prepara uma deslocação oficial a Pequim num contexto de crescentes tensões comerciais, noticiou o ‘Motor1’.

Zipse integrará a delegação de líderes empresariais que acompanhará o chanceler alemão Friedrich Merz na sua primeira visita oficial à China. A deslocação ocorre num momento delicado para o comércio global e poderá definir o rumo das relações entre a maior economia da União Europeia e o seu principal parceiro comercial.



A viagem surge na sequência de iniciativas semelhantes de outros líderes europeus e está a ser acompanhada com atenção, dado o peso estratégico do setor automóvel nas trocas entre Alemanha e China. Para a BMW e para outros construtores alemães, o mercado chinês não é apenas um destino de exportação, mas um eixo central da sua estratégia industrial.

Zipse defende que os grandes desafios tecnológicos e industriais não podem ser enfrentados de forma isolada. A China, maior mercado mundial em volume de vendas automóveis, é também um polo de inovação cada vez mais influente. Ignorar esta realidade significaria, na sua perspetiva, abdicar de oportunidades decisivas de crescimento e competitividade.

A missão empresarial inclui ainda os líderes da Volkswagen e da Mercedes-Benz, sinalizando a relevância da indústria automóvel na diplomacia económica alemã. Nos últimos anos, os fabricantes germânicos reforçaram investimentos na China, ampliando unidades de produção e parcerias locais para consolidar a sua presença no maior mercado automóvel do mundo.

Concorrência feroz e pressão nas margens

O apelo à cooperação surge num cenário particularmente exigente. Na China, a guerra de preços intensificou-se, impulsionada por incentivos estatais aos veículos elétricos e pelo crescimento acelerado das marcas nacionais. Para grupos como BMW, Volkswagen e Mercedes-Benz, isso traduz-se numa pressão crescente sobre margens e quotas de mercado.

Ao mesmo tempo, a transformação tecnológica do setor acelera. Propulsão elétrica, plataformas de software e sistemas avançados de assistência à condução tornaram-se campos de batalha industriais, com fabricantes chineses a ganhar terreno rapidamente.

Neste contexto, a visita da delegação alemã ultrapassa a dimensão diplomática. Para a indústria automóvel europeia, manter uma posição forte na China poderá ser determinante para preservar competitividade global, sustentar investimentos em inovação e garantir o futuro de um dos pilares industriais do continente.

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