O mercado do cacau está a atravessar uma nova fase da sua crise histórica, com uma queda acentuada dos preços nos últimos dias. Em apenas cinco sessões, o preço da tonelada de cacau caiu 22,45%, passando dos 8.950 dólares para os 7.309 dólares, recuperando ligeiramente esta sexta-feira para os 7.440. Desde os máximos registados em janeiro (11.684 dólares), a queda acumulada ultrapassa os 60%.
A retração atual está diretamente ligada à diminuição da procura. Após meses de preços elevados, os principais compradores reduziram os pedidos, sinalizando um arrefecimento significativo na procura global, explica o ‘elEconomista’. A viragem deu-se com a divulgação dos dados de moagem – processo industrial que transforma o cacau em pasta e manteiga –, que revelaram descidas acentuadas em várias regiões: menos 7,2% na Europa (331 mil toneladas no segundo trimestre), menos 17,4% na Ásia e uma quebra de 2,78% na América do Norte.
Estes dados marcam um ponto de viragem na chamada “crise do chocolate”, um período marcado por escassez extrema e disrupções no fornecimento, que obrigaram a indústria a adaptar-se através de aumentos de preços, reformulação de produtos ou absorção de custos.
A origem da crise remonta ao fenómeno El Niño, que provocou temperaturas elevadas e seca em países como a Costa do Marfim e o Gana – responsáveis por 55% da produção mundial de cacau. Este fenómeno meteorológico, aliado à propagação de doenças como o fungo da vagem negra, dizimou colheitas e elevou os preços a níveis recorde.
Apesar de agora se prever um excedente global de cerca de 142 mil toneladas nesta temporada, impulsionado por uma produção mais robusta na Costa do Marfim (estimada em 1,85 milhões de toneladas), os analistas alertam que os preços devem continuar altos. A razão? Anos consecutivos de défices deixaram os stocks globais em níveis criticamente baixos – em Nova Iorque, por exemplo, os inventários estão nos mínimos de duas décadas.
Assim, apesar da recente queda abrupta no preço do cacau, a crise está longe de terminar. O mercado global continua a ajustar-se a um novo paradigma de volatilidade e incerteza, com o chocolate a tornar-se, cada vez mais, num luxo vulnerável às pressões climáticas e económicas.









