A Reform UK pretende cortar 50 mil milhões de libras por ano à despesa com benefícios sociais caso chegue ao poder. Robert Jenrick, porta-voz do partido para o Tesouro, descreveu a proposta como a maior transformação do Estado social britânico numa geração.
Entre as medidas previstas está o fim dos pagamentos de Personal Independence Payment (PIP) e da componente de saúde do Universal Credit para adultos em idade ativa. Segundo a proposta, quase três milhões de pessoas que recebem prestações por doença ou deficiência teriam os apoios retirados ou alterados.
Milhões de beneficiários seriam reavaliados
Num artigo publicado no The Telegraph, Robert Jenrick afirmou que os atuais beneficiários seriam reavaliados ao longo de três a quatro anos. A Reform UK estima que 2,16 milhões de pessoas manteriam integralmente o valor atual dos apoios, enquanto 2,89 milhões veriam os seus pagamentos alterados ou retirados.
Jenrick defendeu que o Estado deve continuar a apoiar quem realmente precisa, mas criticou a atual dimensão dos apoios sociais. Segundo o responsável, 6,9 milhões de pessoas recebem atualmente prestações por deficiência e, desde 2002, a proporção de adultos em idade ativa que recebem apoios devido a problemas de saúde mental e comportamentais triplicou.
A Reform UK propõe a criação de um novo subsídio de segurança de saúde, sujeito a revisões regulares, destinado a apoiar pessoas gravemente doentes ou com condições severas.
Apoios para condições menos graves seriam alterados
Os pagamentos em dinheiro destinados a condições consideradas de menor gravidade seriam eliminados e substituídos por contas de apoio à deficiência, geridas pelos conselhos locais e pelos autarcas.
Estas contas poderiam ser utilizadas para despesas como equipamentos, adaptações, transportes e assistência pessoal.
A proposta prevê ainda que os empregadores possam ser obrigados a pagar um seguro de “regresso ao trabalho”, destinado a financiar os custos dos primeiros dois anos após um trabalhador ficar de baixa médica.
Segundo Jenrick, esta medida criaria um forte incentivo económico para que as empresas ajudassem os trabalhadores a regressar ao emprego.
Os trabalhadores que não regressassem ao emprego ao fim de dois anos seriam sujeitos a uma única avaliação rigorosa e presencial, destinada, segundo a Reform UK, a identificar pedidos fraudulentos ou sem fundamento.
Reform UK estima poupança superior a 50 mil milhões de libras
Robert Jenrick afirmou que as propostas permitiriam poupar mais do dobro dos 23 mil milhões de libras prometidos por Kemi Badenoch, dos Conservadores. Só as alterações aos apoios por deficiência representariam 22 mil milhões de libras em poupanças, segundo a estimativa apresentada pelo responsável da Reform UK.
Conservadores e Labour criticam plano da Reform UK
As propostas foram criticadas pelos partidos rivais. Helen Whately, secretária-sombra do Trabalho e Pensões, acusou a Reform UK de tentar desviar as atenções da investigação relacionada com uma doação de cinco milhões de libras a Nigel Farage e com a eleição suplementar em Clacton.
Os Conservadores afirmaram que pretendem restaurar o limite de dois filhos para os benefícios, terminar os apoios relacionados com condições de saúde mental de menor gravidade, retirar benefícios a cidadãos estrangeiros e recuperar as avaliações presenciais.
Também o Labour contestou os números apresentados pela Reform UK. Uma porta-voz do partido classificou a estimativa de 50 mil milhões de libras como “fantasia económica”, argumentando que o plano retiraria apoio a pessoas com deficiência e transferiria custos para os empregadores.
A mesma responsável defendeu que as reformas do Governo Labour apresentam poupanças credíveis e avaliadas de forma independente, ao contrário de números que considera não terem um plano credível por trás.














