“Irmãos, 15 de agosto”: milhares de jovens marroquinos organizam-se nas redes sociais para uma nova entrada em Ceuta

Centenas de mensagens publicadas em grupos de WhatsApp e Facebook, escritos em árabe, mostram milhares de jovens marroquinos a discutir a possibilidade de atravessar a fronteira nessa data, embora muitos duvidem da veracidade da convocatória

Francisco Laranjeira

Depois da crise migratória que abalou Ceuta na semana passada, as redes sociais estão a alimentar rumores sobre uma nova tentativa de entrada em massa na cidade autónoma espanhola, marcada para 15 de agosto.

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Segundo o ‘El País’, centenas de mensagens publicadas em grupos de WhatsApp e Facebook, escritos em árabe, mostram milhares de jovens marroquinos a discutir a possibilidade de atravessar a fronteira nessa data, embora muitos duvidem da veracidade da convocatória e alertem para os riscos.

“Irmãos, 15/08/2026”, lê-se numa das mensagens partilhadas num grupo de WhatsApp dedicado à migração para Ceuta e Melilha. Questionado pelo ‘El País’, o administrador de um desses grupos confirmou que a intenção é tentar entrar em Ceuta “ou até mais do que isso”, recusando, porém, garantir que a operação seja segura.

Grupos com centenas de milhares de membros

O jornal espanhol refere ter analisado cinco grupos de Facebook que, juntos, somam quase 400 mil membros, além de nove grupos de WhatsApp com várias centenas de participantes.

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Uma investigação da plataforma de verificação Maldita identificou, por sua vez, 10 grupos públicos com mais de 422 mil utilizadores, onde circulam mensagens sobre uma eventual nova tentativa de travessia.

As conversas misturam entusiasmo e prudência.

“Vejo-vos lá no dia 15”, escreve um utilizador.

Outro afirma que está a viajar de Marraquexe para o norte de Marrocos para participar.

Mas muitas mensagens alertam para o perigo.

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“Não arrisquem. Da primeira vez foram apanhados de surpresa, agora já está tudo preparado”, aconselha um membro de um dos grupos.

Conselhos sobre barcos e rotas

Segundo o ‘El País’, há também utilizadores a trocar informações sobre os melhores locais para atravessar a fronteira, as rotas utilizadas e até o tipo de embarcação mais adequado.

Numa das conversas, vários participantes discutem se um pequeno bote insuflável será suficiente para atravessar o mar.

Outros respondem que é demasiado frágil, alertando para o risco de capotar devido às correntes, às ondas ou até ao tráfego marítimo.

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Há ainda quem procure informações sobre a vedação fronteiriça de Melilha ou sobre a possibilidade de atravessar a nado.

“Ceuta está aberta”

O jornal relata também que muitos rumores continuam a ser alimentados por relatos publicados nas próprias redes sociais.

Uma mulher descreveu no Facebook o momento em que viu dezenas de jovens a correr pelas ruas depois de alguém gritar que “Ceuta está aberta”, desencadeando um efeito de contágio.

Segundo a investigadora María Guevara, da Universidade Pablo de Olavide, em Sevilha, as redes sociais são hoje a principal fonte de informação destes jovens sobre a migração para Espanha.

A especialista explica que muitos utilizadores tendem a partilhar apenas histórias de sucesso, omitindo os fracassos e os perigos da travessia, o que contribui para alimentar expectativas irrealistas.

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O ‘El País’ admite, no entanto, que a alegada mobilização para 15 de agosto pode também servir de isco para redes de tráfico de seres humanos, atraindo jovens até ao norte de Marrocos para depois lhes venderem lugares em embarcações clandestinas, sem que exista qualquer plano real para uma entrada em massa naquela data.

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