O Governo do Dubai lançou uma nova campanha para impulsionar o turismo durante a época baixa, oferecendo benefícios superiores a 3.000 dirhams dos Emirados Árabes Unidos (cerca de 700 euros) aos residentes que convidem familiares ou amigos a visitar o emirado entre 20 de julho e 31 de outubro. A iniciativa pretende aumentar o número de visitantes num período tradicionalmente marcado por menor procura devido às elevadas temperaturas de verão e surge numa altura em que o setor turístico continua a recuperar dos efeitos da guerra entre os Estados Unidos e o Irão.
Denominado “A Dubai Invite”, o programa convida os residentes a assumirem o papel de embaixadores da cidade. Para participar, basta indicar, através do portal Visit Dubai, os familiares ou amigos que pretendem convidar. Em troca, os residentes passam a ter acesso a um conjunto de ofertas e descontos avaliados em mais de 3.000 dirhams, que incluem estadias em hotéis, refeições em restaurantes, entradas em atrações turísticas e outras experiências.
Entre os incentivos disponibilizados encontram-se descontos de até 45% em estadias no Meliá Desert Palm, entradas gratuitas em parques temáticos como o Aquaventure e o IMG Worlds of Adventure, bem como campanhas “dois pelo preço de um” em restaurantes como ULA, Asia Asia e The 305. Na prática, os residentes podem usufruir destas vantagens juntamente com os visitantes convidados, reduzindo significativamente os custos das atividades durante a estadia.
Num comunicado divulgado na rede social X, o Departamento de Economia e Turismo do Dubai explicou os objetivos da iniciativa. “O Departamento de Economia e Turismo do Dubai lança ‘A Dubai Invite’, convidando os residentes a tornarem-se embaixadores da cidade ao receberem os seus familiares e amigos no Dubai.”
Com cerca de 19,5 milhões de turistas por ano, o Dubai consolidou-se como um dos principais destinos turísticos do Médio Oriente, sendo durante décadas associado ao turismo de luxo, às compras, aos grandes eventos internacionais e à hotelaria de elevado padrão. No entanto, os meses de verão representam tradicionalmente a época de menor afluência, uma vez que as temperaturas podem atingir os 50 graus Celsius nos Emirados Árabes Unidos, um país maioritariamente desértico.
Guerra com o Irão continua a afetar o turismo
Apesar de os Emirados Árabes Unidos não terem sido diretamente palco dos combates da mais recente escalada entre Washington e Teerão, o conflito teve um forte impacto na perceção de segurança da região. A guerra, iniciada em fevereiro, abalou a imagem do Golfo como destino estável para turistas e investidores.
Segundo a informação disponível, os Emirados foram atingidos por mísseis e drones iranianos durante o conflito, tendo alguns ataques atingido hotéis, incluindo unidades localizadas na ilha artificial Palm Jumeirah, bem como o emblemático hotel Burj Al Arab. A situação levou muitos turistas a cancelarem ou interromperem as suas férias durante a época alta de inverno.
Desde a entrada em vigor de um cessar-fogo considerado frágil, a 8 de abril, o número de visitantes internacionais começou lentamente a recuperar. Ainda assim, profissionais do setor, citados pela agência AFP, indicam que muitos hotéis continuam atualmente a depender sobretudo de clientes locais para manter níveis de ocupação satisfatórios.
Governo reforçou apoios às empresas
Perante as dificuldades enfrentadas pelas empresas do setor turístico e pelos restantes negócios afetados pela guerra e pelo bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz, o Governo do Dubai aprovou, em maio, um pacote de apoio económico superior a 400 milhões de dólares (cerca de 350 milhões de euros).
O programa incluiu várias medidas destinadas a aliviar os encargos das empresas, entre as quais isenções de taxas municipais aplicáveis a hotéis e restaurantes, redução das coimas relacionadas com infrações aduaneiras e diminuição das taxas associadas às licenças de aviação civil.
Este pacote veio reforçar um primeiro conjunto de apoios anunciado no final de março, então avaliado em mais de 270 milhões de dólares (cerca de 236 milhões de euros), destinado tanto às empresas como às famílias afetadas pelas consequências económicas do conflito.
Companhias aéreas também lançaram incentivos
A recuperação do turismo motivou igualmente a resposta das principais companhias aéreas dos Emirados. No mês passado, transportadoras sediadas no Dubai e em Abu Dhabi lançaram novos programas de seguros de viagem para incentivar os turistas a regressarem ao país.
No caso da Emirates, os passageiros podem acrescentar ao bilhete uma cobertura de seguro de viagem abrangente mediante um custo adicional, incluindo proteção que, segundo a companhia, não é afetada pelas recomendações emitidas pelos ministérios dos Negócios Estrangeiros de diferentes países.
Embora o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico não mantenha atualmente qualquer alerta específico para viagens aos Emirados Árabes Unidos, outros países continuam a aconselhar prudência. A Austrália, por exemplo, elevou recentemente o nível de aviso aos seus cidadãos, recomendando que reconsiderem a necessidade de viajar para o país.
Com a campanha “A Dubai Invite”, o emirado procura agora estimular a procura durante os meses mais quentes do ano, recorrendo aos próprios residentes para atrair novos visitantes e apoiar a recuperação de um setor que continua a sentir os efeitos económicos e reputacionais provocados pelo conflito regional.














