Acendeu a luz da reserva? O que é verdade, o que é mito e o erro que lhe pode sair muito caro

O problema é quando esse comportamento deixa de ser excecional e passa a ser um hábito

Automonitor

Acontece a quase todos.

A luz da reserva acende-se, olha para o painel e faz rapidamente as contas.

“Dá para chegar a casa.”

“Dá para abastecer amanhã.”

“Dá para mais uns quilómetros.”

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Na maioria das vezes, corre tudo bem.

O problema é quando esse comportamento deixa de ser excecional e passa a ser um hábito.

Além do risco de ficar parado na estrada, conduzir frequentemente com o depósito quase vazio pode acelerar o desgaste de componentes importantes do automóvel e transformar uma simples ida à bomba numa reparação de centenas de euros, alertou a PRIO.

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Mas afinal, o que é verdade e o que é exagero?

Mito ou verdade?

“Quando a luz acende ainda posso fazer dezenas de quilómetros.”

Verdade… mas com reservas.

Na maioria dos automóveis, a autonomia ronda os 50 a 80 quilómetros, embora varie consoante o modelo, o motor, o trânsito, o relevo e até a forma como conduz.

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O valor apresentado no computador de bordo é apenas uma estimativa. Basta enfrentar uma subida, trânsito intenso ou acelerar mais do que o habitual para essa margem diminuir rapidamente.

A reserva não deve ser vista como uma garantia.

É apenas um aviso para abastecer o mais depressa possível.

Andar na reserva estraga o carro?

Sim… se acontecer muitas vezes.

Entrar ocasionalmente na reserva não provoca danos imediatos.

Mas repetir esse comportamento pode encurtar a vida de componentes importantes.

Poucos condutores sabem que o combustível não serve apenas para alimentar o motor.

Também ajuda a arrefecer e lubrificar a bomba de combustível, que permanece mergulhada dentro do depósito.

Quando o nível baixa demasiado, essa proteção diminui e a bomba passa a trabalhar com maior esforço e temperaturas mais elevadas.

Com o tempo, isso pode acelerar o desgaste e aumentar a probabilidade de avarias.

É verdade que o carro aspira toda a sujidade do depósito?

Em parte.

Ao longo dos anos acumulam-se pequenas partículas e resíduos no fundo do depósito.

Sempre que o nível de combustível está muito baixo, aumenta a probabilidade de esses detritos serem aspirados para o sistema.

O filtro existe precisamente para impedir que essas impurezas cheguem ao motor.

Mas, se o carro circular frequentemente na reserva, esse filtro pode saturar mais cedo, obrigando à sua substituição e, em casos mais graves, afetando o sistema de injeção.

Nos motores Diesel, as consequências podem ser ainda mais dispendiosas.

Quanto lhe pode custar ignorar a luz?

Depende da sorte.

Se ficar simplesmente sem combustível, poderá ter de chamar a assistência em viagem ou um reboque.

Mas, se surgirem danos na bomba de combustível, nos injetores ou no sistema de alimentação, a fatura pode facilmente ultrapassar várias centenas de euros.

Em muitos casos, o custo da reparação é muito superior ao valor de dezenas de depósitos de combustível.

Ficar sem combustível é apenas um incómodo?

Não.

Pode ser um problema de segurança.

Se o motor se desligar numa autoestrada ou numa via rápida, perde imediatamente a assistência da direção e do sistema de travagem, tornando o veículo mais difícil de controlar.

Além disso, ficar imobilizado numa berma ou num túnel aumenta significativamente o risco de acidente.

Como evitar problemas?

Os especialistas deixam alguns conselhos simples:

– Não espere que a luz da reserva se torne uma companhia habitual.
– Sempre que possível, abasteça antes de o depósito chegar ao último quarto.
– Não confie cegamente na autonomia indicada pelo computador de bordo.
– Conduza de forma suave e mantenha a pressão correta dos pneus, reduzindo o consumo.

Então… deve entrar em pânico quando a luz acende?

Não.

A luz da reserva não significa que o carro vai parar dali a dois quilómetros.

Mas também não deve ser encarada como uma autorização para continuar a adiar o abastecimento.

Uma ou outra vez dificilmente causará problemas.

Transformar esse hábito numa rotina pode sair muito mais caro do que imagina.

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