Desconfinamento: Centros comerciais de Lisboa e Setúbal podem não reabrir a 1 de junho

Os especialistas estão em alerta devido ao aumento do número de casos nos distritos de Lisboa e de Setúbal, provocados por diversos surtos.

Executive Digest

O Governo não descarta a hipótese de vir a adiar a reabertura dos centros comerciais na região de Lisboa e Vale do Tejo para conter a evolução da pandemia do novo coronavírus na região, avança o “Expresso”.

Esta hipótese foi levantada esta quinta-feira pelo primeiro-ministro, António Costa, durante sétima reunião, no Infarmed, com especialistas, políticos e parceiros sociais, para analisar a situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal, na véspera de o Conselho de Ministros decidir em relação à terceira fase de desconfinamento, prevista para 1 de Junho. Ao que o “Expresso” apurou, chegou a ser sugerido, por exemplo, que se mantivessem apenas alguns fechados. No entanto, o chefe do Governo diz que ou reabrem todos ou nenhum.



O Executivo e os especialistas estão em alerta devido ao aumento do número de casos nos distritos de Lisboa e de Setúbal, provocados por diversos surtos. O “Expresso” escreve que o presidente da ARS Lisboa, Durval de Almeida, esteve presente nesta reunião e assegurou que a situação não está fora de controlo, embora mereça atenção especial.

Cerca sanitária avança ou cai por terra?

Neste contexto, foi também levantada a hipótese de avançar ou não com cercas sanitárias individuais para conter o crescimento do surto na região de Lisboa e Vale do Tejo, nomeadamente no Bairro da Jamaica, mas não como aconteceu em Ovar. A ideia, segundo o jornal, seria separar as pessoas e isolar as infectadas, como está a suceder no eixo Carregado-Azambuja, onde funcionam cerca de 220 empresas com perto de 8500 postos de trabalhos e que conta com cerca de 200 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus.

Entretanto, na habitual conferência diária da Direção-Geral da Saúde (DGS), Graça Freitas, defendeu que «o surto no Jamaica está estabilizado».

Momentos depois, o deputado Ricardo Batista Leite, do PSD, confirmou que o Governo vai estudar a possibilidade de adiar, na região de Lisboa e Vale do Tejo, a aplicação de algumas das medidas previstas no âmbito da terceira fase de desconfinamento. «Neste momento, a vigilância epidemiológica é de fundamental importância, assim como eventualmente, para esta região ou pelo menos para alguns dos concelhos, considerar-se o atrasar das medidas prevista para dia 1 de Junho é algo que tem de ser debatido e foi assumido por parte do Governo que essa reflexão será feita antes do Conselho de Ministros de amanhã [sexta-feira]», afirmou o social-democrata, citado pela agência “Lusa”.

O vice-presidente da bancada parlamentar do PSD indicou que a situação no «Norte e Centro está controlada», mas indicou que o partido está preocupado «com a situação que se passa na região de Lisboa e Vale do Tejo», uma vez que os dados disponibilizados hoje mostram que esta zona do país «é a única» onde «não se verifica uma descida contínua do número do óbitos», havendo inclusivamente «uma ligeira inversão da curva».

«Aquilo que será de esperar, com base nos peritos, é que possa haver nos próximos dias um aumento do número de internamentos e, consequentemente, de doentes em cuidados intensivos», sendo por isso «uma matéria que exige uma vigilância epidemiológica muito forte na região de Lisboa e Vale do Tejo», salientou. De acordo com o deputado, os concelhos «onde o foco é particularmente mais relevante» são a Amadora, Loures, Odivelas, Barreiro ou Azambuja.

Portugal contabiliza, neste momento, 1.369 óbitos associados à Covid-19 e 31.596 casos confirmados de infecção, segundo o boletim epidemiológico divulgado pela DGS.

O país entrou no dia 3 de Maio em situação de calamidade devido à pandemia de Covid-19, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de Março. Esta nova fase prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância activa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

Um balanço da agência de notícias “France-Presse”, a partir de dados oficiais, revela que a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 352 mil óbitos e infectou mais de 5,6 milhões de pessoas em 196 países e territórios. Cerca de 2,2 milhões de doentes foram considerados curados pelas autoridades de saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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