BE considera irresponsável possível extinção da delegação do INEM no Algarve

O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) classificou hoje como irresponsável a possível extinção da delegação do Algarve do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), sublinhando que está em causa a segurança das pessoas.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 21, 2026
14:48

*** Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***



Loulé, Faro, 21 fev 2024 (Lusa) — O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) classificou hoje como irresponsável a possível extinção da delegação do Algarve do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), sublinhando que está em causa a segurança das pessoas.


Em declarações à Lusa à margem de uma reunião com dirigentes da delegação algarvia do INEM, em Loulé, José Manuel Pureza, considerou que, a avançar, a medida é “pura irresponsabilidade”, ainda mais na única região do país que, durante três meses, triplica a população residente.


“[…], Portanto, é irresponsabilidade pura acabar com este serviço, tirar-lhe a autonomia, tirar-lhe a sua existência própria, não faz nenhum sentido, é pura irresponsabilidade”, sublinhou o coordenador do BE, pedindo à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que clarifique o que vai acontecer.


O novo edifício da delegação regional do Algarve do INEM, que representa um investimento de cerca de dois milhões euros, foi inaugurado em maio de 2024, numa cerimónia que contou com a presença da governante.


A Comissão Técnica Independente (CTI) para a refundação do INEM propôs a criação de uma central única de atendimento juntando o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e SNS24, e que deverá contar com três centrais regionais, em Lisboa, Porto e Coimbra.


Assim, tendo em conta o parecer desta comissão, a delegação regional do Algarve ficaria excluída do organograma do futuro Serviço Público de Emergência Médica e Pré-Hospitalar, no âmbito da proposta de reestruturação do Serviço de Emergência Médica.


“Esta casa [INEM] teve um momento, que foi em 2012, na altura da ‘troika’, em que a sua autonomia foi perdida, recuperou-a em 2023 e agora o relatório da Comissão Técnica Independente […] ignora a existência deste serviço no Algarve e, portanto, o que resulta desse relatório parece ser o regresso a uma situação em que o INEM Algarve não existia autonomamente”, referiu.


Considerando que a possível extinção da delegação do INEM no Algarve é “absolutamente inaceitável”, José Manuel Pureza acrescentou que a medida seria uma “machadada muito forte” para o setor da saúde na região, que já se debate com problemas estruturais.


“[…] Nós bem sabemos que a promessa do Hospital do Algarve é uma promessa sempre adiada, por outro lado, mesmo a emergência médica […] se confronta com falta de valências em estabelecimentos hospitalares existentes nesta parte do país e, portanto, as pessoas têm que muitas vezes ser enviadas para Lisboa para poderem ter os cuidados clínicos necessários e, portanto, há um ‘déficit’ grande de prestação, de garantia, de segurança, lá está, na área da saúde, neste território do país”, frisou.


Para o coordenador do BE, trata-se de uma “questão de política nacional que precisa de ser resolvida com coragem”, sendo que o partido fará “aquilo que tem de fazer para que isso aconteça”, embora não tenha havido ainda nenhum anúncio formal no sentido da extinção deste serviço.


“Portanto, o Bloco está aqui para dizer à ministra da Saúde que não se atreva a seguir aquilo que está enunciado no relatório, porque isso é um atentado contra a segurança das pessoas no Algarve, contra o seu direito à saúde, não pode ser”, defendeu.


José Manuel Pureza aproveitou para pedir à ministra da Saúde que clarifique o que vai ser feito relativamente à delegação do Algarve do INEM rapidamente, pois esta situação não pode ser deixada num limbo.


“[…] É bem certo que a reestruturação do serviço de emergência médica no todo nacional deve levar o tempo que tem de levar para que as coisas sejam feitas com ponderação, com maturidade, mas há, digamos, um alarme legitimamente criado na população do Algarve que precisa de ser aplacada rapidamente”, concluiu.


O edifício da delegação regional do INEM, em Loulé, integra um centro de formação, o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), gabinetes de coordenação regional e de enfermagem, apoio logístico e instalações operacionais.


O edifício insere-se na Cidadela da Segurança e Proteção Civil de Loulé de Loulé, onde se encontram concentrados o quartel dos Bombeiros Municipais, o Comando Regional de Emergência e Proteção Civil (CREPC) e o heliporto municipal, uma das bases dos helicópteros do INEM.


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