O tempo está a esgotar-se para impedir um desastroso derramamento de petróleo de um navio-tanque que se está a deteriorar ao largo da costa do Iêmen e se encontra carregado com 1,1 milhão de barris de petróleo, alerta o chefe para a área do Meio Ambiente da ONU, citado pelo ‘The Guardian’.
Inger Andersen, numa intervenção no conselho de segurança da ONU, frisou os perigos que de um vazamento do petroleiro ‘FSO Safer’, uma embarcação sem manutenção há mais de cinco anos, defendendo mesmo que no pior dos cenários poderá resultar na destruição de ecossistemas e meios de subsistência por décadas.
“Prevenir que esta crise se precipitar é realmente a única opção”, disse Andersen, acrescentando que “apesar do difícil contexto operacional, nenhum esforço deve ser poupado para realizar, numa primeira abordagem, uma avaliação técnica e algumas reparações iniciais leves”.
A agravar a forma como a situação está a ser controlada, os rebeldes houthis que controlam a área onde o navio está atracado insistiram em ler o que está a acontecer à luz da guerra civil de seis anos no Iêmen, insistindo na avaliação da possível entrada de inspetores da ONU.
As preocupações de longa data sobre o enferrujado petroleiro de 44 anos aumentaram a 27 de maio, altura em que o nível da água do mar começou a encher a casa das máquinas, sem ter siso ainda possível determinar porque aconteceu esta alteração, já que ainda não houve qualquer exame ao navio.
A ONU faz questão de recordar que o Safer contém 1.148 mil barris de petróleo leve, o que significa que, se ocorrer um derramamento total, a libertação será quatro vezes maior ao desastre do ‘Exxon Valdez’, no Alasca, em 1989, sem deixar de sublinhar que está em risco um dos “repositórios mais importantes da biodiversidade do planeta”, já que as águas do Iêmen sustentam espécies de importância internacional, incluindo mamíferos marinhos, tartarugas marinhas e aves marinhas.
A corroborar a gravidade e urgência de uma intervenção, um relatório do Conselho Atlântico veio salientar que “somente a bordo do navio os especialistas podem avaliar a sua condição geral, incluindo a da sua tubulação e instrumentação interna, e recolher amostras para determinar a condição do petróleo nos 34 tanques de armazenamento”.
Ficam ainda as estimativas dos especialistas que alertam: se ocorrer um derramamento nos próximos dois meses, com a corrente oceânica predominante, 1,6 milhão de iemenitas seriam afetados diretamente.













