Chatbot de Elon Musk impulsionado por pornografia? Relatório levanta novas dúvidas sobre o Grok

xAI tem investido fortemente em ferramentas de geração de imagens e vídeos explícitos

Francisco Laranjeira

A xAI, empresa de Elon Musk, está a apostar na geração de conteúdo explícito como um dos principais motores de utilização do Grok, o seu chatbot de inteligência artificial, avança a ‘Forbes’, citando informações divulgadas pelo ‘The Information’. Segundo o relatório, o conteúdo para adultos representa agora a maior parte da atividade da plataforma.

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A publicação indica que a xAI tem investido fortemente em ferramentas de geração de imagens e vídeos explícitos. Esse tipo de utilização estende-se também ao modelo de codificação do Grok, que, segundo o ‘The Information’, recebe frequentemente pedidos relacionados com material pornográfico.

De acordo com o relatório, mais de metade do tráfego total do Grok terá origem em imagens e vídeos pornográficos, conversas de interpretação de papéis para adultos ou outras atividades semelhantes. O analista Adam Crisafulli, da Vital Knowledge, classificou esta aposta como “uma tentativa desesperada de se manter relevante”.

A evolução surge numa altura em que o Grok terá ficado ainda mais para trás face a concorrentes como a Anthropic, a OpenAI, a Google e a Meta. Dados da ‘Similarweb’ citados no texto indicam que o chatbot de Elon Musk registou este ano a maior queda de tráfego web entre os principais modelos de inteligência artificial.

Entre janeiro e maio, o tráfego do site do Grok caiu 22%, segundo a ‘Similarweb’. A quebra é superior à registada por qualquer outro grande chatbot analisado, embora estes dados não incluam as interações feitas através do X, a rede social de Elon Musk.

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O contraste com alguns concorrentes é expressivo. No mesmo período, o tráfego do Claude, da Anthropic, terá aumentado 369%. Já o DeepSeek cresceu 44%, o NotebookLM da Google avançou 43% e o Gemini subiu 40%, de acordo com os mesmos dados.

A ‘Forbes’ recorda que a xAI já enfrentou escrutínio legal em várias jurisdições, incluindo União Europeia, Índia, Brasil e Estados Unidos, devido às suas práticas e mecanismos de supervisão. Entre os casos referidos está um processo na Califórnia que acusa um utilizador do Grok de ter alterado imagens e vídeos de três adolescentes, duas delas menores de 18 anos, de forma sexualmente explícita.

As ferramentas de imagem do Grok também foram acusadas de serem usadas para “despir” fotografias de pessoas reais, muitas vezes sem consentimento. Relatórios de entidades de fiscalização e investigações jornalísticas alegam ainda falhas nas salvaguardas da plataforma em situações que envolviam representações sexualizadas de menores ou imagens com aparência infantil.

Elon Musk rejeitou ter conhecimento de imagens de menores nus geradas pelo Grok. “Não tenho conhecimento de qualquer imagem de menores nus gerada pelo Grok”, afirmou.

A xAI lançou o Grok como concorrente direto do ChatGPT, do Claude e do Gemini, apresentando-o como uma alternativa menos restritiva. No entanto, segundo a análise citada, a empresa tem tido dificuldade em reduzir a distância face aos principais rivais, que continuam a lançar modelos mais avançados.

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A aposta em conteúdo adulto pode, por isso, expor uma tensão central na estratégia da xAI: tentar diferenciar o Grok pela menor restrição de conteúdos, mas arriscar transformar essa liberdade no principal foco de escrutínio público, legal e reputacional.

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