A presidente do espanhol Bankinter, Maria Dolores Dancausa, disse hoje que o grupo espanhol não tem intenção de fazer mais aquisições de bancos em Portugal.
“Não temos qualquer intenção, neste momento, de adquirir alguma entidade em Portugal ou em um outro país. Estamos muito centrados no crescimento orgânico também em Portugal e seguimos muito consistentes nisso”, afirmou Dancausa em conferência de imprensa a partir de Madrid.
Segundo a responsável, caso haja algum banco à venda em Portugal a sua equipa analisará, como sempre faz, mas não tem qualquer projeto de fazer esse tipo de investimentos.
Em 2020, o Bankinter tinha admitido que avaliaria a oportunidade de aquisição do Novo Banco quando este fosse colocado no mercado.
O espanhol Bankinter divulgou hoje lucros de 1.333 milhões de euros em 2021, que incluem a mais-valia extraordinária da venda da seguradora ‘Línea Directa’. Sem essa operação, o banco teria um lucro líquido 437,4 milhões de euros, 37,9% superior ao resultado de 2020.
Em Portugal, em 2021, o banco teve um lucro antes de impostos de 50 milhões de euros, mais 11,5% do que em 2020 (45,1 milhões de euros), mas menos 23,2% do que em 2019 (quando atingiu lucros antes de impostos de 65,6 milhões de euros, o melhor ano desde que está em Portugal).
Segundo Dancausa, a operação do Bankinter em Portugal é “pequena mas tem um grande potencial futuro”, considerando os 50 milhões de euros conseguidos em 2021 um valor “francamente bom”.
Na atividade em Portugal, de 2020 para 2021, a margem financeira subiu 5% para 99 milhões de euros e as comissões líquidas 22% para 61 milhões de euros, tendo os gastos aumentado 4% para 86 milhões de euros.
A carteira de crédito aumentou 6% para 6,9 mil milhões de euros e os recursos dos clientes aumentaram 23% para 5,9 mil milhões de euros.
As provisões constituídas foram de 15 milhões de euros em 2021, acima dos 9,0 milhões de 2020.
Questionado sobre mais provisões constituídas, o diretor financeiro, Jacobo Diaz, disse que “não há em Portugal nenhum problema de malparado” e o que aconteceu é que em anos anteriores foram libertadas provisões acumuladas e não usadas, pelo que a comparação “é enganosa e faz parecer que há uma deterioração” da qualidade do crédito.
Segundo o diretor financeiro, o rácio de malparado em Portugal é de 1,8%.
Sobre eventuais movimentos nas taxas de juro, disse que não deverão ser negativas para o crédito malparado em Portugal, até porque – disse – caso aconteçam este ano mexidas nas taxas de juro pelo Banco central Europeu (BCE) essas deverão ser ligeiras.
O responsável disse ainda que a conta de resultados da operação em Portugal não tem qualquer impacto de investimentos em dívida soberana, uma vez que a gestão dessa dívida no grupo Bankinter é centralizada e a conta de resultados de Portugal não tem qualquer exposição a essas variações de valor.
O grupo espanhol Bankinter está em Portugal desde 2016, quando comprou parte da atividade e a rede comercial do Barclays.
Segundo disse à Lusa fonte oficial, o Bankinter Portugal tem 770 trabalhadores e 81 agências.






