Por Antónia Lopes, Senior Business Manager da agap2 Indústria
Nas últimas semanas, Portugal foi severamente atingido por uma série de tempestades que afetaram o território, provocando prejuízos a pessoas, empresas e infraestruturas públicas de norte a sul.
As alterações climáticas têm estado na ordem do dia a nível global mas hoje, mais do que nunca Portugal, questionamos os limites do que temos e do que poderíamos ter ou fazer. Perdemos muitas infraestruturas, recursos naturais e bens que vão demorar anos a recuperar. Estará a nossa Engenharia atualizada? Onde residem os desafios para os engenheiros portugueses enfrentarem melhor as alterações climáticas?
Relativamente à natureza, os nossos solos têm limite na drenagem da água. Isto pode causar inundações, erosão ou corrosão e, consequentemente, danos materiais que podem colocar em risco as nossas infraestruturas e construções. Uma das soluções já em implementação está em Lisboa. A cidade investiu no Plano Geral de Drenagem (2016-2030), construindo uma rede de túneis coletores subterrâneos e criando bacias de retenção para reter a água temporariamente. Esse investimento está a trazer resultados positivos à capital portuguesas. Tóquio e outras urbes internacionais, está também a beneficiar de semelhante aposta. Contudo, esta iniciativa apresenta alguns limitações para zonas rurais. Como podemos contornar isto?
O envelhecimento das nossas infraestruturas também está em causa, uma vez que muitas estradas, linhas ferroviárias e serviços públicos foram construídos há décadas e sofreram, ao longo do tempo, danos como fissuras, infiltrações, falta de isolamento que não foram resolvidos até agora. Estes danos fazem parte da nossa infraestrutura, mas deveriam ser tratados muito antes de problemas graves acontecerem. Circunstâncias ímpares como as das últimas semanas, poderiam ter sido evitadas -como o corte da A1 em Coimbra, a principal autoestrada portuguesa ou o encerrar temporário de linhas ferroviárias devido a inundações e estragos sérios.
Outra questão relacionada com a infraestrutura é a rede de distribuição de eletricidade, telecomunicações e abastecimento de água. Muitos destes sistemas encontram-se em zonas suburbanas e rurais, enterrados ou em redes aérea, vulneráveis aos ventos e à água. Embora estes sistemas sejam planeados para nos fornecer o serviço de forma segura e eficaz, em qualquer situação crítica é incerto se o executado terá resposta suficiente para este intempéries climáticas anómalas ou outras condicionantes. Lembra-se do “apagão” de abril de 2025, quando os sistemas elétricos colapsaram e não conseguíamos fazer nada, desde acender as luzes a pagar nas mercearias? Infelizmente, existe uma interdependência nas redes: a eletricidade alimenta as bombas de água e as telecomunicações. Isto faz-nos questionar a monitorização das redes inteligentes (smart grids) e a segurança da água, a resistência dos centros de dados, bem como o posicionamento e a qualidade destas redes.
Para concluir, os desafios da engenharia sempre foram numerosos, mas, ao olhar para o futuro, os advindos das alterações climáticas são provavelmente os mais importantes!
Todas as áreas da engenharia estão atentas a esta questão, e prontas a investir em I&D para desenvolver materiais, processos e redes mais sustentáveis e resistentes. Estão disponíveis para disponibilizar apoio prático no terreno e para antecipar melhor acontecimentos imprevistos.
Mais do que reagir precisamos de estar preparados para consequências mais frequentes das alterações climáticas. No planeta, os governos devem incentivar as empresas a fazer parte deste movimento, criando economias e países mais sustentáveis, que tragem segurança às vidas dos cidadãos.




