Benjamin Netanyahu, acusado de corrupção, é ouvido hoje em tribunal

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, comparece esta segunda-feira ao tribunal distrital de Jerusalém para mais uma sessão do seu julgamento por corrupção. A audição surge após um adiamento na semana passada devido a problemas de saúde de um dos juízes responsáveis pelo caso, Moshe Bar Am, que foi diagnosticado com gripe.

Pedro Gonçalves

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, comparece esta segunda-feira ao tribunal distrital de Jerusalém para mais uma sessão do seu julgamento por corrupção. A audição surge após um adiamento na semana passada devido a problemas de saúde de um dos juízes responsáveis pelo caso, Moshe Bar Am, que foi diagnosticado com gripe.

A defesa do chefe de governo israelita já antecipou que o processo poderá arrastar-se por vários meses, dada a complexidade das acusações e a quantidade de provas e testemunhas envolvidas. Netanyahu, que se tornou o primeiro chefe de governo da história de Israel a enfrentar um julgamento enquanto exerce o cargo, rejeita todas as acusações e alega ser vítima de uma perseguição política.



Caso 4000: a acusação mais grave contra Netanyahu
O caso mais sério no qual Netanyahu está implicado é o chamado Caso 4000. Neste processo, o primeiro-ministro é acusado de suborno, fraude e abuso de confiança por ter alegadamente aprovado regulamentos que beneficiaram diretamente o empresário Shaul Elovitch, acionista maioritário do grupo Bezeq, em troca de uma cobertura mediática favorável ao seu governo no portal de notícias israelita Walla.

A acusação sustenta que Netanyahu, na sua qualidade de chefe do governo e ministro das Comunicações na altura dos factos, interveio para garantir que as decisões regulatórias favorecessem a Bezeq, um dos maiores conglomerados de telecomunicações de Israel. Em troca, a plataforma de notícias Walla, pertencente ao grupo, teria ajustado a sua linha editorial para favorecer Netanyahu e a sua família.

Outros processos: presentes ilegais e manipulação da imprensa
Além do Caso 4000, Netanyahu enfrenta outras acusações de corrupção. Num dos processos, o primeiro-ministro é acusado de fraude e abuso de confiança por ter recebido presentes ilegais avaliados em 700.000 shekels (cerca de 183.000 euros) de empresários influentes em troca de favores políticos e benefícios pessoais.

Outro caso envolve um suposto esquema para prejudicar o jornal Israel Hayom – que tradicionalmente mantém uma linha editorial favorável ao primeiro-ministro – a favor do seu concorrente, o diário Yedioth Ahronoth. Segundo a acusação, Netanyahu teria negociado uma cobertura mais favorável no Yedioth em troca de medidas que enfraqueceriam o Israel Hayom, financiado pelo bilionário norte-americano Sheldon Adelson.

A abertura do julgamento, que começou a 10 de dezembro de 2024, teve repercussões profundas no panorama político israelita. Netanyahu, que lidera uma coligação governamental fragilizada por dissidências internas e pressões externas, tem usado a sua base política para se defender, denunciando uma “caça às bruxas” conduzida pelo sistema judicial e pelos seus opositores.

Com o processo a avançar lentamente e novas audições previstas para os próximos meses, o destino político e legal de Netanyahu permanece incerto. Se for considerado culpado, poderá enfrentar penas severas, incluindo a perda do cargo e eventual prisão. Contudo, o primeiro-ministro continua a lutar politicamente e juridicamente para prolongar o julgamento e manter-se no poder enquanto o tribunal delibera sobre o seu futuro.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.