A inovação é uma das chaves para o sucesso de qualquer negócio. Mas a verdade é que transformar ideias em objectos palpáveis não está ao alcance de qualquer um. Só de algumas empresas, como a Inngage, a trabalhar na área de design e inovação, com foco estratégico em produtos e marcas, e uma abordagem holística à experiência do consumidor apostando em materializar as propostas dos clientes.
A Inngage já criou produtos para marcas de diversos sectores, só que a notoriedade da empresa do Seixal, criada em 2013, aumentou consideravelmente no último mês, depois de ter conquistado um concurso global da Samsung, arrecadando o primeiro prémio na categoria Next Mobile + do concurso internacional Samsung Mobile Design Competition, promovido em parceria com a revista de design Dezeen.
O produto vencedor foi a Star of Galaxy, um braço robótico que transforma qualquer dispositivo Samsung Galaxy num assistente virtual inteligente. Através do assistente virtual Bixby, este acessório permite a interacção com o dispositivo através do reconhecimento facial e por voz. «A Star of Galaxy foi desenhada para permitir uma total fixação e rotação do smartphone ou tablet através do corpo articulado, criando novos níveis de conforto e flexibilidade em tarefas como gravar vídeos ou tirar fotografias, cozinhar, falar por videoconferência», afirma André Gouveia, fundador e director-geral da Inngage. Para desenvolver este projecto, a empresa começou por pesquisar todo o universo Samsung, desde o posicionamento da marca aos novos investimentos que tem feito em tecnologia, e tendo em conta a visão de futuro que está a incutir nos novos desenvolvimentos. «Descobrimos uma postura muito vincada em torno da ideia de empowerment à comunidade maker e aos consumidores que aspiram uma liberdade criativa, através da tecnologia cada vez mais apurada das câmaras Samsung. Também olhámos para as tendências de mercado e de consumidor e percebemos rapidamente que queríamos trabalhar em torno da robótica colaborativa», explica André Gouveia.
Quando à possibilidade de a Samsung materializar o projecto, é, por enquanto, uma incógnita. «Não sabemos mas esperemos que sim. Durante a Samsung Design Conference, na Califórnia, fomos abordados por várias pessoas que nos perguntavam onde poderiam comprar o produto e por quanto, o que é bom sinal. Percebeu-se que se relacionaram com o produto e entenderam o seu valor. Agora depende também da estratégia de desenvolvimento da Samsung e do seu pipeline de lançamentos», explica.
Apesar da indefinição quanto ao futuro da Star of Galaxy, o responsável afirma que contar com a Samsung no portefólio poderá abrir algumas portas. «Mas depende muito de nós. No desenvolvimento de produto, especialmente num nível estratégico, é preciso estabelecer uma relação de confiança muito grande entre as partes (empresa de design e cliente) e isso não se consegue de forma sustentável só por ter um portefólio online. É preciso demonstrar conhecimento e credibilidade para ganhar a confiança de uma empresa a investir em nós. Mas claramente este reconhecimento patrocinado pela Samsung irá ajudar», vinca.
IDEIAS FUNCIONAIS
Apesar do feito na área da robótica, a Inngage conta com projectos desenvolvidos para clientes de vários sectors. O primeiro projecto destinou-se a uma empresa portuguesa que produz produtos de ambientação (CTR Aircare), tendo solicitado a Inngage para desenvolver um ambientador/difusor eléctrico específico para o mercado dos EUA. Depois, começaria a trabalhar com a Solzaima, empresa portuguesa que produz e comercializa salamandras a lenha e pellets, no desenvolvimento de um novo equipamento a pellets. «Desde o início percebemos que nos tínhamos de adaptar a diferentes contextos e requisitos, desde o plástico à metalomecânica, passando por muitas outras tecnologias», recorda André Gouveia.
Desde então, conta com 22 produtos no mercado, sete dos quais desenvolvidos este ano. «O Aegis, uma nova protecção para o carter de motos de enduro e cross para a Polisport, dois modelos de protectores de mão também para a mesma marca, uma estação doméstica de separação de lixo para a Faplana, um fogão misto para a Meireles, uma impressora de unhas (sim, uma impressora de unhas) para a Newvision/Fingernails2Go e uma colecção de puxadores de janela para a Alualpha», enumera o director-geral.
Na lista de produtos desenvolvidos, destaque para a salamandra Natura, feita para a Fogo Montanha. «Trata-se de uma salamandra a lenha revestida a cortiça, que pela particularidade do material foi um desafio tremendo tanto para nós como para a empresa, e que tem-se revelado um sucesso em termos de vendas», explica André Gouveia.
Soma-se também o Wondercover, um sistema/interface de jogo que permite que várias pessoas em simultâneo possam jogar os seus jogos favoritos de cartas, quiz e tabuleiro através de um único tablet.
Sobre o Aegis, este produto propõe uma nova forma de fixação ao quadro que evita que o piloto tenha que transportar ferramentas durante a corrida. «Tem recebido críticas bastante boas e estamos já a trabalhar numa extensão de gama a outros modelos de moto», realça.
O trabalho desenvolvido tem permitido um reconhecimento além fronteiras. Hoje, a Inngage conta já com 10 prémios internacionais de design, entre eles um Red Dot e dois Good Design Awards. Venceu também um concurso com a Delta no desenvolvimento de uma máquina de café profissional, que será lançada no próximo ano.
TRÊS EIXOS FUNDAMENTAIS
A criação da Inngage remonta a uma fase em que André Gouveia decidiu trabalhar por conta própria e criar o seu negócio. «Na altura senti uma lacuna no mercado português, e podia existir uma empresa de design industrial com um foco mais estratégico e que no core do seu processo tivesse as pessoas (consumidores) como ponto de partida para qualquer desenvolvimento», recorda.
Além disso pretendeu criar uma empresa à imagem daquilo que acredita que deve ser o papel do design enquanto disciplina e processo. «Acredito que existem (ainda) muitos produtos no mundo que não fazem sentido. Por isso o nosso compromisso é simples, desenhar produtos que façam sentido, em três eixos: pessoas, indústria e mercado. E é aqui que a postura estratégica entra em acção», realça.
Hoje, a Inngage cresceu e conta com uma equipa de seis pessoas a full time: cinco designers industriais e uma designer de comunicação. «Na equipa de designers industriais há perfis específicos e temos pessoas mais dedicadas a pesquisa e estratégia e outras a design e engenharia. Colaboramos regularmente com freelancers na área da pesquisa etnográfica, programação e engenharia. No curto prazo vamos aumentar a equipa e integrar um recurso da área do marketing», explica André Gouveia.
O negócio da Inngage contempla as áreas de Pesquisa e Estratégia, Design Industrial, Engenharia e Prototipagem, Branding e Digital, Activações e Formação. «Temos clientes que nos contratam apenas numa área de negócio e temos outros que pretendem abranger várias áreas de negócio como consequência de um desenvolvimento de produto mais holístico e integrado. Este ano, a área que mais gerou negócio foi o Design Industrial, seguido da Pesquisa e Estratégia, e do Branding», salienta André Gouveia, mas vinca que quer, rapidamente, alavancar outras áreas de negócio que considera importantes, como Activações e Formação.
Em termos de negócio, o director-geral destaca um crescimento médio de 30% ao ano, número que pretende manter em 2020.




