2026. Acima de tudo, transformação, num ano desafiante, marcado por imprevisibilidade e rápidas mudanças no cenário global e que exige dinamismo de todos. Neste ambiente, a confiança será uma ferramenta decisiva para permitir o progresso e a evolução de Portugal. Para compreender os principais desafios e metas que Portugal enfrentará nos próximos meses, a Executive Digest ouviu vários líderes de empresas e instituições nacionais.
Nesse sentido, ficaremos a conhecer o que Pedro Brito, Vice Dean e CEO da Nova SBE Executive Education, antecipa para um ano que exige, com responsabilidade, decisão, execução, equilíbrios delicados, optimismo e esperança (com cheiro a pólvora) e ambição colectiva.
- Quais os maiores desafios e alterações que o seu sector e empresa, em particular, pode enfrentar em 2026?
- Que impacto terá o actual quadro geopolítico no seu sector?
- Alguma oportunidade que a sua empresa/ sector não pode perder em 2026?
- Uma palavra que possa definir 2026.
1. Vejo 2026 como um ponto de viragem não apenas para a formação de executivos, mas para a educação em geral. Se, antes, o desafio incidia sobre o acesso ao conhecimento, agora vemos que nunca houve tanta informação disponível. Ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil transformá-la em decisões claras, sustentáveis e com impacto real.
O nosso setor vive hoje vários paradoxos críticos: as empresas exigem velocidade, retorno e execução imediata, mas os líderes não têm tempo para fazer uma pausa para recuperar, refletir, integrar e decidir melhor.
A inteligência artificial acelera processos e amplia capacidades, mas também amplifica um problema estrutural: o excesso de informação. Produzimos hoje mais conteúdo, relatórios e inputs do que nunca, muitas vezes sem síntese ou hierarquização. Este excesso acrescenta fadiga e contribui para uma sensação difusa de perda de sentido.
Neste contexto, 2026 irá, na minha opinião, acelerar a reinvenção da educação executiva. Será necessário redesenhar modelos pedagógicos centrados no desenvolvimento do líder, combinando exigência com cuidado, ambição com equilíbrio, performance com saúde física e emocional.
2. Muitos dos movimentos a que assistimos a nível global terão um impacto direto na mobilidade de talento e no ecossistema global da educação, manifestando-se sobretudo em quatro dimensões:
- Centralidade da literacia geopolítica na liderança
Nunca os executivos se preocuparam tanto em compreender a política e economia global. As implicações holísticas das decisões são hoje indissociáveis, fazendo com que a leitura geopolítica deixe de ser uma competência periférica para se tornar central na tomada de decisão.
- Nova exigência na internacionalização da educação executiva
A internacionalização do setor implica uma compreensão profunda de riscos geopolíticos, cadeias de valor globais, soberania tecnológica, segurança de dados e resiliência organizacional, muito para além da simples expansão geográfica.
- Pressão para maior liberalização e agilidade dos sistemas educativos
Num mercado global cada vez mais aberto, onde talento, capital e conhecimento circulam rapidamente, os sistemas educativos precisam de maior liberdade e capacidade de adaptação. Sem essa agilidade perde-se relevância em relação a plataformas globais e novos modelos altamente escaláveis.
- Mudança nas expectativas das empresas
As empresas procuram formação de executivos capazes de responder a desafios globais e não apenas a contextos locais. Valorizam parceiros que compreendam diferentes realidades culturais, regulatórias e económicas e que preparem líderes para operar em ambientes multiculturais, politicamente sensíveis e sob elevada pressão externa.
3. A oportunidade de 2026 para a educação executiva é crescer em parceria: com empresas, outras escolas, universidades, startups e instituições públicas. Num contexto de transformação acelerada, nenhuma organização conseguirá responder sozinha. O futuro do setor passa menos pela competição e mais pela capacidade de construir ecossistemas de aprendizagem que nos sirvam a todos.
Ao mesmo tempo, 2026 traz a oportunidade de redefinir a própria noção de performance. Num contexto de exaustão generalizada, ajudar as lideranças a compreender que parar não é falhar – é recuperar para avançar. Falo de sustentabilidade organizacional.
Se o setor aproveitar esta convergência entre parcerias, inteligência artificial e desenvolvimento humano, 2026 poderá marcar o momento em que a educação executiva se afirma como um verdadeiro laboratório de futuro para a liderança.
4. REGENERAÇÃO.





