As perspectivas dos líderes para 2026: Pedro Brito, Vice Dean e CEO da Nova SBE Executive Education

A visão de Pedro Brito, Vice Dean e CEO da Nova SBE Executive Education.

André Manuel Mendes
Fevereiro 26, 2026
17:04

2026. Acima de tudo, transformação, num ano desafiante, mar­cado por imprevisibilidade e rápidas mudanças no cenário global e que exige dinamismo de todos. Neste ambiente, a confiança será uma ferramenta decisiva para permitir o progresso e a evolução de Portugal. Para compreender os principais desafios e metas que Portugal enfrentará nos próximos meses, a Executive Digest ouviu vários líderes de empresas e instituições nacionais.

Nesse sentido, ficaremos a conhecer o que Pedro Brito, Vice Dean e CEO da Nova SBE Executive Education, antecipa para um ano que exige, com responsabilidadedecisãoexecuçãoequilíbrios delicados, optimismo esperança (com cheiro a pólvora) ambição colectiva.



  1. Quais os maiores desafios e alterações que o seu sector e empresa, em particular, pode enfrentar em 2026?
  2. Que impacto terá o actual quadro geopolítico no seu sector?
  3. Alguma oportunidade que a sua empresa/ sector não pode perder em 2026?
  4. Uma palavra que possa definir 2026.

 

1. Vejo 2026 como um ponto de viragem não apenas para a formação de executivos, mas para a educação em geral. Se, antes, o desafio incidia sobre o acesso ao conhecimento, agora vemos que nunca houve tanta informação disponível. Ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil transformá-la em decisões claras, sustentáveis e com impacto real.

O nosso setor vive hoje vários paradoxos críticos: as empre­sas exigem velocidade, retorno e execução imediata, mas os líderes não têm tempo para fazer uma pausa para recuperar, refletir, integrar e decidir melhor.

A inteligência artificial acelera processos e amplia capa­cidades, mas também amplifica um problema estrutural: o excesso de informação. Produzimos hoje mais conteúdo, relatórios e inputs do que nunca, muitas vezes sem síntese ou hierarquização. Este excesso acrescenta fadiga e contribui para uma sensação difusa de perda de sentido.

Neste contexto, 2026 irá, na minha opinião, acelerar a reinvenção da educação executiva. Será necessário redesenhar modelos pedagógicos centrados no desenvolvimento do líder, combinando exigência com cuidado, ambição com equilíbrio, performance com saúde física e emocional.

2. Muitos dos movimentos a que assistimos a nível global terão um impacto direto na mobilidade de talento e no ecossistema global da educação, manifestando-se sobretudo em quatro dimensões:

  • Centralidade da literacia geopolítica na liderança

Nunca os executivos se preocuparam tanto em compreender a política e economia global. As implicações holísticas das decisões são hoje indissociáveis, fazendo com que a leitura geopolítica deixe de ser uma competência periférica para se tornar central na tomada de decisão.

  • Nova exigência na internacionalização da educação executiva

A internacionalização do setor implica uma compreensão profunda de riscos geopolíticos, cadeias de valor globais, soberania tecnológica, segurança de dados e resiliência orga­nizacional, muito para além da simples expansão geográfica.

  • Pressão para maior liberalização e agilidade dos sistemas educativos

Num mercado global cada vez mais aberto, onde talento, capital e conhecimento circulam rapidamente, os sistemas educativos precisam de maior liberdade e capacidade de adaptação. Sem essa agilidade perde-se relevância em relação a plataformas globais e novos modelos altamente escaláveis.

  • Mudança nas expectativas das empresas

As empresas procuram formação de executivos capazes de responder a desafios globais e não apenas a contextos locais. Valorizam parceiros que compreendam diferentes realidades culturais, regulatórias e económicas e que preparem líderes para operar em ambientes multiculturais, politicamente sensíveis e sob elevada pressão externa.

3. A oportunidade de 2026 para a educação executiva é crescer em parceria: com empresas, outras escolas, univer­sidades, startups e instituições públicas. Num contexto de transformação acelerada, nenhuma organização conseguirá responder sozinha. O futuro do setor passa menos pela com­petição e mais pela capacidade de construir ecossistemas de aprendizagem que nos sirvam a todos.

Ao mesmo tempo, 2026 traz a oportunidade de redefinir a própria noção de performance. Num contexto de exaustão generalizada, ajudar as lideranças a compreender que parar não é falhar – é recuperar para avançar. Falo de sustentabi­lidade organizacional.

Se o setor aproveitar esta convergência entre parcerias, in­teligência artificial e desenvolvimento humano, 2026 poderá marcar o momento em que a educação executiva se afirma como um verdadeiro laboratório de futuro para a liderança.

4. REGENERAÇÃO.

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