Greves, críticas e protestos. McDonald’s está sob ataque

«É uma questão de vida ou de morte», garante o líder dos protestos dos trabalhadores da McDonald’s.

Filipa Almeida

«Estamos dispostos a ir para a prisão pelos nossos filhos, pela justiça.» As palavras são de um trabalhador da McDonald’s nos Estados Unidos da América, onde a cadeia de fast food está a ser criticada por alegadamente não assegurar as condições necessárias aos seus colaboradores para fazerem frente ao novo coronavírus.

Citado pelo Business Insider, Terrace Wise sublinha que a McDonald’s deve ter consciência daquilo que os trabalhadores estão dispostos a fazer. A mesma publicação indica que este funcionário da empresa tem vindo a liderar um conjunto de greves e protestos há já sete anos, sendo o responsável por detrá do movimento Fight for 15.



Pede um aumento nos ordenados, melhores benefícios e, agora, também medidas que garantam a segurança e protecção de todos em tempo de pandemia. Embora a luta seja já longa, Terrace Wise acredita nunca ter visto uma situação tão difícil como a actual: «Vemos dezenas de milhares de trabalhadores em todo o país a morrer.»

O líder das críticas contra a McDonald’s garante que os restantes colaboradores estão dispostos a fazerem-se ouvir e até mesmo a convocar uma greve. «Não quero soar ameaçador, mas é uma situação terrível para as nossas famílias. É uma questão de vida ou de morte», acrescenta ainda Terrace Wise.

David Tovar, vice-presidente de Comunicações da McDonald’s nos EUA, garante que os protestos em curso afectam apenas um número reduzido das cerca de 14 mil lojas da cadeia no país. No entanto, isso não significa que a preocupação não seja generalizada: seis em cada oito colaboradores ouvidos pelo Business Insider desde o fim de Abril dizem ter receio de serem contagiados no trabalho.

«Estou praticamente a tomar banho em desinfectante para as mãos. (…) Tenho medo de ser um soldado na linha da frente, condenado a cair primeiro. Em cima de um cheeseburger», conta uma funcionária da McDonald’s.

Nota-se também uma preocupação financeira: sete em cada oito dos mesmos funcionários ouvidos pelo Business Insider temem não conseguir pagar as contas durante a pandemia. O medo é gerado pelos despedimentos já ocorridos ou pelas reduções horárias também já implementadas.

O vice-presidente de Comunicações da McDonald’s nos EUA indica que os executivos da empresas estão a reunir três vezes por dia para se manterem a par da situação. Garante também que estão a ser tomadas as medidas necessárias para assegurar a segurança de todos: foram criadas cerca de 50 medidas, incluindo a distribuição de máscaras. Além disso, todos os colaboradores de lojas detidas pela própria McDonald’s receberão um bónus equivalente a 10% do salário de Maio. Ficam de fora, contudo, os franchisings.

David Tovar adianta ainda que a McDonald’s está a analisar a possibilidade de tornar algumas destas medidas permanentes. Em cima da mesa está, por exemplo, a garantia de duas semanas de baixa paga e um aumento generelizado dos ordenados, tal como Terrace Wise tem vindo a reclamar.

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