Mau tempo: Risco de incêndio maior na Mata de Leiria se maioria da carga combustível não for retirada

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) admitiu hoje que se parte significativa da carga de combustível originada pela depressão Kristin não for retirada da Mata Nacional de Leiria o risco de incêndio será maior.

Executive Digest com Lusa

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) admitiu hoje que se parte significativa da carga de combustível originada pela depressão Kristin não for retirada da Mata Nacional de Leiria o risco de incêndio será maior.

“Se nós não conseguirmos retirar parte significativa da carga de combustível, sim, o risco de incêndio poderá ficar maior”, afirmou à agência Lusa o diretor regional do Centro do ICNF, Paulo Farinha Luís, após ser questionado se a depressão tornou mais vulnerável a Mata Nacional de Leiria (MNL) a eventuais incêndios.

De acordo com Paulo Farinha Luís, se o ICNF conseguir “agir ainda com impacto até ao verão esse problema” é o que se quer evitar.

A MNL, também conhecida pelo Pinhal do Rei ou Pinhal de Leiria, ocupa dois terços do concelho da Marinha Grande. Tem 11.021 hectares e é gerida pelo ICNF.

Nos incêndios de outubro de 2017, 86% da sua área ardeu e o que sobreviveu àqueles fogos – 1.200 hectares, sobretudo árvores adultas – a depressão Kristin “partiu ou derrubou na sua quase totalidade”, declarou este responsável do ICNF.

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Reconhecendo que “o impacto é muito significativo, o grau de destruição é muito elevado” no pinhal adulto da MNL, o diretor regional destacou, em contraponto, que “a esmagadora maioria da área intervencionada na recuperação da mata pós-incêndios de 2017 não foi afetada ou foi afetada residualmente”.

“Temos cerca de nove mil hectares, um pouco mais, que não tiveram afetação”, realçou, observando tratar-se de pinhais jovens, que “eram mais flexíveis” e “não sucumbiram à força do vento” porque lhe ofereciam “menos resistência”.

Após o embate da depressão Kristin, no dia 28 de janeiro, a prioridade na MNL foi “dirigida às pessoas e bens, à sua proteção, à estabilização dos solos, à prevenção de riscos imediatos e à recuperação daquilo que são infraestruturas básicas”, como eletricidade ou comunicações.

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“Tivemos uma segunda preocupação, que era a desobstrução das vias, primeiro das vias principais que possibilitavam a circulação das pessoas em segurança”, declarou Paulo Farinha Luís, esclarecendo que, no que se refere às estradas florestais, este trabalho possa estar concluído nas “próximas semanas”.

Paulo Farinha Luís realçou a importância desta desobstrução pois permite a circulação das viaturas da Proteção Civil e a exploração florestal.

Um objetivo também de curto prazo, mas que vai demorar “mais tempo”, é a retirada de toda a carga combustível (árvores, biomassa, resíduos florestais) nos 1.200 hectares, declarou o vogal do Conselho Diretivo do ICNF.

Esta ação visa “evitar o risco de incêndio no verão e evitar potenciais problemas fitossanitários que possam decorrer de as árvores estarem no chão”, precisou, para salientar que “é o principal grande objetivo desta fase pós-libertação dos caminhos [florestais]”.

Reconhecendo limitações neste trabalho face à “quantidade de recursos disponíveis do ICNF” e à “capacidade de exploração do país”, Paulo Farinha Luís afirmou que se o instituto não conseguir retirar tudo até ao verão, pretende que “seja possível que isso aconteça numa parte muito, muito significativa”.

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“E se conseguirmos fazer, priorizando aquilo que são zonas de maior risco e zonas que potencialmente possam fazer com que os incêndios sejam maiores, que mesmo não conseguindo completar a tarefa na sua totalidade, conseguimos chegar ao verão com a resolução dos problemas mais significativos do risco de incêndio”, assegurou.

Neste aspeto, notou que “haverá sempre risco, como é evidente, mas estará minimizado”, apontando como estimativa a existência nos 1.200 hectares afetados pelo mau tempo de “cerca de 140 mil metros cúbicos de material lenhoso”.

Após a retirada do material lenhoso, combustível e madeira, tem “início imediatamente o processo de recuperação da mata através da regeneração natural”, acrescentou o diretor regional do Centro do ICNF.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no dia 15 de fevereiro.

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